Palavra do Pároco

 

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“o Reino é gratuidade”

Depois de algum tempo sem colocar, neste espaço, uma palavra nova, volto a escrever nesta nossa página, que em breve passará por modificações e atualizações.

Hoje quero lhes falar sobre o tema: GRATUIDADE. O termo gratuidade é definido assim no Dicionário da Língua Portuguesa: Característica ou particularidade do que é gratuito. Estado ou qualidade daquilo que é ofertado gratuitamente. Qualidade ou estado do que não precisa ser justificado; condição do que é natural e espontâneo. grátis  (do latimlatim gratis de graça, sem custos, que não se paga, gratuito”.

Do ponto de vista da ação pastoral e evangelizadora na comunidade, entre outras coisas que o evangelho nos ensina é “que nos mostraremos verdadeiros filhos do Pai, que nos deu tudo de graça. Portanto, saber receber de graça (humildade) e saber dar a graça (gratuidade).

Simplicidade e gratuidade: graça, gratidão e gratuidade são os três momentos do mistério da benevolência que nos une com Deus. Recebemos sua “graça”, sua amizade, seu bem querer. Por isso nos mostramos agradecidos, conservando seu dom em íntima alegria, que abre nosso coração. E desse coração aberto mana generosa gratuidade, consciente de que “há mais felicidade em dar do que em receber” (cf. At 20,35). Isso não significa que a gente não pode se alegrar com aquilo que recebe. Significa que só atingirá a verdadeira felicidade quem souber dar gratuitamente. Quem só procura receber será um eterno frustrado” (Pe. Johan Konings, sj, Revista “Vida Pastoral”, novembro/dezembro de 2013).

“O mundo atual não está aberto à lógica do Reino, por isso começa a querer PAGAR ou COBRAR por uma simples tarefa que é feita. Esta mentalidade mundana penetrou na Igreja e muitos dos que fazem alguma coisa por uma pastoral ou comunidade, no fundo buscam ou querem alguma gratificação financeira por isso, ou mesmo que seja reconhecimento, elogios, visibilidade, privilégios, etc...

Jesus, com sua vida, mostrou o que é serviço gratuito: lavou os pés de pessoas que depois iriam abandoná-lo na cruz, serviu, inclusive, ao traidor. Realizou tantos milagres sem querer nada em troca, escolheu servir a pessoas que não podiam retribuir! Como discípulo de Jesus, estou sendo missionário? Sou capaz de servir na gratuidade?”(Pe. Erivaldo Gomes, Paróquia de Itaeté, Diocese de Rui Barbosa, Ba)

Não podemos nos esquecer que, “o Reino é gratuidade. O evangelho é radicalidade de vida. Assim viveu Jesus: na gratuidade e na radicalidade. É preciso perguntar, primeiro a nós mesmos, o que o Reino está dizendo para nós e nos dispormos a segui-lo radicalmente. Ao jovem rico (cf. Mt 19,16-22) que obedecia fielmente aos mandamentos o Senhor Jesus diz: “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no céu”.

O documento de Aparecida lembra que "na generosidade dos missionários se manifesta a generosidade de Deus, na gratuidade dos apóstolos aparece a gratuidade do Evangelho". Deus continua agindo generosamente em favor da humanidade através da ação dos missionários e os gestos e palavras de Jesus em sua missão terrena permanecem na ação evangeli­zadora dos Apóstolos. Fazer tudo pelo bem do outro, gratuitamente, sem visar proveito próprio, para criar comunhão na partilha do bem. Ser discípulo de Jesus na comunhão com todas as pessoas, sem distinção, levá-las à vida plena.   

Como chegar à realização efetiva deste ideal? O documento de Aparecida responde: "A Igreja deve cumprir sua missão seguindo os passos de Jesus e adotando suas atitudes. Ele, sendo o Senhor, se fez servidor e obediente até a morte de Cruz (cf. FI 2,8); sendo rico, escolheu ser pobre por nós (cf. 2Cor 8,9), ensinando-nos o caminho de nossa vocação de discípulos e missionários. No Evangelho, aprendemos a sublime lição de ser pobres seguindo a Jesus pobre (cf. Lc 6,20), e a de anunciar o Evangelho da paz sem bolsa ou alforje, sem colocar nossa confiança no dinheiro nem no poder deste mundo (cf. Lc 10,4 ss). “Nunca podemos nos esquecer desta fundamentação vivida e ensinada por Cristo, em nossa vida consagrada a Deus no Batismo a serviço dos irmãos e irmãs. Tal atitude interior dos discípulos missionários é garantia de fidelidade e realização na missão.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora de 2011 especificam esta idéia mística e pastoral baseada inteiramente no ensinamento de Jesus: "As atitudes de alteridade e gratuidade marcam a vida do discípulo missionário de todos os tempos. A vida só se ganha na entrega, da doação". Em outras palavras é o que Jesus propôs: "Quem quiser perder a sua vida por causa de mim a encontrará" (Mt 10,39).

 

03/01/2014

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Pe. Donizete Antônio de Souza – Pároco

 

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