As solenidades da Ascensão e de Pentecostes

 

 

Na solenidade da Ascensão do Senhor, a Igreja celebra o "triunfo" e a "vitória" sobre a morte e a plena glorificação de Cristo. Com a Ascensão de Jesus manifesta-se toda a glória divina e ao mesmo tempo manifesta-se também a certeza da nossa própria glorificação, ou seja, da nossa participação na natureza divina.

Depois da Ascensão, Jesus deixa de estar visivelmente presente num determinado lugar da terra. No entanto, Ele, que permanece eternamente vivo "depois da Sua Paixão", continuará sempre presente no meio de nós. A Ascensão inaugura o tempo da Igreja, na qual, de futuro, o céu e a terra se vão encontrar.

Na Igreja, embora não O vejamos fisicamente, temos a possibilidade de viver de Cristo e com Cristo. Na Igreja, pelos Seus Apóstolos, testemunhas da Ressurreição, anunciadores do perdão e da vida divina, portadores da força do Espírito, Jesus continua hoje a Sua obra de Salvação.

Com a Sua Ascensão, Jesus foi plenamente glorificado pelo Pai, que O fez sentar à Sua direita, Lhe deu todo o poder, O constituiu Chefe do novo Povo de Deus e Senhor de todo o universo.

Vivendo agora junto do Pai, Jesus não pertence, porém, ao passado, nem está separado de nós, como se habitasse alturas inacessíveis. É d'Ele que jorra, continuamente, sobre o imenso Corpo, que é a Igreja, a vida nova, recebida no Batismo, para desabrochar, em toda a sua força e beleza, no Céu.

A glorificação de Jesus começou na manhã de Páscoa, quando, triunfando do pecado e da morte, nos alcançou a vida plena. Porém, a subida de Jesus ao Céu, descrita de modo humano, de harmonia com a concepção antiga do universo, é a posse definitiva e total da glória, que já Lhe pertencia, pela Paixão e Ressurreição.

A glorificação de Jesus é também a glorificação da humanidade. Com efeito, pelo perdão dos pecados, prometido a todos os povos, nós participamos da vida do Ressuscitado, tornamo-nos membros do Seu Corpo místico, destinados à mesma glória da Cabeça. Reconfortados por esta certeza, fortificados pelo Espírito Santo, colaboremos para que a obra de Cristo atinja todos os homens.

A subida de Jesus para junto do Pai, não é sinal de ausência, de indiferença, de abandono. Jesus não sobe ao céu para nos deixar à nossa sorte, como órfãos. Como verdadeiro e fiel amigo, Jesus não nos deixa só, mas promete enviar uma força que, estando em nós, nos permite continuar ao logo dos séculos e em todo o mundo a sua missão."Recebereis a força do Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas!"(At 1,8).

Concluindo a caminhada dos cinqüenta dias da Páscoa, a Igreja celebra a Solenidade de Pentecostes, o dom do Espírito Santo derramado sobre a comunidade dos discípulos para a unidade de todos. É a plenitude da Páscoa, como nos diz o prefácio da Missa do dia: "Para levar à plenitude os mistérios da Páscoa, o Senhor derramou, hoje, o Espírito Santo prometido, em favor de seus filhos e filhas."

Pentecostes era uma festa celebrada pelos israelitas cinqüenta dias após a Páscoa. De festa agrícola, na qual se agradecia a Deus pela colheita do trigo, transformou-se na comemoração da constituição deste povo pela Aliança firmada no Monte Sinai. Para nós, cristãos, na celebração de Pentecostes, cumpre-se a promessa de Jesus aos seus discípulos: "O Espírito Santo que o Pai vai enviar em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará vocês lembrarem tudo o que eu lhes disse." (Jo 14,26). "Quando Ele vier dará testemunho de mim e vocês também darão testemunho de mim." (Jo, 15, 26-27).

A Igreja nasce do Espírito Santo, derramado no dia de Pentecostes sobre os Apóstolos e Maria reunidos no Cenáculo, em Jerusalém, e renova-se para cada cristão no dia do seu Batismo, "pois todos fomos batizados num só Espírito para sermos um só corpo." (1 Cor 12,13).

No dia de Pentecostes, a Igreja manifestou-se publicamente a uma multidão de povos e começou a difundir o Evangelho. Movida pelo mesmo Espírito, ela se abre para o anúncio da Boa Nova do Ressuscitado ao mundo. A Igreja, Povo de Deus, é a comunidade dos discípulos missionários chamados pelo Senhor Jesus para dar continuidade à sua missão libertadora. Animada pelo Espírito Santo tem a responsabilidade de testemunhar até o fim dos tempos o projeto salvador do Pai.

Assim como no Cenáculo, hoje, o Espírito Santo, ilumina a fé da Igreja e nos reúne como irmãos para que, atualizando a Páscoa do Senhor, demos graças ao Pai e vivamos guiados pela luz da Ressurreição de Cristo.

A celebração litúrgica, de modo particular a Eucaristia, é memorial das maravilhas realizadas por Deus em favor de seu povo. Transformando os dons do pão e do vinho em Corpo e Sangue de Jesus Cristo, o Espírito Santo age naqueles que comungam, tornando-os membros vivos da Igreja e oferendas agradáveis ao Pai.

Que o Espírito Santo seja plenamente derramado em nosso coração, para que impelidos pelo fogo do amor, sejamos verdadeiras testemunhas do Ressuscitado e promotores da unidade, da fraternidade e da paz!


Paz e Bem!!!

Ministro Adriano silva

 

 

 

 

 

 

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