O sacerdócio comum de todos os cristãos

Meus queridos leitores, dando, continuidade a nossa reflexão, sobre o Sacerdócio de Jesus Cristo. Vamos ver o sacerdócio comum dos cristãos. “A Igreja, Povo Sacerdotal”. “A idéia de um Povo sacerdotal e não apenas de um povo onde há sacerdotes, é unanimemente afirmada na Sagrada Escritura, pelos Santos Padres e pelo Magistério”. Nesta convicção, a unidade da Igreja como um todo, como um sujeito, uma pessoa mística a quem pode ser atribuída à qualidade sacerdotal, de que participam todos os seus membros.

Povo de Deus e Povo sacerdotal são sinônimos, pois é enquanto Povo consagrado ao Senhor, pertença do Senhor, que ele é sacerdotal. Esta dimensão aparece-nos claramente afirmada, no Livro do Êxodo, no contexto da aliança: “A partir de agora, se Me obedecerdes e respeitardes a minha aliança considerar-vos-ei como minha propriedade entre todos os povos, porque toda a terra Me pertence. Sereis para Mim um reino de sacerdotes e uma nação santa” (Ex. 19,5-6). A qualidade sacerdotal de todo o povo é, conseqüência da aliança. “A aliança faz de Israel um povo completamente consagrado ao Senhor, um povo cuja existência só tem sentido no Senhor, na sua consagração ao Senhor; um povo cuja existência se transforma numa liturgia, num culto ao Senhor”

O tema volta em Isaías, no contexto do anúncio da Nova Aliança. “Sereis chamados sacerdotes de Yahwé, designar-vos-ão como ministros do nosso Deus” (Is. 61,5-6). Na esperança do Profeta, essa Nova Aliança dará origem a um povo completamente fiel ao Senhor, consagrado a Deus, ao seu serviço, à sua glória. É por isso que ele será um povo sacerdotal.      Falar de povo sacerdotal é falar de uma qualidade profunda do ser, uma característica constitutiva do Povo de Deus e não de uma função sacerdotal. Isso se mantém na relevação do Novo Testamento “que apresenta o sacerdócio do povo de Deus a que chamamos o sacerdócio comum como uma situação, uma dignidade, uma condição de eleição, de consagração e de graça própria de todos os batizados e não como um ministério”.

A Igreja é Povo sacerdotal devido à sua identificação com Cristo. A Igreja é Jesus Cristo. Todo o seu ser e missão é  participado pela Igreja, que é o Seu corpo.  Em Cristo podemos distinguir a qualidade sacerdotal. A Sua qualidade sacerdotal exprime-se desde a encarnação e consagração no seio de Maria, passando pelo Seu ministério profético, a sua obediência filial que o levou a oferecer a vida em sacrifício; mas ao oferecer esse sacrifício, a vítima que é Ele próprio, Cristo exerce uma função sacerdotal, a de Pontífice da Nova Aliança. A qualidade sacerdotal da Igreja brota da sua identificação com Cristo que se resume nas notas distintivas do ser e missão da Igreja: a unidade, a santidade, a catolicidade e a apostolicidade. Esta qualidade sacerdotal de toda a Igreja é continuamente atualizada pelo ministério de Cristo, o Sumo Sacerdote atuando no ministério dos ministros para isso consagrados.

É graças ao sacerdócio-sacrifício de Cristo e por meio dele, que todo cristão tem agora a possibilidade de chegar ao Pai. Está na carta aos Hb 7,25; Ef 2,1 sem limitação alguma. Aqui temos a diferença em relação ao sacerdócio israelita, onde somente o sumo sacerdote podia exercer plenamente o sacerdócio único dia da expiação. Agora o sacrifício que os cristãos são chamados a oferecer ao Pai, coloca decididamente no plano pessoal de um culto espiritual Rm 12,1. Isto se realiza concretamente na renovação da própria vida á luz da vontade de Deus Rm 12,2 sempre em paralelo e em dependência do sacerdócio-sacrificio de Cristo e na vivencia da partilha dos bens, “não se esqueçam de ser generosos e saibam repartir com os outros, porque tais são os sacrificou que agradam a Deus.” Hb 13,16.  A dinâmica de vida na presença de Deus e na comunhão dos irmãos tende a perfeição sacerdotal Hb10, 14. Ela de agora em diante qualifica o batizado como pedra viva para a construção de um edifício espiritual para um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios agradáveis a Deus, através da própria vida, por meio de Jesus Cristo 1Pd 2,5. 

 Meu querido leitor nesta consciência da renovação batismal da incorporação do homem a Cristo que a responsabilidade do cristão-sacerdote capaz de oferecer a Deus sacrifícios de justiça, elevar ao Pai orações, anunciar o reino da Palavra de Deus. “Assim como o sacerdócio de Cristo toda a sua ação, não se limita á ação sacrifical na Cruz, também a dignidade sacerdotal dos fiéis não pode ficar limitada exclusivamente a ofertas, mas estender-se a toda a vida. Uma vida na presença de Deus marcada pelo amor recíproco e pelo serviço a Palavra 1Cor 12,14.  A vivência apaixonada do sacerdócio comum despertará vocações para o sacerdócio ministerial, pois não existe um sem o outro e ambos, na sua diferença essencial e não apenas funcional, são expressões da qualidade sacerdotal de toda a Igreja. Convido a você que continue suas orações pelos sacerdotes, que Deus os ajude e ilumine a missão a sua vocação de ser sacerdócio. Rezem por todos batizados para que  possam responder aos apelos de Deus que nos chamas a participar de seu reino como discípulos e missionários de Cristo.

Irmã Francisca Romana da Costa SSpS

   

 

 

 

 

 

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