O Sacerdócio em Israel

 

 

Como vimos na coluna do jornal anterior a origem do sacerdócio na época patriarcal não havia um sistema sacerdotal organizado.  Os atos de culto, especialmente o ato central que é o sacrifício, eram realizados pelo rei ou pelo chefe da família. Alguns exemplos são: Abel: Gn 4.3-5; Noé: Gn 8.20 Abraão: Gn 12.8; Melquisedeque: Gn 14.18;  Jetro: Êx 18.12;   Jó: Jó 1.5.        Assim podemos notar que as ações sacerdotais são realizadas pelos Patriarcas. O que pode chamar-se sacerdócio é uma atividade familiar.

A origem do sistema sacerdotal organizado, como aparece em todo o AT, se dá é no livro de Êxodo, quando os homens da tribo de Levi assumiram as funções sacerdotais, tendo sido consagrados para o serviço do Senhor, em lugar de todos os primogênitos de Israel (Êx 2.1-10; 4.14; 6.16-27;  Êx 13.2,13; Nm 3.11-13,41)  A tribo de Levi foi escolhida por Deus para assumir o sacerdócio, em lugar dos primogênitos de Israel, quando os levitas vingaram a honra do Senhor, logo após a apostasia promovida por Arão (Êx 32.25-29). Eles tinham a responsabilidade de desmontar, transportar, erigir e proteger o Tabernáculo, durante toda a peregrinação de Israel no deserto (Nm 1.47-54). A onde se pode perceber as funções do sacerdote que aparecem de maneira clara na Bíblia. 

Na historia do sacerdócio de Israel temos a pessoa de Moises o mediador por excelência entre Deus e o povo. A mediação entre Deus e os homens é a essência do sacerdócio. Vários textos atribuíram explicitamente funções sacerdotais posteriores e a ele também se refere à investidura sacerdotal dos filhos de Arão (Nm 15,17). Igualmente não podemos esquecer a existência de santuários sacerdotais de grande importância, como Silo (Js  18,8ss) 19,51; 21,2;22,9-12: Jz 18,31; 21,19; 1Sm 1,3.9.24: 2,14;4,3.4,12) cuja estrutura exerce evidente influencia sobre  a organização do templo de Jerusalém e do sacerdócio durante o reino davítico. É em Êxodo 19 que narra sobre o sacerdócio de todos os fiéis Ex.19,6 encontramos a existência de um sacerdócio ministerial no Antigo Testamento: “O Senhor lhe disse: “Desce e proíbe expressamente o povo de precipitar-se para ver o Senhor, para que não morra um grande número deles. Também os sacerdotes, que são autorizados e se aproximar do Senhor, santifiquem-se, para que o Senhor não os fira.” Exodo 19,21-22.

Esta passagem, como também a existência de sacerdotes como Melquisedec, contemporâneo de Abrãao e Jetro, o sogro de Moisés, demonstram que haviam sacerdotes ainda antes da Lei de Moisés e o sacrifício levítico. Deus transferiu o sacerdócio exclusivamente a Tribo de Levi que havia mantido fiel a Deus. O livro do Levítico contem as regras detalhadas para o sacerdócio. Se trata de um sacerdócio organizado com clérigo menores, os levitas e a sua cabeça o sumo sacerdote. Os sacerdotes se elegiam entre os descendentes da tribo de Levi e em especial a família de Arão. 

Tambem no livro do Génesis fala-nos o Senhor da figura misteriosa do sacerdote Melquisedec que foi ao encontro de Abraão no regresso de uma luta e combate vitorioso, em favor do povo de Deus. Diz-nos o texto sagrado que esse sacerdote “trouxe pão e vinho pois era sacerdote do Altíssimo e abençoou Abraão”. Seguiu-se uma oferta a Deus, em ação de graças, pela vitória de Abraão, nosso Pai na Fé.

Gn 14, 18-20 Naqueles dias, Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho. Era sacerdote do Deus Altíssimo e abençoou Abraão, dizendo: Abençoado seja Abraão pelo Deus Altíssimo, criador do céu e da terra. Bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou nas tuas mãos os teus inimigos. E Abraão deu-lhe a dízima de tudo.  Pelo Salmo 109 (110) e pela carta de Hbr 7, sabemos que Melquisedec é uma figura de Cristo. Na epístola aos Hebreus do Novo Testamento estabelece-se uma analogia entre Melquisedec, rei de Salem, e Cristo, sumo sacerdote da Ordem de Melquisedec (Hebreus 5, 6; 5, 10; 6, 20; 7, 11; 7, 17). O nome Melquisedec é formado por duas palavras hebraicas, maleki tsedeq, que significam “rei de justiça”, ou “o meu rei é justiça”. Por sua vez Salem significa “paz”; portanto, a Ordem de Melquisedec é a Ordem da Justiça e da Paz. Podemos notar que o apelo enigmático da figura de Melquisedec Jesus é o sumo sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec Hb 6,20 Sl 110,4 que permite ao autor demonstrar a superioridade do sacerdócio “segundo a ordem de Melquisedec” sobre o sacerdócio levítico israelita

A Igreja e a própria Bíblia viu sempre, nesta oferta de Melquisedec, a primeira alusão bíblica à Eucaristia que viria a deixar-nos Jesus Cristo na última Ceia.

Convido a você que dedique suas orações e que olhe com carinho principalmente para o nosso pároco e vigário paroquial, pois são eles que estão mais perto de nós se dedicando com muita doação no ministério sacerdotal servindo incansavelmente a nossa comunidade. Que eles sintam o nosso apoio o nosso carinho.

 

Irmã Francisca Romana da Costa SSpS

 

 

 

 

 

 

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