Cidadania

 

 

Câmara derruba fator previdenciário

Enquanto os aposentados saíram do plenário da Câmara com a sensação de uma bela conquista, o governo tentava recolher os cacos de uma derrota bilionária. Depois de passar semanas negociando com a base para economizar R$ 600 milhões, o parecer do líder do governo na casa, Cândido Vaccarezza (PT-SP), foi atropelado. Além de aprovarem reajuste de 7,7% para os aposentados que ganham mais de um salário mínimo, com impacto de R$ 1,7 bilhão nas contas públicas, os governistas surpreenderam e apoiaram emenda que derruba o fator previdenciário, provocando rombo bem maior, estimado em R$ 14 bilhões anuais.

"É tão absurda essa votação que o impacto é de R$ 15 bilhões. Fala-se em R$ 14 bilhões só com o fim do fator", desesperou-se Vaccarezza. Na discussão do reajuste, nem mesmo a bancada do PT defendeu os 7% propostos pelo governo. O líder do PT na Câmara, deputado Fernando Ferro (PE), deixou a sessão no meio da discussão, depois de receber a notícia da morte de um familiar, mas o deputado José Genoino (PT-SP) seguiu o pedido do colega e liberou a bancada para votar livremente, sem seguir orientação do partido.

Com o placar de 323 a 80 pelo fim do fator previdenciário, o governo investiga os possíveis traidores para cobrar a fatura. Nas conversas de bastidores, já se esperava que os parlamentares tentassem votar o fim do fator, mas calculava-se que apenas 150 deputados apoiariam a proposta. Atordoado, o líder do governo transitava no Salão Verde com a relação nominal dos parlamentares que derrubaram o fator. Na lista de Vaccarezza, a surpresa da presença de pelo menos cinco tucanos entre os que votaram ao lado o governo.

O deputado Júlio Delgado (PSB-MG) comemorou, dizendo que os deputados fizeram "barba, cabelo e bigode" no plenário. Ele apontou a suposta mudança de lado de alguns tucanos por conta de razões eleitorais, já que o próximo presidente herdará as consequências da conta. O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), estava entre os solidários com a situação difícil do governo. Almeida nega, no entanto, que a posição política seja uma atitude de prudência para proteger o ex-governador José Serra (PSDB) se Dilma Rousseff (PT) não vencer a disputa. "Não votei como oposição irresponsável, eu sou responsável. O fato é que o presidente perdeu o controle das atividades legislativas".

O presidente da Federação dos Aposentados e Pensionistas de Minas Gerais (Faap-MG), Robson Bittencourt comemorou a votação. "O índice de 7,7% será aprovado por unanimidade no Senado. Só não passará reajuste maior para evitar que o projeto tenha de voltar para a Câmara e ser votado novamente", afirmou. "Acredito que o presidente Lula não vai vetar o reajuste maior e ainda terá ganho político em cima do aposentado brasileiro. Ele tem todo o direito, desde que nos ajude a manter o reajuste que tanto batalhamos", completou Bitencourt, que participou terça-feira à tarde da votação com representantes dos aposentados em Minas.

Alteração

O fator previdenciário acaba com o cálculo que reduz os benefícios de quem se aposenta mais cedo, ao considerar a expectativa de vida do trabalhador que der entrada no pedido de aposentadoria juntamente com o tempo de contribuição. Sem o fator, os contribuintes se aposentarão com um salário que terá um valor equivalente à média das contribuições que fizerem ao longo da vida, informou o autor da emenda, o líder do PPS na Câmara Fernando Coruja (SC). "A emenda acaba com o fim do fator para pessoas que se aposentarem a partir de janeiro de 2011.

Uma vez aprovada, no entanto, pode ser revisto o cálculo para as outras pessoas". A proposta já foi discutida no Senado. Vaccarezza saiu da votação de terça-feira com a certeza de que os senadores confirmarão o resultado da Câmara. O líder não quis adiantar se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetará o projeto e assumirá o ônus de uma decisão tão impopular em ano eleitoral, mas a equipe econômica e de relações institucionais acompanhou apreensiva a rebelião dos parlamentares da base no plenário da Câmara. (Colaborou Sandra Kiefer)

 

Fonte: Uai

 

 

 

 

 

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