Palavra do Pároco

 

 

O Magnificat de Maria é o cântico das famílias

Caríssimos irmãos e irmãs,  nesta página trago uma parte da homilia que fiz durante a Missa de encerramento da Semana Nacional da Família, em nossa cidade, no dia 18 de agosto, próximo passado.

“... Maria proclama o magnificat (cf. Evangelho do dia), que descreve o programa que Deus tinha começado a realizar desde o começo, que ele prosseguiu em Maria e que cumpre agora na Igreja, para todos os tempos.

O papa Francisco nos diz que este cântico nos fala da esperança, que é a virtude daqueles que, experimentando o conflito, a luta diária entre a vida e a morte, entre o bem e o mal, daqueles que crêem na Ressurreição de Cristo, na vitória do Amor. É o cântico do Povo de Deus no seu caminhar através da história.

O Magnificat de Maria é o cântico das famílias que também experimentam a luta entre o bem e o mal, que constantemente tem de fugir do violento dragão de uma sociedade consumista, hedonista e secularizada que lhes quer roubar o direito de viverem como famílias, roubar o direito dos pais de transmitirem a fé a seus filhos, de anunciarem na pequena Igreja Doméstica o Evangelho da vida e da verdade. Rouba-lhes pelo poder despótico e ditatorial dos governantes de todos os poderes constituídos, que pretendem construir a cidade dos homens, a sociedade, prescindindo de Deus e dos valores evangélicos.

É a família a primeira experiência social e comunitária que experimentamos. O Documento de Aparecida afirma: “No seio de uma família, a pessoa descobre os motivos e o caminho para pertencer à família de Deus. Dela recebemos a vida que é a primeira experiência do amor e da fé. O grande tesouro da educação dos filhos na fé consiste na experiência de uma vida familiar que recebe a fé, conserva-a, celebra-a, transmite-a e dá testemunho dela. Os pais devem tomar nova consciência de sua alegre e irrenunciável responsabilidade na formação integral dos filhos” (n 118).

E nos garantem os Bispos no mesmo Documento: “Deus ama nossas famílias, apesar de tantas feridas e divisões. A presença invocada de Cristo através da oração em família nos ajuda a superar os problemas, a curar as feridas e abre caminhos de esperança. Muitos vazios de lar podem ser atenuados através de serviços prestados pela comunidade eclesial, família de famílias” (n. 119).

Talvez aqui seja o momento de pensarmos mais intensamente na proposta feita pelo Padre Antônio Orestes no Fórum da s Famílias celebrado no dia 15, passado: Criar grupos de famílias para refletir, rezar e buscar caminhos juntas para a solução dos problemas. Talvez, lembrava o Pe. Orestes, nossa família vai bem, mas e a do vizinho? É hora das famílias se despertarem para esta dimensão missionária, sair de si, como quer o Papa para Igreja, queremos também nós para a pequena Igreja Doméstica: Famílias que vão ao encontro de outras famílias, promover em nível familiar a cultura do encontro, da aproximação, do aquecer juntos, para enfrentarmos o gelo desta sociedade perversa na qual vivemos e, a partir de nós, transformá-la, aquecê-la com o calor dos valores humanos e cristãos.

Com os bispos em Aparecida “proclamamos com alegria o valor da família” e, com o Papa Bento XVI, reafirmamos que a família, patrimônio da humanidade constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino americanos e caribenhos. Ela tem sido e é escola da fé, palestra de valores humanos e cívicos, lar em que a vida humana nasce e se acolhe generosa e responsavelmente... A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação de seus filhos” (n. 119).

Agradecemos a Cristo que nos revela que “Deus é amor e vive em si mesmo um mistério pessoal de amor” e, optando por viver em família no  meio de nós, eleva-a à dignidade de ‘Igreja Doméstica’ (D.Ap 115).

Rezemos implorando a Materna intercessão da Virgem Maria, Assunta ao céu:

 

“Santa Maria,  Mãe de Deus e nossa Mãe!

Roga por nós  junto a teu Filho Jesus Cristo, intercede por nós  com o teu coração materno, inundado da caridade do Espírito.

Faze crescer a nossa fé,  aviva a esperança,
aumenta
  e fortalece em nós o amor.

Ampara as nossas famílias, protege os jovens e as crianças, consola os que sofrem.

Sê Mãe dos fiéis  e dos pastores da Igreja, modelo e estrela  da nova evangelização...”.

(Cf. João Paulo II, na Homilia da Coroação da Virgem da caridade do Cobre, em Santiago de Cuba, 24 de Janeiro de 1998)

 

29/08/2013

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Jornadas Mundiais da Juventude um sopro do Espírito

Para mim as Jornadas Mundiais da Juventude foi um sopro do Espírito santo, sentido com profunda obediência pelo Beato João Paulo. Este evento iniciado em 1986 foi celebrado pela primeira vez no Domingo de Ramos, em Roma, com o seguinte tema:  "Estejam sempre preparados para responder a qualquer que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês" (cf.1Pd 3, 15).

Em 1984, durante o encerramento do Jubileu da Redenção, o Beato João Paulo entregou aos jovens uma cruz. Ao entregá-la aos jovens, ao entregá-la pronunciou estas palavras: “Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo, eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Carreguem-na pelo mundo como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo podemos encontrar a salvação e a redenção”.

Rapidamente, o público juvenil atendeu o pedido do Santo Padre e começou a levá-la em viagem pelo mundo. Em 1984 ela faz a sua primeira peregrinação a Mônaco.

A Jornada Mundial da Juventude constitui o maior evento católico e visa levar aos jovens um compromisso maior com a fé, vivida pessoal e comunitariamente. É preciso notar, no entanto, que, a Jornada não é um ponto de chegada, mas sempre de partida, pois as lições, as experiências vividas pelos jovens e por todos que dela participam devem ecoar nas comunidades, nas paróquias, na sociedade. O caráter festivo, tão próprio dos jovens, não pode ofuscar a necessidade do compromisso a ser assumido e, neste ano, sobretudo, com a missão quando o Papa nos convoca a ir e “fazer discípulos entre todas as nações” (cf. Mt 28,19) .

Em nossa Diocese a comissão responsável pela JMJ tem esta preocupação com o pós Jornada, pois, assim como os jovens têm tomado muitas frentes na sociedade é preciso também que eles sejam e se sintam Igreja contribuindo com sua alegria, seus dons e talentos em nossas comunidades. Parafraseando o Beato João Paulo dizemos: “Jovens, o futuro desta Igreja do futuro depende do presente de vocês” (cf. Homilia em Belo Horizonte, 1980).

Esperamos para a juventude de nosso país um novo ardor missionário com esta Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro.

 

As edições das JMJ  em nível internacional aconteceram em:

1986 - Roma, Itália 
1987 - Buenos Aires, Argentina 
1989 - Santiago de Compostela, Espanha 
1991 - Częstochowa, Polônia 
1993 - Denver, Estados Unidos 
1995 - Manila, Filipinas 
1997 - Paris, França 
2000 - Roma, Itália 
2002 - Toronto, Canadá 
2005 - Colônia, Alemanha 
2008 - Sydney, Austrália 
2011 - Madri, Espanha

 

22/07/2013

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Apostolado da Oração: Devoção e compromisso com a igreja.

Estamos no mês de junho, mês dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, a devoção ao sagrado Coração de Jesus e um dos pontos do programa espiritual do Apostolado da Oração e, ao mesmo tempo, constitui sua tarefa a divulgação, a promoção desta devoção. Assim, neste espaço vou reproduzir parte da Palestra que fiz em Cristais, na primeira Sexta de Feira de abril, deste ano, como uma contribuição para aprofundamento dos membros desta Associação.

O Apostolado da Oração é uma forma de vivência do nosso Batismo, participando do múnus, da tarefa, da missão profética, sacerdotal e real (pastoral) de Cristo, destinados que somos para a atividade apostólica de nossa vocação. Dentro desta vocação universal ao Apostolado, o AO constitui "a união dos fiéis que, por meio do oferecimento cotidiano de si mesmos, juntam-se ao sacrifício Eucarístico, no qual se exerce continuamente a obra de nossa redenção e dessa forma, pela união vital com Cristo, da qual depende a fecundidade apostólica" (Novos Estatutos, 1), pois sem esta união com Cristo na Eucaristia nada podemos: "sem mim nada podeis fazer" (Jo 15,5).

Assim, a primeira e fundamental característica daquele (a) que pertence ao Apostolado da Oração é ser "eucarístico", pela participação assídua à Celebração da Eucaristia, como nos manda a Santa Igreja e pela Adoração, "o demorar-se diante dele, em atitude de adoração". Não é compreensível que alguém que se diz pertencer ao Apostolado da Oração, mas não participa da Missa aos domingos e das Primeiras sextas feira, participação esta que contém uma promessa de Jesus: "A todos os que comunguem nas primeiras sextas-feiras de nove meses consecutivos, darei a graça da perseverança final e da salvação eterna".
Assim, o sacrifício da Missa e o Oferecimento Quotidiano é o primeiro ponto do nosso programa de vida Espiritual. Neste primeiro ponto está aquilo que é a fonte e o ápice de toda a vida da Igreja, de toda nossa ação Pastoral: A Eucaristia. E neste mês (mês de abril) o Papa Francisco nos pede como intenção geral justamente isto: "para que a celebração pública e orante da fé seja fonte de vida para os fiéis".

Aos membros do Apostolado da Oração não se pede apenas uma participação individual e apenas espiritual na vida da Igreja, exige-se também, por força do batismo, uma participação ativa na vida pastoral da comunidade, através das pastorais, segundo o dom e o carisma que cada um recebeu de Deus, não para enterrar, mas para fazer frutificar na vida da Igreja e no mundo.
E neste sentido faz-se importante citar o que disse o mesmo Papa Francisco, na recitação do Regina Coeli domingo passado (31 de março de 2013): "É verdade, o Batismo que nos faz filhos de Deus, a Eucaristia que nos une a Cristo, devem transformar-se em vida, traduzir-se em atitudes, comportamentos, gestos, escolhas. A graça contida nos Sacramentos pascais é um potencial de renovação enorme para a existência pessoal, para a vida das famílias, para as relações sociais. Mas tudo passa pelo coração humano: se eu me permito alcançar a graça de Cristo ressuscitado, se me permito mudar naquele meu aspecto que não é bom, que pode fazer mal a mim e aos outros, eu permito à vitória de Cristo ter sucesso na minha vida, ampliar a sua ação benéfica. Este é o poder da graça! Sem a graça não podemos nada. E com a graça do Batismo e da Comunhão eucarística posso me tornar instrumento da misericórdia de Deus, daquela bela misericórdia de Deus!

Expressar na vida o sacramento que recebemos: eis, queridos irmãos e irmãs, o nosso compromisso cotidiano, mas direi também a nossa alegria cotidiana! A alegria de sentirem-se instrumentos da graça de Deus, como ramos da videira que é Ele próprio, animados pela seiva do seu Espírito!".

Vejam, o Papa está nos pedindo que sejamos coerente com os sacramentos que recebemos!

Para isto é importante uma boa formação, pois "ninguém dá o que não tem", para isto é de fundamental importância a participação nas reuniões mensais, que constituem momentos de catequese, de formação para nós, todos os meses. Devemos também participar de encontros, cursos, retiros, oferecidos pela Paróquia, pela Diocese, não só quando são especificamente para o Apostolado da Oração,...
Neste sentido faz-se necessário também o estudo pessoal, através de leituras sobre a fé, a vida da Igreja, os sacramentos e, muita coisa nós encontramos no Mensageiro do Sagrado Coração de Jesus, que todos deviam assinar. Ler e estudar o Catecismo da Igreja Católica. Adquirir o Catecismo que, ao lado da Bíblia muito nos ajudarão na nossa formação. É fundamental, sobretudo, a leitura orante da Palavra de Deus todos os dias.

É isso! Participar do Apostolado da Oração não pode ser apenas um ato de devoção, mas um compromisso com a Igreja, com a minha comunidade, através da oração constante e a ação concreta na vida pastoral paroquial.

Peçamos ao Senhor "que, nos conceda expressar na vida o sacramento que recebemos na fé".

 

Pe. Donizete Antônio de Souza
Diretor Diocesano do Apostolado da Oração

 

12/06/2013

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“A igreja, portanto, rende graças por todas e cada uma das mulheres”

No dia 13 de maio, memória de Nossa Senhora de Fátima rezamos o Terço com as mulheres, na Matriz Nossa Senhora do Carmo. Houve um bom número de mulheres presentes. Antes da recitação da Salve Rainha fiz uma reflexão com elas, que agora sintetizo para o conhecimento de todos, neste espaço de nossa página.

Vamos iniciar a nossa reflexão com um significativo versículo do Evangelho segundo São João, no capítulo 20, é o versículo 18 onde lemos: “Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: ‘Vi o senhor’, e as coisas que ele lhe disse’ (Jo 20,18).

Maria Madalena é uma das grandes mulheres do NT, que após o sepultamento de Jesus foi de madrugada ao túmulo, junto com outras mulheres, para ungir o corpo de Jesus. Sua busca nos diz que quem como ela, que não esmorece em seu amor, pondo-se a caminho para procurar Jesus, haverá de encontrá-lo, e o encontra vivo, ressuscitado.

O encontro de Jesus ressuscitado com Maria Madalena é narrado por João como uma cena típico-ideal, um modelo, um paradigma. Ele nos convida a meditar e interiorizá-la e assim, meditando sobre essa experiência pascal da primeira testemunha da Ressurreição é possível aprofundar a nossa relação de amor e confiança com Jesus. Com a ressurreição o nosso amor para com Jesus torna-se eterno e definitivo.

Dito isto gostaria de refletir numa outra linha neste encontro com vocês mulheres, para lhes dizer, a partir da experiência de Maria Madalena, da importância que têm vocês hoje no mundo e na missão da Igreja de anunciar Jesus, primeiramente no lar, no seio da família.

Vocês devem fazer uma experiência viva de fé e repetir como Maria Madalena: “vi o Senhor”, isto é experimentei o seu amor, a sua bondade, a sua misericórdia e quero que todos também o experimentem toquem-no, sintam a força do seu amor redentor.

Ainda hoje, muitas de vocês mães passam a maior parte do tempo com os filhos, menos do que antes, porque infelizmente, a maternidade é mais uma das ocupações das mulheres hoje e não a principal ocupação. O mundo do trabalho, da busca desenfreada de bens materiais estão levando os pais, mais concretamente as mães a se descuidarem da importante missão de educar, conduzir os filhos na fé.

Em vista disto, na realidade atual é importante considerar a grande influência que têm sobre as crianças as avós, que na maioria das vezes, por necessidade e, às vezes, por irresponsabilidade dos pais são obrigadas e ficar com netos a maior parte do tempo, como nos recordou Bento XVI: “Na sociedade moderna, em que cada vez mais os pais têm menos tempo para os filhos, a presença dos avós (e eu diria, das avós) se torna ainda mais relevante”. Neste sentido o mesmo Papa nos convidou a rezar pelos avós: “que na família são os depositários e muitas vezes as testemunhas dos valores fundamentais da vida. A tarefa educativa dos avós é sempre muito importante,...”.

A Igreja, portanto, rende graças por todas e cada uma das mulheres: pelas mães, pelas irmãs, pelas esposas; pelas mulheres consagradas a Deus na virgindade; pelas mulheres que se dedicam a tantos e tantos seres humanos, que esperam o amor gratuito de outra pessoa; pelas mulheres que cuidam do ser humano na família, que é o sinal fundamental da sociedade humana; pelas mulheres que trabalham profissionalmente, mulheres que, às vezes, carregam uma grande responsabilidade social; pelas mulheres «perfeitas» e pelas mulheres «fracas» — por todas: tal como saíram do coração de Deus, com toda a beleza e riqueza da sua feminilidade; tal como foram abraçadas pelo seu amor eterno; tal como, juntamente com o homem, são peregrinas sobre a terra, que é, no tempo, a «pátria» dos homens e se transforma, às vezes, num «vale de lágrimas»; tal como assumem, juntamente com o homem, uma comum responsabilidade pela sorte da humanidade, segundo as necessidades cotidianas e segundo os destinos definitivos que a família humana tem no próprio Deus, no seio da inefável Trindade.

A Igreja agradece todas as manifestações do «gênio» feminino surgidas no curso da história, no meio de todos os povos e Nações; agradece todos os carismas que o Espírito Santo concede às mulheres na história do Povo de Deus, todas as vitórias que deve à fé, à esperança e caridade das mesmas: agradece todos os frutos de santidade feminina.

Que Maria, a Senhora de Fátima, que «precede toda a Igreja no caminho da fé, da caridade e da perfeita união com Cristo», obtenha para todos nós também este «fruto».

 

20/05/2013

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O Espírito do Senhor encheu o universo; ele mantém unidas todas as coisas e conhece todas as línguas, aleluia! (Sb 1,7)

Celebramos neste mês, no dia 19 de maio a Solenidade de Pentecostes, mistério que constitui o batismo da Igreja, um evento que a deu, por assim dizer, a forma inicial e o impulso para sua missão. E esta “forma” e este “impulso” são sempre válidos, sempre atuais, e se renovam, de modo particular, mediante as ações litúrgicas. Há um aspecto essencial do mistério de Pentecostes, que em nossos dias conserva toda sua importância. O Pentecostes é a festa da união, da compreensão e da comunhão humana. Todos nós podemos constatar como em nosso mundo, mesmo se estamos sempre mais próximos uns dos outros com o desenvolvimento dos meios de comunicação, e as distancias geográficas parecem desaparecer, a compreensão e a comunhão entre as pessoas são sempre superficiais e difíceis.

Persistem desequilíbrios que muitas vezes levam a conflitos; o diálogo entre as gerações torna-se difícil e às vezes prevalece a oposição; assistimos a acontecimentos cotidianos onde parece que os homens estão se tornando mais agressivos e mais irritados; a compreensão parece que requer muito empenho e prefere-se permanecer no próprio eu, nos próprios interesses. Nesta situação, podemos encontrar realmente e viver aquela unidade que precisamos?

Em Pentecostes, se dá o contrário que aconteceu em Babel, que encontramos no início do Antigo Testamento: a antiga história da construção da Torre de Babel (cf. Gn 11,1-9). Mas o que é Babel? É a descrição de um reino no qual os homens concentraram tanto poder ao ponto de pensarem que não deveriam mais fazer referência a um Deus distante e serem assim fortes para poder construir sozinhos um caminho que os levasse ao céu para abrir as portas e colocarem-se no lugar de Deus.

Mas justamente nesta situação se verifica algo estranho e singular. Enquanto os homens trabalhavam juntos para construir a torre, de repente, eles perceberam que construíam um contra o outro. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de não serem mais nem mesmo homens, porque perderam um elemento fundamental no ser pessoas humana: a capacidade de concordarem, de se compreenderem e de trabalharem juntos.

Esta narração bíblica contém uma verdade perene que podemos ver ao longo da história, mas também no nosso mundo. Com o progresso das ciências e das técnicas encontramos o poder de dominar as forças da natureza, de manipular os elementos, de fabricar seres vivos, chegando a pensar mesmo em “criar” um ser humano.

Nesta situação, rezar a Deus, confiar e esperar em Deus parece algo ultrapassado, inútil, porque nós mesmos podemos construir e realizar tudo aquilo que queremos. Mas não notamos que estamos revivendo a mesma experiência de Babel. É verdade, multiplicamos as possibilidades de comunicação, do acesso a informações, de transmissão de noticias, mas podemos dizer que cresceu a capacidade de compreensão? Paradoxalmente, compreendemo-nos sempre menos Entre os homens não parecem circular talvez um sentimento de desconfiança, suspeita, medo recíproco, até o ponto de se tornar perigo um para o outro? Voltamos novamente para a pergunta inicial: pode haver realmente unidade, harmonia? E como?

A resposta, nós encontramos na Sagrada Escritura: a unidade pode existir somente com o dom do Espírito de Deus, que nos dá um coração novo e uma nova língua, uma capacidade nova de comunicação. É isso que se verificou em Pentecostes.

Naquela manhã, cinquenta dias depois da Páscoa, um vento forte soprou sobre Jerusalém e a chama do Espírito Santo desceu sobre os discípulos reunidos, pousou sobre cada um e acendeu neles aquele fogo divino, um fogo de amor capaz de transformar. O medo desapareceu, o coração sentiu uma nova força, as línguas se desfizeram e começaram a falar com franqueza, de modo que todos podiam compreender o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado. Em Pentecostes, onde existia divisão e estranhamento, nasceu unidade e compreensão. Peçamos ao Espírito santo que nos conceda este dom da unidade, da compreensão mútua, do amor verdadeiro!

Vem Espírito Santo, renova este mundo a começar pelo meu coração!

 

08/05/2013

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“Desejo a todos que este caminho de Igreja que começamos seja fecundo para a evangelização”

Nosso querido Papa Francisco, logo que se apresentou no Balcão central da basílica de São Pedro, cativou a todos com sua serenidade, seu sorriso e sobretudo sua humildade ao à multidão que num instante de silêncio rezasse por ele, inclinando a cabeça para receber a oração do seu povo.

Ele tem se mostrado bastante simples, objetivo e atencioso para com todos, descendo às vezes do “papamóvel” para abraçar e acariciar enfermos, abraçando crianças, sem nenhuma pressa, e, às vezes, colocando em dificuldades a segurança.

Na missa com os Cardeais ele mostra a sua disposição e convoca-os também à mesma disposição quando disse: “Eu gostaria que todos, após esses dias de Graça, tenhamos a coragem, exatamente a coragem de caminhar na presença do Senhor, com a Cruz do Senhor; de construir a Igreja no sangue do Senhor, que foi derramado na Cruz; e de confessar a única glória: Cristo Crucificado”.  

Vendo-o pela televisão percebo que é uma pessoa muito simpática e que tem um sorriso e uma palavra de gratidão para todos quantos colaboram com ele, mesmo estes sabendo que o fazem por força do ofício. Nestas primeiras imagens sempre percebi que, por exemplo, ao receber e ao devolver os textos de suas reflexãlos das mãos de seu secretário particular ele sempre o faz com um sorriso no rosto.

No seu discurso aos Cardeais, no dia 15 de março, ele manifestou o seu desejo de servir, com a plena consciência de o ministério Petrino é um serviço e não uma honr, disse: Propriamente partindo do autêntico afeto colegial que une o Colégio Cardinalício, expresso a minha vontade de servir o Evangelho com renovado amor, ajudando a Igreja a tornar-se sempre mais em Cristo e com Cristo, a videira fecunda do Senhor. Estimulados também pela celebração do Ano da Fé, todos juntos, Pastores e fiéis, nos esforcemos em responder fielmente à missão de sempre: levar Jesus Cristo ao homem e conduzir o homem ao encontro com Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, realmente presente na Igreja e contemporâneo em cada homem”.

E neste mesmo sentido é belíssima a sua palavra na Homilia da Missa de inauguração do Pontificado, no dia 19 de março: Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afeto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger”.

A escolha do nome Francisco como ele mesmo disse foi por causa do santo de Assis, já diz tudo, por um lado, demonstra a sua decisão de se voltar para os pobres, os últimos e por outro, isto revela o desejo de reconstruir a Igreja, como foi pedido pelo Senhor a Francisco de Assis, enquanto rezava diante do Crucifixo da Igreja de São Damião o Senhor lhe disse: - “Francisco, reconstrói a minha Igreja”.

A propósito, o cardeal Jaime Ortega tornou público o manuscrito da intervenção do Cardeal Jorge Maria Bergollio, durante uma das Congregações gerais, que antecederam o conclave, em sua fala o Cardeal Argentino falava de uma Igreja que precisa sai de si, literalmente disse: “La Iglesia está llamada a salir de sí misma e ir hacia las periferias, no solo las geográficas, sino también las periferias existenciales: las del misterio del pecado, las del dolor, las de la injusticia, las de la ignorancia y prescindencia religiosa, las del pensamiento, las de toda miséria”. (“A Igreja é chamada a sair de si mesma e ir até as periferias não somente geográficas, senão também às periferias existenciais: as do mistério do pecado, das dores, as de toda a injustiça, as da ignorância e separação religiosa, as do pensamento, as de toda miséria”).

Assim, sua escolha manifesta um desejo de todos os cardeais de uma mudança na Igreja. Diante de todos os palpites da impressa, das especulações dos MCS, o Espírito Santo o escolheu e ele tem a consciência de que sua escolar foi feita por Deus, pela mediação do Colégio Cardinalício, porque o Senhor o olhou com misericórdia e o escolheu, como diz o seu Lema: "Miserando atque eligendo".

Tudo ele faz com muita transparência e consciência, porém no Brasil há uma imprensa maldosa diabólica, que tem por missão dividir, separar, polemizar e este é o conceito de diabo (aquele que divide, do grego: dia-bolos). Alguns “âncoras” de telejornais, repórteres e jornalistas têm duvidado da intenção do Papa. Uma das âncoras da TV Cultura disse certo dia em um telejornal que o que o papa está fazendo é um bom começo, mas não é tudo, pois a Igreja precisa dispor de sua riqueza para socorrer os pobres. Qual riqueza? Obras de arte, imóveis, paramentos...? Também o Estado Brasileiro deveria dispor de todo acervo dos museus espalhados pelos Estados da Federação, dispor das suas pinacotecas, dos patrimônios imobiliários, do Palácio do Planalto, dos edifícios da Esplanada dos Ministérios, das sedes das Agências Reguladoras, da sede do Banco Central, entre outros. Ah! Vão me dizer: - “o governo precisa deles para governar”, pois bem, a Igreja também! Quantos às obras de arte, os quadros de artistas famosos, vão me responder: - “Isto é patrimônio do povo, faz parte de nossa história!” As obras da Igreja também!

Certo é que esta imprensa brasileira é o Caldeirão de Satanás, do Demônio, que se volta ferozmente contra a Igreja, porque esta, apesar das fraquezas de alguns de seus membros, é a única entidade acreditável, como já foi comprovado por diversas pesquisas realizadas. Saibam estes jornalistas demoníacos de plantão que Jesus prometeu e sempre cumpre: “As portas do inferno nunca prevalecerão contra ela” (Mt 16,18). Nós não somos a Igreja do papa, nem de pastor nenhum: Somos a Igreja de Jesus Cristo, “uma, santa católica e Apostólica”, que tem o Romano Pontífice, o Papa o seu Pastor Supremo, Cristo visível na terra.

 

02/04/2013

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"Permaneçamos unidos, queridos irmãos, nas preces e especialmente na eucaristia. Assim servimos à Igreja e a toda à humanidade. Esta é nossa alegria, que ninguém nos pode tirar"

(Bento XVI, Discurso aos Cardeais, 28/02/2013)

 

"Amados Irmãos e Irmãs,

Depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor.
Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes. E, sobretudo, recomendo-me às vossas orações.
Na alegria do Senhor Ressuscitado, confiantes na sua ajuda permanente, vamos em frente. O Senhor ajudar-nos-á. Maria, sua Mãe Santíssima, está conosco. Obrigado!"

Estas foram as primeiras palavras do Papa Bento XVI após sua eleição como sucessor do Apóstolo São Pedro, naquele dia 19 de abril de 2005. O grande teólogo e temível Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé se nos apresentou humilde, tímido, mas confiante na misericórdia Deus, na Virgem Maria e nas orações da Igreja por ele.

Em quase oito anos de Pontificado ele se mostrou como o papa do amor, da esperança e da fé. Naqueles dias já pensávamos na temática de sua primeira Encíclica: um tema explicitamente teológico, doutrinal, ou talvez viesse um documento disciplinar! Não. "Deus caritas est"! "Deus é amor" (1Jo, 4,8). Nesta Encíclica ele nos falou de forma bela sobre o amor de Deus e sobre Deus que é amor. Durante todo seu pontificado esta virtude teologal esteve sempre presente em seus documentos, discursos, homilias e mensagens. Um escrito com exposição clara, simples e que notadamente fora escrito sob o impulso mesmo da oração, da ação direta do Espírito Santo e não apenas de modo técnico científico de se escrever.

Aliás, tive oportunidade de ler os livros de sua autoria ainda como Cardeal, traduzidos em português e pude perceber que o amor, a caridade, perpassa todos os seus escritos. Creio que ele compreendeu com o Apóstolo São Paulo que das três virtudes: fé esperança e caridade, "a maior delas, porém, é a caridade" (1Cor 13,13).

No meu pensamento passa que Bento XVI entra para história como o Papa do amor, mas de um amor que necessariamente exige a verdade, outro grande traço seu pensamento como teólogo e como Sumo Pontífice, seu lema episcopal, aliás, é justamente "Cooperatores Veritatis", (Colaboradores da Verdade). Em seu discurso para a Cúria Romana no dia 21 de dezembro de 2012 ele afirma: "Sem dúvida, não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela que nos possui a nós: Cristo, que é a Verdade, tomou-nos pela mão e, no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento, sabemos que a sua mão nos sustenta firmemente. O fato de sermos interiormente sustentados pela mão de Cristo torna-nos simultaneamente livres e seguros. Livres: se somos sustentados por Ele, podemos, abertamente e sem medo, entrar em qualquer diálogo.

Seguros, porque Ele não nos deixa, a não ser que sejamos nós mesmos a desligar-nos d'Ele. Unidos a Ele, estamos na luz da verdade".

Foi para todos nós uma surpresa e motivo de apreensão a sua eleição para a Sé de Pedro, depois ele nos surpreendeu com seu jeito humilde, discreto e amável de exercer o seu ministério. Ele nos surpreendeu mais uma vez ao renunciar ao ministério Petrino, num mundo onde se mata para permanecer e alcançar o poder, ele nos dá este testemunho de humildade, de desprendimento, sobretudo de amor à Igreja. Oxalá outros lideres mundiais o imitem.

E hoje, 28 de fevereiro, dia em escrevi este artigo, o Papa ao se despedir dos cardeais ele nos dá mais uma lição ao dizer-lhes: "Entre vós está o futuro papa, a quem prometo meu respeito incondicional e obediência. Continuarei convosco rezando, especialmente nestes dias, para que sejais plenamente dóceis à ação do Espírito Santo na eleição do papa..."

Agradecemos a Deus por este "humilde trabalhador na vinha do Senhor", como ele mesmo se auto-intitulou ao aparecer pela primeira vez como Papa na Janela do Palácio Apostólico no Vaticano. A ele a nossa admiração, o nosso respeito e sincera reverência, nossa gratidão. Que as suas orações sustentem a Igreja de Cristo no difícil caminho da atualidade.

 

28/02/2013

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Neste espaço quero levar ao conhecimento de todos o que disse ao final da concelebração em Ação de Graças pelos meus 25 anos de vida Sacerdotal.

Senhor,

Coloco-me diante de vós para agradecer-vos o dom da minha vocação sacerdotal. O vosso chamado não se deu em vista de meus méritos e qualidades pessoais, mas unicamente pelo amor que me tendes.

Desde a infância senti vosso chamado, mas retardei minha resposta e os motivos vós bem os conheceis. Desde pequeno senti ecoar em meus ouvidos e em meu coração esta vossa palavra: vocavi nomine tuo, meus es tu. "Eu te chamei pelo nome, tu és meu!" (Is 43,1).

Foram muitas as dificuldades, dúvidas, temores, indecisões e quedas e elevações ao longo destes 25 anos de sacerdócio. Nestes momentos tive sempre esta convicção de que me chamastes pelo meu nome e que estáveis sempre comigo, dizendo-me: "Não temas!" (cf. Is 43,5).

Senhor, olhando para o passado tenho muito a vos agradecer: agradecer o vosso amor e a vossa misericórdia que me sustentaram até aqui; agradecer tudo quanto me permitistes realizar em prol do vosso povo, em todas as atividades do exercício do ministério.

Agradecer-vos por todos os obstáculos que me permitistes experimentar, para que eu sempre me lembre de que "a única subida legítima rumo ao ministério do pastor é a cruz, verdadeira subida, verdadeira porta. Não desejar me tornar pessoalmente alguém, mas, ao contrário, servir ao outro, servir a Cristo e, assim, através dele e com ele, colocar-me à disposição dos homens que Ele procura, que Ele quer conduzir pelo caminho da vida" (cf. Bento XVI, homilia, 07/05/2006).

Senhor, a família é o berço das vocações, "é o primeiro seminário das vocações" (OT 2), por isso agradeço-vos pela minha família, sobretudo, pelo testemunho de fé que recebi de meus pais.

"O dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã" (OT, 2). Quero, pois, agradecer-vos pelos inúmeros benfeitores que suscitastes para me ajudar durante o período de formação no seminário, principalmente na minha comunidade Paroquial de origem, Nossa Senhora da Ajuda, de Cristais, pelas orações e pela generosidade material. Agradeço-vos por todos aqueles que, desde o início do exercício do ministério sacerdotal colocastes e colocais em meu caminho para me ajudar nas lides pastorais e administrativas. Recordo com carinho e saudade aqueles que já partiram desta vida, que sejam acolhidos e recompensados por vós.

O sacerdote não é ordenado para si, mas para os outros: coloca-se a serviço da Igreja e trabalha no sentido de que o Cristo ressuscitado se torne visível. Hoje, Senhor, quero também me lembrar agradecido das comunidades para as quais me enviastes para exercer o meu ministério de pastor, quero agradecer-vos por todos os fiéis que nelas me ajudaram e me ajudam continuar servindo: Paróquia Nossa Senhora do Desterro, de Desterro de Entre Rios, que completou nos quatro anos que lá estive a minha formação foi para mim uma escola pastoral.

Paróquia São João Batista, de Morro do Ferro. Com aquele povo aprendi mais sobre a acolhida, a proximidade das pessoas.

Paróquia Senhor Bom Jesus, de Campo Belo, grande desafio! Substituir os padres holandeses, da Ordem da Santa Cruz, pude ali aprender a não ter medo e a confiar mais na graça de Deus e também em mim. Ali me falou forte a vossa palavra a Jeremias: "Quanto a mim, desde hoje, faço de ti uma fortaleza, coluna de ferro e muro de bronze, (erguido) diante de toda nação, diante dos reis de Judá e seus chefes, diante de seus sacerdotes e de todo o povo da nação" (Jr 12,18).

Paróquia São Sebastião, em Oliveira: o Senhor me concedeu conhecer e aprender também com aquele bom povo, entusiasmado, amoroso e hospitaleiro.

Paróquia Nossa Senhora Aparecida: outro grande desafio! Mas meu grande desejo: trabalhar num Santuário. Naquela comunidade aprendi a paciência, a respeitar ainda mais os passos de cada um na sua cadência própria.

Hoje, Paróquia Nossa Senhora do Carmo, aqui busco cumprir minha missão, com dedicação, empenho e carinho, esforçando-me para "tornar-me tudo para todos, a fim de salvar alguns a todo custo. E, isto, eu o faço por causa do Evangelho, para dele me tornar participante" (1Cor 9,22b-23). Agradeço-vos, Senhor, por este povo que me confiastes e vos peço: ajudai-me em minha missão. Como disse no dia de minha posse nesta comunidade, repito hoje: "Vim mais para aprender do que para ensinar, porque quem pensa saber tudo está longe, muito longe da verdadeira sabedoria e "o segredo do bom mestre é ser sempre um bom discípulo" (cf. Alceu Amoroso Lima).

Não posso deixar de agradecer-vos, Senhor, pelos seis anos que o Senhor me concedeu trabalhar na formação dos futuros padres da Diocese. Assumi por amor à Igreja, porque capacidade não possuía e não possuo nenhuma, mas o vosso amor, a vossa graça me ajudaram a dar uma pequena contribuição a esta Igreja Particular neste campo. Também ali, Senhor, fui discípulo, aprendiz. Obrigado, pela graça desta experiência.
Enfim, Senhor, eu vos peço que os homens me considerem sempre como ministro (de Cristo), seu servidor, porque, com Santo Agostinho repito: "E nós o que somos? Ministros (de Cristo), seus servidores; porque o que distribuímos não é nosso, mas tiramo-lo da sua despensa. E inclusive nós vivemos dela, porque somos servos..." (Discurso 229/e, 4).

Vocavi nomine tuo, meus es tu. "Eu te chamei pelo nome, tu és meu!" (Is 43,1). Senhor, como é bom saber que na origem de minha vocação não está primeiramente a minha escolha, a minha decisão, antes, como toda vocação, é uma iniciativa amora vossa. Obrigado, Senhor pelo dom da minha vida e pelo meu sacerdócio. Obrigado, Senhor, por todos que vieram se unirem a mim nesta ação graças.

Obrigando, Senhor, enfim, por meus paroquianos que colaboraram e colaboram para a realização desta concelebração; obrigado pelos inúmeros benfeitores destas comemorações.

Ao encerrar esta Ação de Graças dirijo-me a vossa e nossa Mãe, Maria Santíssima, implorando a sua intercessão para que eu possa ser constantemente transformado pela vossa graça e que a ela eu corresponda.

 

Maria, celeste Mãe dos sacerdotes,

que sob a Cruz unistes ao sacrifício de vosso amado Filho e,

depois da ressurreição, no Cenáculo, recebestes juntamente com os Apóstolos e os outros discípulos o dom do Espírito Santo,

ajudai-me a me deixar transformar interiormente pela graça de Deus, pois só assim me é possível ser imagem fiel do Bom Pastor;

só assim poderei desempenhar com alegria, disponibilidade e amor a missão de conhecer, guiar e amar o rebanho que Jesus resgatou com o preço do seu preciosissimo sangue.

Amém.

 

18/02/2013

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 “E nós vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir” (Missal Romano, Oração Eucarística II).

 

Irmãos e irmãs,

Todas as vezes que estou celebrando a Eucaristia e rezo esta parte da Oração Eucarística II reflito sobre a grandeza daquilo que o Senhor me confiou.  Quando criança nos fundos do quintal de minha casa improvisava um altar, os “objetos litúrgicos” e brincava de celebrar a missa, às vezes acompanhado de amigos. O tempo passou, vieram as dificuldades próprias de uma família pobre e não pude, como outros meninos, ingressar no seminário. Passei por muitas experiências, muitas positivas, outras não muito, mas o Senhor estava comigo e me guardou até o dia de hoje. Assim, tive que completar 24 anos de idade para entrar no seminário, depois de perder meu pai.

“E nós vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir”.  É bem verdade que o sacerdote ao pronunciar estas palavras da Oração Eucarística ele o faz em nome de toda a assembléia agindo “in persona Christi capitis”, como servidor humilde do sacerdócio comum dos fiéis, mas eu as tomo de uma maneira particular para mim, pois me lembro do meu desejo de ser padre, quando imitava as ações litúrgicas presididas pelos sacerdotes que passaram por minha terra: Mons. Celso Pinheiro, celebrando ainda em latim, Padre Francisco Monsef e outros que lá celebravam. Depois tive a alegria de, ainda que por pouco tempo, ser coroinha do Pe. Monsef. Eu já me sentia no altar, próximo do Padre, sobretudo, próximo do inefável mistério. Que alegria poder ajudar o padre, tocar nos vasos sagrados, preparar os paramentos, eu me sentia importante!

Depois quando não era mais coroinha tive a oportunidade de ajudar nas celebrações quando fui estudar no Colégio Agrícola Diaulas Abreu em Barbacena, onde participava do Grupo de Jovens “GRUTA” e, todos os domingos, nós jovens pagávamos do nosso bolso o táxi para buscar um padre no Colégio Salesiano para celebrar conosco. Primeiro as celebrações eram no salão Nobre do Colégio. Mas sentia que o ambiente não era favorável, pois ficava no corredor que dava para o vestiário e para os dormitórios, era muito barulho. Com o tempo tive a oportunidade de me aproximar do vice Diretor Dr. Manoel Geraldo Campos. Ficamos amigos, ele tomou confiança comigo, pois era uma pessoa muito reservada e sistemática. Aproveitei para pedir-lhe que interferisse junto à Faculdade de Direito e a Direção da Escola para liberarem a Capela Nossa Senhora da Glória, que pertencia ao Colégio, mas que havia sido transformada em sala de aula. Consegui a desocupação e a abertura da Capela para celebração aos domingos.

Em 1976 fui para o exército, servi no 11° Batalhão de Infantaria, em São João Del Rei, hoje Batalhão de Montanha. Aos poucos fui me aproximando do responsável pela Capela Cabo “Da Silva”, hoje Pe. Raimundo da Silva. Comecei a ajudar, também o capelão um frade franciscano holandês Frei Metello, já idoso.

Fui trabalhar em Belo Horizonte fui recepcionista de Hospital, bancário, professor de Práticas Agrícolas num colégio do Estado. Continuei minha participação na vida da Igreja atuando num grupo de Jovens no Bairro Jaraguá e participando das missas na igreja de Santo Antônio, no Aeroporto. Foi em Belo Horizonte que pude responder ao chamado de Deus para o sacerdócio, com a ajuda de um ex-seminarista da Arquidiocese, Francisco de Assis, que me apresentou ao Pe. Alberto Taveira Corrêa, hoje Arcebispo de Belém, no Pará. Falei a ele: - gostaria de ser padre em minha diocese de origem. Neste período em que trabalhei em Belo Horizonte ia à Cristais e lá acompanhava um Grupo de Jovens fundado por um amigo de infância e por mim. Éramos uns 60 jovens. Assim, foi amadurecendo a minha vocação, até que em 1981 entrei para o seminário.

“E nós vos agradecemos porque nos tornastes dignos de estar aqui na vossa presença e vos servir”. Hoje, após 25 anos, agradeço a Deus a minha vocação, peço-lhe perdão pelas minhas falhas, pelos meus pecados. Quero continuar servindo ao Senhor enquanto for de sua vontade. Bem sei que sou um instrumento frágil e cheio de defeitos em suas mãos, mas é sempre Ele quem “realiza em nós o querer e o agir” (cf. Fl 2,13).  Em toda esta minha caminhada percebo que o Senhor me chamou pelo meu nome e me disse tu és meu (cf. Is 43, 1).

Agradeço a todos que me ajudaram durante o período de seminário e aqueles que hoje me ajudam no exercício do meu ministério.

Encerro estas palavras repetindo o que disse o papa Bento XVI na abertura do Ano sacerdotal: “’O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus’. Como não recordar com emoção que diretamente deste Coração brotou o dom do nosso ministério sacerdotal? Como esquecer que nós, presbíteros, fomos consagrados para servir, humilde e respeitosamente, o sacerdócio comum dos fiéis? A nossa missão é indispensável para a Igreja e para o mundo, que requer plena fidelidade a Cristo e união incessante com Ele; ou seja, exige que tendamos constantemente para a santidade, como fez São João Maria Vianney”.

Agora, uma prece:

“Senhor,

vós me chamastes ao ministério sacerdotal em um momento concreto da história no qual, como nos primeiros tempos apostólicos, quereis que todos os cristãos, e de modo especial os sacerdotes, sejam testemunhas das maravilhas de Deus e da força do vosso Espírito.

Fazei que eu também seja testemunha da dignidade da vida humana, da grandeza do amor e do poder do ministério recebido:

tudo isso com o meu peculiar estilo de vida a vós entregue por amor, só por amor e por um amor muito grande. Fazei que minha vida celibatária seja a afirmação de um “sim”, gozoso e alegre, que nasce da entrega a vós e da dedicação total ao próximo a serviço de vossa Igreja.

Dai-me força em minhas fraquezas. E também gratidão em minhas vitórias.

Mãe Imaculada, que destes o mais grandioso e maravilhoso “sim” de todos os tempos, que eu saiba converter minha vida quotidiana em fonte de generosidade e entrega, e junto a vós, aos pés das grandes cruzes do mundo, associai-me a dor redentora da morte de vosso Filho, para gozar com Ele do triunfo da sua ressurreição para a vida eterna”.

Amém.

 

01/02/2013

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Pe. Donizete Antônio de Souza – Pároco

 

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