Palavra do Pároco

 

É Natal!...

 

“Este "Menino divino", envolvido em faixas e colocado na manjedoura com materna atenção da Mãe, Maria, revela toda a bondade e a infinita beleza de Deus.” (Bento XVI).

 

É Natal! Natal de quem? Natal onde? É natal, Natal de Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, Filho de Maria, concebido pelo poder do Espírito Santo, “Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado não criado, consubstancial ao Pai”, nosso Salvador, nosso Senhor. Senhor do tempo, Senhor da história, Rei do Universo, Rei de todos os corações. É Natal! Deus se inclina sobre nossa pobre humanidade, para elevá-la, para dignificá-la. Deus vem ao homem para que o homem possa ir a Ele. Ele se torna homem, para que o homem se torne divino. Desce Deus à nossa morada, a este casebre que é o nosso planeta, para nos encaminhar à sua morada eterna, onde encontraremos a plena realização de nossa vida, a nossa verdadeira felicidade.

E diante de tudo isto nós não estamos ocupados em olhar, em contemplar este Menino, que nos vem tão de mansinho para não nos assustar e nem nos humilhar. Nasce na simplicidade e na pobreza de uma estrebaria e traz consigo toda riqueza de precisamos para sermos felizes, já São Paulo mais tarde dirá: “por causa de nós se fez pobre, embora fosse rico, para nos enriquecer com sua pobreza” (cf. 2Cor 8,9)..

É natal! E daí? Onde estão os nossos corações os nossos pensamentos? Para quem se volta os nossos corações? Estamos atentos à voz de Deus que nos anuncia a sua descida entre nós e nos fazemos pressurosos como os pastores: “Vamos já a Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer. Foram então ás pressas...” (cf. Lc 2,15-16). Para onde caminhamos? Para as lojas, para os “Shoppings Center”? Para os Supermercados? Para os mais variados centros comerciais? Atendendo mais ao chamado dos Meios de Comunicação para um consumismo desenfreado, iludidos por uma figura fantasiosa que se chama Papai Noel? Corremos à procura das festas fúteis, é preciso saber, no entanto, que, “o reino de Deus não consiste em comida e bebida, mas é justiça, paz e alegria no espírito Santo” (Rm 14,17).

Para onde se volta o nosso olhar? Para as coisas do alto? Ou para as coisas da terra?  Onde está o nosso tesouro? Nas coisas que passam ou nas que não passam, são eternas? Neste tempo procuramos “caminhar entre as coisas que passam e abraçar as que não passam”?

Sem querer atrapalhar as justas e sóbrias comemorações, as justas e sinceras trocas de presentes, gostaria, no entanto, apenas de chamar a atenção para o verdadeiro sentido do Natal. E, neste sentido,termino com uma palavra do Papa Bento XVI, no Ângelus do dia 09 de dezembro, passado, quando comentava o evangelho do III Domingo do Advento, que nos apresentou a figura de João Batista: “Na sociedade consumista, na qual somos tentados a procurar a alegria nas coisas, João Baptista nos ensina a viver de maneira essencial, a fim de que o Natal seja vivido não só como uma festa exterior, mas como a festa do Filho de Deus que veio trazer aos homens a paz, a vida e a alegria verdadeira”.

E que, atendendo ao convite do Papa neste Ano da Fé, possamos crescer mais a nossa fé em Jesus Cristo e professá-la, não só pessoalmente, mas com toda comunidade, dizendo com firmeza e convicção: “Eu creio! Nós cremos!”. Que possamos “acreditar com o cora e professar com a boca a nossa fé cristã, a nossa fé católica”! (cf. Bento, Carta Apostólica Porta Fidei,10)

A todos os nossos paroquianos, a todos os nossos leitores desejo um Feliz e Santo Natal com Cristo e um Ano Novo repleto das graças e bênçãos de Deus, com muitas realizações e êxitos!

 

20/12/2012

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Estamos no tempo litúrgico do Advento, que é um tempo que tem duas características, a saber, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós, e a preparação para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.

Estamos vivendo também o Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, que em sua carta Apostólica "Porta Fidei" nos diz: "ao longo deste tempo, manteremos o olhar fixo em Jesus Cristo,'autor e consumador da fé' (Hb 12, 2): n'Ele encontra plena realização toda a ânsia e desejo do coração humano.

A alegria do amor, a resposta ao drama da tribulação e do sofrimento, a força do perdão diante da ofensa recebida e a vitória da vida sobre o vazio da morte, tudo isto encontra plena realização no mistério da sua Encarnação, do seu fazer-Se homem, do partilhar conosco a fragilidade humana para a transformar com a força da sua ressurreição. N'Ele, morto e ressuscitado para a nossa salvação, encontram plena luz os exemplos de fé que marcaram estes dois mil anos da nossa história de salvação" (n.13).

Assim, pode ser este tempo do Advento ocasião propícia para vivenciarmos esta exortação do Papa, tempo no qual somos convidados a recolocar no centro da nossa vida o essencial, a redescobrir aquilo que é importante, a estarmos atentos às oportunidades que o Senhor, a cada dia, nos oferece, a acordarmos para os compromissos que assumimos para com Deus e para com os irmãos, a empenharmo-nos na construção do "Reino"… É essa a melhor forma - ou melhor, a única forma - de preparar a vinda do Senhor.

Neste tempo olhamos também com amor e veneração para a Virgem Maria que, "pela fé aco0lhe a palavra do Anjo e acreditou no anúncio de que seria a Mãe de Deus na obediência da sua dedicação (cf. Lc 1,38)..." (PF, 13). Também o Senhor nos visita a cada dia e nos propõe a sua Palavra de vida e Salvação, chama-nos a cooperar com Ele na construção da história que Ele mesmo quer escrever e viver conosco. Advento é, pois, tempo de resposta aos apelos do Senhor em vista de nossa salvação.

 

01/12/2012

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Entramos no mês de novembro e, neste mês, celebramos, o Dia de Finados, precisamente amanhã. É um dia triste para muitos, pois a morte é uma etapa da vida que não compreendemos bem, gostaria hoje de recordar-lhes um trecho da homilia que fiz na Catedral Nossa Senhora de Oliveira, na Missa de Exéquias do Senador Eliseu Resende..

Criados à imagem e semelhança de Deus, carregamos em nossa realidade de humanos, traços visíveis daquele que nos criou. Deus quis estar representado na pessoa humana que, por sua vez está profundamente vinculada a Ele, isto nos leva a perceber como lembra Bento XVI na sua Encíclica sobre a Esperança (Spe salvi), que “o homem tem para Deus um valor tão grande que Ele mesmo se fez homem para poder padecer com o homem, de modo muito real, na carne e no sangue, como nos é demonstrado na narração da Paixão de Jesus. A partir de lá entrou em todo o sofrimento humano alguém que partilha o sofrimento e o seu suportar; a partir de lá se propaga em todo o sofrimento a consolação do amor solidário de Deus, surgindo assim a estrela da esperança.

Ao mesmo tempo, temos a consciência de que carregamos em nosso ser necessidades, desejos, limitações, tensões..., e estamos sujeitos às realidades do mundo.  Para muitos é o acumulo de bens o único, ou melhor, caminho para satisfazer o desejo de ser, poder e aparecer.

Porém, a satisfação prometida é ilusória e imediata, destinada a preencher um vazio no ser humano (consumidor) que quanto mais consome, mais vazio se sente. Aqui surge o mito da erradicação da morte. 

Podemos dizer que a pessoa, imagem de seu Criador, vive numa encruzilhada entre dois verbos: o "ser" e o "ter". Mas é diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto. No final da nossa passagem por este mundo o verbo "ter" revela-se muito pobre: não nos é possível levar nada daquilo que acumulamos, consumimos ou parecemos ser (lembrar aqui o pedido feito por Alexandre o Grande). Para nós cristãos a nossa vida pertence a Deus, que no seu amor nos chamou à existência, e não ao mercado. O que conta mesmo é o verbo "ser": o que somos de fato e o que somos na transparência do nosso interior. Na morte seremos o que fizemos de nós mesmos durante nossa vida terrena. Levo o que sou eis o que importa. Diante da morte serei o que sou, nada mais.

Devemos sempre iluminar o mistério da morte cristã com a luz de Cristo Ressuscitado. E para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua ressurreição. A morte, sendo o fim normal, recorda-nos que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida. Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro" (Fl 1, 21). Na pessoa de Jesus ressuscitado, Deus se revela aquele que ressuscita os mortos. Da mesma forma como ressuscitou Jesus, Deus nos ressuscitará também.

Neste contexto, ganham sentido as palavras com quais começa o Evangelho que acabamos de ouvir: “Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Não fora assim, e eu vos teria dito; pois vou preparar-vos um lugar. Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais». Esta palavras contêm a resposta cristã a esta inquietante pergunta do ser humano.

Morrer não é – como estava nos inícios da Bíblia e no mundo pagão – baixar ao Xeol ou ao Hades para levar ali uma vida de larvas ou de sombras; não é – como para certos biólogos ateus – restituir à natureza o próprio material orgânico para um posterior uso por parte de outros seres vivos; tampouco é – como em certas formas de religiosidade atuais que se inspiram em doutrinas orientais (com freqüência mal entendidas) – dissolver-se como pessoa no grande mar da consciência universal, no Todo ou, segundo os casos, no Nada... É, em contrapartida, ir estar com Cristo no seio do Pai, ser onde Ele é. E Deus nos Disse o essencial: a vida eterna será uma comunhão plena, alma e corpo, com Cristo ressuscitado, compartilhar sua glória e sua alegria. A vida eterna – diz-nos o Papa – será submergir-se no oceano do amor infinito, no qual o tempo – o antes e o depois – já não existem. Não será um contínuo suceder-se de dias do calendário, mas como o momento pleno de satisfação, no qual a totalidade nos abraça e nós abraçamos a totalidade.

01/11/2012

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“Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura”(Mc 16,15).

 

Lembra-nos o Decreto do Concílio Vaticano II sobre a Atividade Missionária da Igreja (Ad gentes) que, a Igreja é enviada por Deus a todas as nações como Sacramento da salvação e que ela realiza esta missão de anunciar o Evangelho a partir das exigências íntimas da própria catolicidade e em obediência ao seu Fundador. E que é dever dos sucessores dos Apóstolos perenizar esta obra para que “a palavra de Deus  corra e seja glorificada” (2Ts 3,1), seja por toda terra anunciado e instaurado o Reino de Deus” (cf. AG, 1).

A Igreja é por natureza missionária. Pois ela se origina da missão do Filho e da missão do Espírito Santo (cf. AG, 2). “Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio... Recebei o Espírito santo...” (Cf. Jo 20,21), assim o Pai envia o Filho para nos trazer a salvação e de igual forma o Filho nos envia a todos, para que possam conhecê-la, acolhê-la e conquistá-la. A missão tem sua fonte no amor de Deus, ou na caridade de Deus Pai, que por sua infinita misericórdia e bondade nos criou livremente e, além disso, chamou-nos gratuitamente á comunhão de sua vida e de sua glória (cf. AG, 2).

“A Igreja obediente ao mandato de Cristo e movida pela graça e caridade do Espírito Santo, cumpre sua missão quando em ato pleno se faz presente a todos os homens ou povos, a fim de levá-los à fé, à liberdade e à luz de Cristo, pelo exemplo da vida, pela pregação, pelos sacramentos e demais meios da graça. E assim se lhes abre um caminho desimpedido e seguro á plena participação no mistério de Cristo” (AG, 5).

Quem são os missionários? É verdade que a responsabilidade primeira é do sucessor de Pedro, o Papa, depois dos bispos, sacerdotes e diáconos, que constituem a hierarquia da Igreja. Mas a Igreja não é constituída somente por eles, a Igreja é o Povo de Deus, que na sua maioria é composta pelos fiéis leigos, assim, “cada discípulo de Cristo tem a sua parte na tarefa de propagar a fé... Por isso, através do Espírito Santo, que distribui os carismas como quer (cf. 1Cor 12,11), para a utilidade de todos, inspira a vocação missionária no coração de cada um e suscita Institutos na Igreja, que aceitam como ofício próprio a tarefa da evangelização, dever de toda Igreja (cf. AG, 23).

Desta forma, como membros de Cristo vivo, a Ele incorporados e configurados pelo Batismo e também pela Confirmação e a Eucaristia, todos os fiéis leigos se acham obrigados ao dever de cooperar na expansão e dilatação de seu corpo, para levarem-no quanto antes á plenitude (cf. AG, 36). Todos somos missionários, chamados e enviados por Cristo a anunciar o Evangelho a toda criatura, até os confins do mundo, mas muitas vezes estes “confins” é o coração de quem está bem próximo de nós, na família, no trabalho, enfim, nos mais diversos ambientes onde convivemos. Nosso principal dever como cristão é dar testemunho de Cristo pelo exemplo e pela palavra na família, no seu ambiente social e no ambiente profissional, como nos recorda o já citado Decreto Conciliar sobre a Atividade Missionária da Igreja (cf. nº 21).

Uma grande e preciosa ajuda que podemos dar à ação missionária é primeiramente a oração pelas missões, pelos missionários, sobretudo pelos que estão distantes, além fronteiras. Porém podemos e devemos ajudar materialmente. Por isso lembramos a todos que, no dia 21 de outubro, Dia Mundial das Missões é feita em todas as comunidades uma coleta, por isso, lembramos a todos, sobretudo os nossos paroquianos que nas missas do sábado, dia 20 e do domingo, dia 21, vamos fazer esta coleta em prol das missões em nossa paróquia, não deixem de trazer a sua oferta. Lembramos que é uma oferta espontânea, uma esmola, que não dispensa a entrega do seu dízimo como de costume.

“Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura”(Mc 16,15), eis o chamado que o Senhor nos faz, cumpramo-lo, pois, “já o ceifeiro recebe o seu salário e recolhe o fruto para a vida eterna, para que o semeador se alegre juntamente com o ceifeiro” (Jo 4,36). 

E agora rezemos pelas missões:

 

Ó Deus,

derramai a vossa bênção sobre toda obra da evangelização. Acompanhai vossos missionários

e despertai em nós maior solidariedade na partilha da nossa fé com todos os povos,

construindo o vosso reino.

Isto vos pedimos por Cristo, nosso Senhor. 

Amém

 

04/10/2012

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Estamos no Mês da Bíblia, neste Mês a reflexão proposta pela Igreja é sobre o Evangelho de Marcos, um dos três Evangelhos sinóticos. A palavra ‘sinótico’ é utilizada para se referir aos Evangelhos Segundo Marcos, Mateus e Lucas, onde se encontra grande semelhança – daí o uso deste termo grego.

O tema deste mês da Bíblia proposto pela CNBB é “Discípulos missionários a partir do Evangelho de Marcos”, com o lema: “Coragem, levanta-te, Ele te chama” (Mc 10,49).

Durante muito tempo pensava-se que o Evangelho de Marcos era uma síntese das atividades de Pedro, pois Pedro é uma figura com bastante destaque neste Evangelho, sendo descrito como uma pessoa sem mácula é mostrado em Marcos como uma pessoa ideal. Até o Concílio Vaticano II acreditava-se que o Evangelho segundo Marcos era uma síntese do Evangelho segundo Mateus, e até este Concílio não se tinha a divisão das leituras dos Evangelhos nas liturgias dominicais como temos no presente (ano A, B e C, a saber, no Ano A lemos o Evangelho segundo São Mateus, no Ano B, o evangelho segundo São marcos e no Ano C, o Evangelho segundo São Lucas.

O Evangelho de João é lido nas grandes solenidades, sobretudo durante a semana Santa e na Páscoa). Por isso ele caiu num certo esquecimento

A posição atual: Hoje se sabe que o Evangelho segundo Marcos é o Evangelho mais antigo, foi o primeiro a ser escrito e é o mais próximo do Jesus “histórico”. Os escritos de Marcos serviram de fonte para os Evangelhos segundo Mateus e Lucas.

O autor do evangelho sinótico mais primitivo é identificado pelo nome de Marcos que tem inúmeras citações nos Evangelhos e no livro dos Atos dos Apóstolos. Assim temos: - At 12,12: identifica Marcos com o cognome de João Marcos; - At 15,37 e Cl 4,10: Marcos – ou João Marcos – primo de Barnabé; - Mc 14,51-52: aparece um relato único em que fala de um jovem que foge nu após uma tentativa de prisão (?), deixando para trás um lençol que o envolvia; “muitos comentadores entenderam que este jovem é o próprio evangelista.”.

O evangelho de Marcos é o mais primitivo e sua redação deve ter ocorrido por volta do ano de 65 d.C. aproximadamente, e provavelmente em Roma, pois utiliza muitas expressões latinas, chegando mesmo a nomear uma moeda de uso corrente em Roma (Mc 12,42: “quadrante”).

É unânime que os destinatários do escrito de Marcos deve ter sido a comunidade de Roma devido aos inúmeros latinismos utilizados.

 

12/09/2012

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CARTA AOS CATEQUISTAS

Os que ensinam a muitos a justiça hão de ser como as estrelas, por toda eternidade. (Dn 12,3).

Caríssimos (as) catequistas,

Que o Deus da paz esteja com vocês!

Mais uma vez me dirijo a vocês por ocasião do Dia Nacional do Catequista para dizer-lhes uma palavra de reconhecimento e incentivo nesta árdua tarefa de conduzir os outros no caminho da maturidade da fé cristã, porque como nos ensina o Beato João Paulo que: Catequizar é, de certa maneira, levar alguém a perscrutar o Mistério de Cristo em todas as suas dimensões: ‘trazer à luz, diante de todos, qual seja a disposição divina, o Mistério... Compreender, com todos os santos, qual seja a largura, o comprimento, a altura e a profundidade ... conhecer a caridade de Cristo, que ultrapassa qualquer conhecimento... (e entrar em) toda a plenitude de Deus’ (Ef 3,9.18). Quer dizer: é procurar desvendar na Pessoa de Cristo todo o desígnio eterno de Deus que nela se realiza. E procurar compreender o significado dos gestos e das palavras de Cristo e dos sinais por Ele realizados, pois eles ocultam e revelam ao mesmo tempo o seu Mistério. Neste sentido, a finalidade definitiva da catequese é a de fazer com que alguém se ponha, não apenas em contato, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: somente Ele pode levar ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade” (CT, 5). Portanto, caríssimos catequistas, esta é a tarefa, a missão de vocês: conduzir a Cristo aqueles que a comunidade lhes confia

Ilumina esta minha mensagem o texto do Profeta Daniel: “Os que ensinam a muitos a justiça hão de ser como as estrelas, por toda eternidade. (Dn 12,3) e de minha parte eu os vejo como estes luminares em nossa comunidade, mesmo considerando as dificuldades, as limitações, incompreensões e pouco reconhecimento. Trabalhar na obra de Deus é enfrentar desafios, sobretudo nesta pastoral, a Catequese, mas não podemos desanimar, pois devemos confiar que a semente que semeamos dará a seu tempo o fruto, porque na verdade “é Deus quem faz crescer” (Cf. 1Cor 3,6).

Num tempo em que nossos catequizandos, sobretudo crianças e adolescentes trazem consigo poucas referências; incentivados que são cada vez mais a cobrar direitos e de modo algum cumprir deveres, também na catequese, como na escola, propor a eles os retos caminhos, sobretudo a fé e os compromissos cristão é uma missão penosa.

Por isso, exorto-lhes a não desanimarem, pois como o semeador da parábola (cf. Mt 13,4)) temos que perseverar na semeadura, sabendo que, mesmo que poucas sementes cairão em terra boa, estas darão frutos “trinta, sessenta, cem por uma” ( cf. Mt 13,8).

Parabéns pela sua vocação, parabéns pela sua resposta a Deus. Obrigado pelo seu trabalho. Que Deus, pela materna intercessão de Nossa Senhora do Carmo, os abençoe sempre.

 

20/08/2012

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“Seguindo a Maria, nunca nos desviamos de o caminho de Deus” (São Bernardo de Claraval).

 

Acabamos de celebrar a Festa em honra à nossa Excelsa padroeira, Nossa Senhora do Carmo, gostaria, no entanto, ainda nesta semana, neste espaço fazer mais algumas considerações sobre a Virgem Maria. Parto desta afirmação de São Bernardo: “Seguindo a Maria, nunca nos desviamos de o caminho de Deus”, para esclarecer que a devoção, o amor que tributamos à Mãe de Jesus longe de nos afastar de Deus, nos aproxima dele, nos coloca em seu caminho.

Isto porque olhamos para Maria primeiramente como modelo de fé, de seguimento a Jesus e, sobretudo como modelo de quem faz verdadeiramente a vontade de Deus em sua vida. Ela é, no dizer de Santo Tomás de Aquino, “o modelo e o exemplo de todas as virtudes.”

Ao receber o recado Divino de que seria a Mãe do Messias, do Salvador ela abandona todos os seus projetos e imediatamente responde: “faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). É uma resposta bonita, às vezes, até romântica, idealista, mas, na verdade, é uma resposta comprometedora, que deverá ao longo de sua vida, em todas as situações e dificuldades reafirmá-la. Maria sabia que a resposta no ato da Anunciação não era uma resposta pronta, de momento, mas uma decisão que deveria comprometer toda a sua existência. Ela toma consciência disto sobretudo quando, na Apresentação de Jesus no templo ouve as palavras do velho Simeão a respeito de Jesus: “Este menino foi colocado para  queda e para o soerguimento de muitos em Israel, e como sinal de contradição - e a ti, uma espada de dor traspassará a tua alma” (Lc 2,34-35).

Maria com sua vida, com sua fé, com sua obediência nos ensina que ser cristão, que seguir Jesus não constitui uma tarefa fácil. Hoje, como ontem ser cristão constitui uma alegria e um desafio, como disse o papa Bento XVI: “Jesus não se contenta com uma pertença superficial e formal, não lhe é suficiente uma primeira e entusiasta adesão; ao contrário, é necessário participar toda a vida "no seu pensar e no seu querer". Segui-lo enche o coração de alegria e dá sentido pleno à nossa existência, mas inclui dificuldades e renúncias porque com muita frequência se deve ir contra a corrente...”. Assim, recorda-nos ainda o Papa: “A fé é dom de Deus ao homem e é, ao mesmo tempo, entrega livre e total do homem a Deus; a fé é escuta dócil da palavra do Senhor, que é "farol" para os nossos passos e "luz" para o nosso caminho (cf. Sl 119, 105). Se abrirmos com confiança o coração a Cristo, se nos deixarmos conquistar por Ele, podemos experimentar também nós, como por exemplo, o Santo Cura d'Ars, que "a nossa única felicidade nesta terra é amar Deus e saber que Ele nos ama".

Não esqueçamos nunca que “Redunda em honra do Filho tudo quanto se oferece à Mãe Santíssima” (Santo Idelfonso).

Nunca nos desviaremos do caminho de Deus se seguirmos o exemplo da Virgem Maria. Ela é, no dizer de São Fulgêncio “a escada celeste pela qual Deus desceu à terra e os homens sobem a Deus”.

 

“Que Maria Santíssima sempre enfeite sua alma com as flores e o perfume de novas virtudes e coloque a mão materna sobre sua cabeça.

Fique sempre e cada vez mais perto de nossa Mãe celeste, pois ela é o mar que deve ser atravessado para se atingir as praias do esplendor eterno no reino do amanhecer”

(São Pio de Pietrelcina).

 

17/07/2012

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Orai sem cessar (1Ts 5,17) - 'O Cuidado assíduo de Orar"

Colocamos no nosso plano de Pastoral como uma das pistas de ação para o Apostolado da Oração na Diocese: "promover o estudo dos Novos estatutos para melhor formação de seus membros". Este encontro é uma tentativa de procurar executar esta proposta ao tratarmos de um dos cinco pontos do Programa de Vida Espiritual do Apostolado da Oração que é o Cuidado assíduo de orar, ou seja, a Oração perseverante. Em uma de suas Catequeses sobre a Oração o Papa Bento XVI nos exorta: "Aprendamos a permanecer mais diante de Deus, aquele Deus que se revelou em Jesus Cristo, aprendamos a reconhecer no silêncio, no íntimo de nós mesmo, a sua voz que nos chama e nos reconduz à profundidade da nossa existência, à fonte da vida, à fonte de salvação, para nos fazer andar no limite da nossa vida e abrir-nos à medida de Deus, ao relacionamento com Ele, que é Amor Infinito" (Bento XVI) [...]

"Orai sem cessar" (1Ts 5,17), que ouvimos agora no momento da Palavra desta Adoração Eucarística. A palestra será, portanto, uma parte deste momento de Oração.

São Paulo exorta a comunidade de Tessalônica e também a nós a fazer o que ele faz - alegrar-se, orar e dar graças sempre com perseverança. Pede-lhes que façam isto porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus.

O que é a oração? A oração é o primeiro fruto da fé. Porque é um colóquio, um diálogo com Deus que nasce da fé, às vezes ainda tímida e que se fortalece até que se torne energia criadora, força de transformação da vida. Santo Agostinho diz que: "Para poder rezar, tenhamos fé, e se queremos que a fé que nos faz rezar não desfaleça, rezemos. A fé faz brotar a oração e a oração que brota habitua-se a pedir o fortalecimento da fé". Ou como diz São João Maria Vianey: "A fé existe quando se fala com Deus como se falaria com um amigo".

A oração - diz São João Crisóstomo - "é uma arma poderosa, um tesouro indestrutível, uma riqueza inesgotável, um porto para abrigo nas tempestades, um reservatório de calma; a oração é a raiz, a fonte e a mãe de bens consideráveis. [...] Mas a oração de que falo não é medíocre nem negligente; é uma oração ardente, que brota do sofrimento da alma e do esforço do espírito. Eis a oração que sobe aos céus. [...] Escuta o que diz o escritor sagrado: "Ao Senhor, no meio da angústia, eu clamo e Ele me ouve" (Sl 119,1). Aquele que ora assim na sua angústia poderá, após a oração, desfrutar na sua alma de uma grande alegria. [...]

Por 'oração' - continua São João Crisóstomo - entendo não aquela que se encontra apenas na boca, mas a que brota do fundo do coração. Como as árvores cujas raízes estão profundamente enterradas não se quebram nem são arrancadas mesmo que os ventos desencadeiem mil assaltos contra elas, porque a suas raízes estão fortemente presas nas profundezas da terra, também as orações que vêm do fundo do coração, assim enraizadas, sobem ao céu com toda a segurança e não são desviadas por nenhum pensamento de falta de segurança ou de mérito. É por isso que o salmista diz: "Do fundo do abismo, clamo a vós, Senhor" (Sl 129,1). [...] Se o fato de contares aos homens os teus infortúnios pessoais e descreveres as provações por que passaste traz algum alívio à tua desventura, como se através das palavras se exalasse uma brisa refrescante, com muito mais razão se falares ao Senhor dos sofrimentos da tua alma encontrarás consolo e conforto em abundância!

De fato, muitas vezes os homens dificilmente suportam aqueles que vêm lamentar-se e chorar ao pé de si: afastam-se e repelem-nos. Mas Deus não age assim; pelo contrário, Ele faz com que te aproximes e abraça-te; e mesmo que passes o dia inteiro a narrar os teus infortúnios, ficará ainda mais disposto a amar-te e a acolher favoravelmente as tuas súplicas..."

A oração é um exercício, pois assim como o nosso corpo ganha força e energia através dos exercícios físicos, do treinamento, assim também a nossa alma, o nosso espírito precisa ser fortificado pela oração constante. Frei Inácio Larañaga, criador das Oficinas de Oração e Vida, no seu livro "Mostra-me teu rosto" diz: "Quanto mais se reza, mais vontade de rezar, quanto menos se reza, menos vontade de rezar" "Se verdadeiramente desejamos seguir a Cristo, se queremos que nosso amor a Ele cresça e dure, devemos ser assíduos à oração. Ela é a chave da vitalidade do nosso viver em Cristo. Sem a oração nossa fé e nosso amor morrerão... A oração nos torna conscientes de que tudo, até mesmo o mal, encontra seu principal e definitivo ponto de referência em Deus" (cf. Papa João Paulo II).

 

21/06/2012

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“Eu darei aos devotos de meu Coração todas as graças necessárias a seu estado”. Esta é a segunda promessa feita por Jesus à Santa Margarida Maria de Alacoque, apresentando-lhe o seu Sagrado Coração. A promessa garante as garças necessárias a cada um segundo a sua vocação, o seu estado de vida.

Mês de junho é o mês do Sagrado Coração de Jesus! A devoção ao Sagrado Coração visa “não só a contemplação do seu amor sensível”, mas também “até a consideração e adoração do seu excelentíssimo amor infuso”: como afirmou o Papa Pio XII em sua belíssima encíclica Haurietis aquas, sobre o sagrado Coração de Jesus 

A história desta devoção tem mais de 800 anos. Seus inícios se deram com a mística alemã da Alta Idade Média Matilde Magdeburgo (1207 - 1282), seguida por Matilde de Hackenborn (1241 - 1299) e por Getrudes de Helfta (1266 - 1302).

Depois, foram vários os santos que continuaram promovendo o culto ao Sagrado Coração. Entre eles estão São Boaventura, Santo Alberto Magno, Santa Gertrudes, Santa Catarina de Sena, o Beato Henrique Suso, São Pedro Canísio e São Francisco de Sales. São João Eudes foi o autor do primeiro ofício litúrgico em honra do Sagrado Coração de Jesus, cuja festa solene se celebrou pela primeira vez no dia 20 de outubro de 1672.

Porém, o marco desta celebração está ligado a Santa Margarida Maria Alacoque, religiosa da Ordem da Visitação, que recebeu várias revelações do próprio Senhor Jesus para que impulsionasse mais esta devoção. Tais revelações depois foram difundidas pelo seu conselheiro espiritual, o jesuíta São Claudio de la Colombière.

O Papa Pio XII assegurava que esta devoção pode levar os homens, “em um vôo sublime e doce ao mesmo tempo, até a meditação e adoração do Amor divino do Verbo Encarnado”.

Termino citando um entrevista do Cardeal Vanhoye, quando perguntado sobre a atualidade desta devoção. Respondeu: “Precisamente na união com o Coração de Jesus. Não se trata de uma devoção superada; pelo contrário, é atual e inclusive essencial quando bem vivida. Sem esta união, não podemos viver plenamente o amor que vem de Deus nem chegar a ser humildes. Ao contrário, corremos o risco de alimentar só orgulho e soberba. Por outro lado, é o próprio Evangelho o que nos apresenta uma religião do coração, distante da exterioridade. Deve-se dizer que a devoção ao Coração de Jesus tem uma forma popular que nem sempre corresponde a esta orientação, mas penso que se pode fazer muito para que se torne ainda mais significativa.

Reze todos os dias a Consagração Pessoal ao Sagrado Coração de Jesus:

 

Eu (diz o nome), vos dou e consagro, ó Sagrado Coração de Jesus Cristo, minha pessoa e minha vida, minhas ações, penas e sofrimentos, para não querer mais servir-me de nenhuma parte de meu ser senão para vos honrar, amar e glorificar.

É esta minha vontade irrevogável: ser todo vosso e tudo fazer por vosso amor, renunciando de todo o meu coração a tudo quanto vos possa desagradar.

Tomo-vos, pois, ó Sagrado Coração, por único objeto de meu amor, protetor de minha vida, segurança de minha salvação, remédio de minha fragilidade e de minha inconstância, reparador de todas as imperfeições de minha vida e meu asilo seguro na hora da morte. Sede, ó coração de bondade, minha justificação diante de Deus, vosso Pai, para que desvie de mim sua justa cólera. Ò coração de amor!

Deposito toda a minha confiança em Vós, pois tudo temo de minha malícia e de minha fraqueza, mas tudo espero de vossa bondade!

Extingui em mim tudo o que possa desagradar-vos, ou se oponha à vossa vontade. Seja o vosso puro amor tão profundamente impresso em meu coração, que jamais possa eu esquecer-vos, nem separar-me de Vós.

Suplico, por vosso infinito amor, que meu nome seja escrito em vosso coração, pois quero fazer consistir toda a minha felicidade e toda a minha glória em viver e morrer como vosso escravo. Amém.

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Lembrete:

Dia 17, domingo: Encontro do Apostolado da Oração, no Ginásio Poliesportivo “Dr. Paulo Alvarenga”, iniciando às 13 horas.

Vocês que pertence ao Apostolado da Oração está convidado a vivenciar esta tarde de oração, meditação e convivência fraterna.

 

11/06/2012

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“... nós, embora sejamos muitos membros, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós é membro um do outro" (Rm 12,5).

Hoje nesta página quero falar sobre o evento que realizamos no dia 20, próximo passado. Quero ressaltar antes a unidade, a comunhão que mais uma vez experimentamos entre as quatro paróquias da cidade, pastores e fiéis unidos para um mesmo objetivo, construir nossas comunidades em todos os sentidos: pastoral, espiritual e materialmente. Foi bonito ver famílias inteiras juntas se divertindo, num ambiente tranqüilo, agradável, apesar da multidão que se reuniu. Estamos orgulhosos de nossos paroquianos, de nossos dedicados agentes de pastoral que trabalharam incansavelmente, antes, durante e muitos também depois do evento. 

Acontecimentos como este dá uma prova de que se é possível fazer lazer sem a necessidade de apelações, sobretudo com o uso de bebidas alcoólicas e outras drogas. Que se é possível levar para as praças para se divertirem famílias inteiras: crianças, jovens, adultos e idosos. Este evento contribuirá para o crescimento de nossa cidade. De nossa parte, como pastores do Rebanho de Deus, pudemos constatar a bondade, a disponibilidade, o carinho e a dedicação de nosso povo para com nossas comunidades paroquiais.

Assim, queremos hoje a agradecer a todos quantos colaboraram com o evento “União Solidária”; a Equipe organizadora, as equipes de trabalho nas barracas e no palanque, os artistas, os comunicadores das Rádios Clube, AM, 98 e 101 FMs: Ênio Ribeiro, Beto Santana, Reginaldo Eugênio e J. Martins.

Nossos agradecimentos especiais a todos os que colaboraram com a venda das cartelas, aos que as adquiriram. Agradecemos o apoio do Poder Público Municipal, aos funcionários da prefeitura que, mesmo cumprindo suas tarefas, montaram a estrutura para o evento com dedicação, à Casa de Cultura, às Polícia Civil e Militar, aos seguranças voluntários.

Para além do resultado financeiro do evento ficam para nós como positivos: a união do povo de Campo Belo, a disponibilidade, a dedicação de nossos paroquianos, a integração e a união dos diversos setores da cidade, sobretudo o testemunho de união, de solidariedade, de disponibilidade que deu nosso povo.

Deus abençoe e recompense a todos e a cada um pelo que fizeram!

 

28/05/2012

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Estamos vivendo o rico Tempo da Páscoa as Normas Universais sobre o Ano Litúrgico e o Calendário (n.22) afirmam: “os cinquenta dias entre o domingo da Ressurreição e o domingo de Pentecostes sejam celebrados com alegria e exultação, como se fossem um só dia de festa, ou melhor, ‘como um grande domingo’. É principalmente nesses dias que se canta o aleluia”.

Os cinquenta dias do Tempo Pascal devem ser considerados e vividos como uma unidade, como uma única festa. São cinquenta dias de Páscoa. Por isso, os domingos são chamados de domingos da Páscoa e não de domingos depois da Páscoa.

A Páscoa da Ressurreição, Ascensão e Pentecostes não constituem festas independentes. “Existe íntima relação entre Páscoa da Ressurreição, Ascensão e Pentecostes. Páscoa da Ressurreição é a vitória, Ascensão é o triunfo pela vitória sobre o pecado e a morte, Pentecostes é a distribuição dos dons, do Espírito Santo” (Beckhäuser, 2008).

“Os oito primeiros dias do Tempo pascal formam a oitava da Páscoa e são celebrados como solenidades do Senhor” (NALC, nº 24). Constituem uma unidade, como se fossem um prolongamento do Domingo da Ressurreição.

A grande característica do Tempo Pascal é a alegria pela presença do Cristo ressuscitado. Ela transparece nos cantos, sobretudo no Glória e no Aleluia, no acendimento do Círio pascal, na cor branca ou dourada dos paramentos litúrgicos e no uso de muitas flores na ornamentação.

Entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecostes temos a celebração da Ascensão do Senhor, é celebrada no, no Brasil, no 7º domingo da Páscoa, já que não é feriado na quinta-feira do quadragésimo dia da Páscoa. O que importa é o mistério celebrado e não o número que fixa a data.

Cristo, que veio do Pai, agora retorna para o Pai, subindo glorioso. Ao subir para o Pai nos levou consigo e nos introduziu no seio da vida divina da Trindade Santa. Por isso, a Ascensão do Senhor é a festa da nossa vitória, embora ainda estejamos aqui, como rezamos do dia: “Ó Deus todo-poderoso, a ascensão do vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de seu corpo, somos chamados na esperança a participar da sua glória”.

Com a Ascensão, termina a experiência da celebração da presença visível de Jesus em nosso meio. Começa o tempo da sua presença invisível através do sinal visível do seu corpo, que é a Igreja, animada pelo Espírito Santo.

O Tempo da Páscoa se encerra com a Solenidade de Pentecostes, no qual  celebramos a vinda do Espírito Santo, no quinquagésimo (50°) dia da Páscoa. Daí o nome da Festa: Pentecostes (50 dias depois da Páscoa)

 

14/05/2012

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Estamos na oitava da páscoa, isto é, oito dias que celebramos e vivemos o dia de Páscoa, uma semana em um dia, um dia vivido em uma semana. Em nossa Paróquia estamos nos preparando para a Festa da Divina Misericórdia, que acontece no dia 15 de abri, II Domingo da Páscoa, ou também chamado Domingo da Divina Misericórdia instituído pelo Beato João Paulo II, no ano de 2000, quando da canonização de Santa Faustina Kowalska. Por isso nossa palavra hoje é sobre esta temática, envolvendo também a Páscoa: Mistério pascal: ponto culminante da revelação e atuação da misericórdia.

Disse Jesus aos seus Apóstolos na Ultima Ceia: “fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19 b). O Mistério Pascal - recorda-nos o Papa João Paulo II - é o ponto culminante da revelação e atuação da misericórdia, capaz de justificar o homem, e de restabelecer a justiça como realização do desígnio salvífico que Deus, desde o princípio, tinha querido realizar no homem e, por meio do homem, no mundo, Cristo, ao sofrer, interpela todo e cada homem e não apenas o homem crente. Até o homem que não crê poderá descobrir nele a eloquência da solidariedade com o destino humano, bem como a harmoniosa plenitude da dedicação desinteressada à causa do homem, à verdade e ao amor. 

É bom ter presente que, na Celebração da Eucaristia este Mistério Pascal, que é obra da Misericórdia de Deus para conosco, ele é atualizado cada vez que celebramos o sacrifício da Missa. Participar assiduamente da Eucaristia faz parte da nossa fé, do nosso ser cristão. O Papa Bento XVI nos recordou que, “o Cristianismo e, antes de tudo, dom: Deus se doa a nós – não dá alguma coisa, mas a si mesmo. E isso ocorre não só no início, no momento de nossa conversão. Ele permanece continuamente como Aquele que doa. Sempre, e de novo, Ele nos oferece seus dons. Sempre nos precede. Por isso, o ato central do ser cristão é a Eucaristia: a gratidão por ter sido gratificado, a alegria pela vida nova que Ele nos dá”.

A Eucaristia para os primeiros cristãos também teve o nome de “Fração do pão”, segundo o Papa Bento XVI “partir o pão é um gesto de comunhão, é unir através do partilhar. Deste modo, no próprio gesto já se alude à natureza íntima da Eucaristia: esta é ágape, é amor que se tornou corpóreo. Na palavra "ágape", compenetram-se os significados de Eucaristia e amor. No gesto de Jesus que parte o pão, o amor que se participa alcançou a sua radicalidade extrema: Jesus deixa-se fazer em pedaços como pão vivo. No pão distribuído, reconhecemos o mistério do grão de trigo que morre e assim dá fruto. Reconhecemos a nova multiplicação dos pães, que deriva da morte do grão de trigo e continuará até ao fim do mundo. Ao mesmo tempo vemos que a Eucaristia não pode jamais ser apenas uma ação litúrgica; só está completa, quando a ágape litúrgica se torna amor no dia a dia. No culto cristão, as duas coisas tornam-se uma só: ser cumulados de graça pelo Senhor no ato cultual e o culto do amor para com o próximo.

A última ceia se deu em meio aos conflitos: aproximava-se a hora decisiva de Jesus. Sim, o Senhor prepara-nos a mesa no meio das ameaças deste mundo e dá-nos o cálice sagrado – o cálice da grande alegria, da verdadeira festa, pela qual todos desejamos – o cálice cheio do vinho do seu amor. O cálice significa as bodas: agora chegou a "hora", a que de forma misteriosa Jesus tinha se referido nas  Bodas de Caná. Sim, a Eucaristia é mais do que um banquete, é uma festa de núpcias. E estas núpcias fundam-se na auto doação de Deus até a morte.

A Eucaristia, atualização, memória do Mistério pascal de Cristo é o ápice da misericórdia Divina. Tenhamos amor à santa Missa, sejamos fiéis, assíduos, sobretudo, aos domingos e dias santos de guarda. Façamos nossa páscoa semanal na expectativa da páscoa definitiva na eternidade.

Rezemos com Santa Faustina:

Amor Eterno, chama pura, ardei sem cessar no meu coração e divinizai todo o meu ser de acordo com a Vossa eterna predileção, pela qual me chamastes à existência e convocastes à participação na Vossa felicidade eterna" (Diário, 1523).

 

09/04/2012

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O Sagrado Tríduo Pascal

Na próxima quinta feira, dia 05 de abril, tem início o Sagrado Tríduo Pascal é a maior celebração das comunidades cristãs. A Páscoa é o centro do ano litúrgico, fonte que alimenta a nossa vida de fé. Celebrar o Tríduo Pascal da paixão e ressurreição do Senhor é celebrar a obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus que o Cristo realizou quando, morrendo, destruiu a nossa morte e ressuscitando, renovou a vida.

Na Quinta feira Santa faz-se memória da Eucaristia e do sacerdócio ministerial. De manhã todos os padres da diocese, juntamente com delegações de leigos das paróquias participam da Missa de Consagração dos Santos Óleos, na Catedral Diocesana. Esta Missa presidida pelo Bispo Diocesano, na qual ele abençoa os óleos do Crisma, dos catecúmenos e dos Enfermos. Estes óleos serão usados durante o ano nas celebrações da Crisma, das ordenações sacerdotais e episcopais, no Batismo e na Unção dos enfermos, respectivamente. Nesta Missa também os padres renovam, diante do Bispo e do Povo de Deus, os seus compromissos sacerdotais, assumidos no dia da ordenação.

Na tarde (noite) da Quinta-Feira Santa tem efetivo início o Tríduo pascal, com a memória da Última Ceia, durante a qual Jesus instituiu o Memorial da sua Páscoa, cumprindo o rito pascal judaico. Jesus pronunciando a bênção sobre o pão e o vinho, Ele antecipa o sacrifício da cruz e manifesta a intenção de perpetuar a sua presença no meio dos discípulos: sob as espécies do pão e do vinho, Ele torna-se presente de modo real com o seu corpo oferecido e com o seu sangue derramado. Durante a Última Ceia, os Apóstolos são constituídos ministros deste Sacramento de salvação; Jesus lava-lhes os pés (cf. Jo 13, 1-25), convidando-os a amarem-se uns aos outros como Ele os amou, dando a vida por eles. Repetindo este gesto na Liturgia, também nós somos chamados a testemunhar com os fatos o amor do nosso Redentor.

A Quinta-Feira Santa é encerrada com a adoração eucarística, na recordação da agonia do Senhor no Jardim do Getsémani. Esta adoração deve nos levar a acolher também a exortação de Jesus aos discípulos: permanecei aqui e vigiai; e este apelo à vigilância diz respeito precisamente a este momento de angústia, de ameaça, na qual chegará o momento traiçoeiro, mas diz respeito a toda a história da Igreja. É uma mensagem permanente para todos os tempos, porque a sonolência dos discípulos não era só um problema daquele momento, mas é o problema de toda a história. A questão reside no que consiste esta sonolência, em que consistiria a vigilância à qual o Senhor nos convida.

A adoração noturna da Quinta-Feira Santa, o estar vigilantes com o Senhor, deveria ser precisamente o momento para nos fazer refletir acerca da sonolência dos discípulos, dos defensores de Jesus, dos apóstolos, de nós, que não vemos, não queremos ver toda a força do mal, e que não queremos entrar na sua paixão pelo bem, pela presença de Deus no mundo, por amor ao próximo e a Deus.

A propósito, a Quaresma termina com a celebração da Missa da Ceia do Senhor.

Na sexta feira Santa é dia de jejum, abstinência, recolhimento, silêncio, em memória à morte do Senhor na Cruz.

Ensina-nos o papa Bento XVI: “Na Sexta-feira Santa fazemos memória da paixão e da morte do Senhor; adoraremos Cristo Crucificado, participaremos dos seus sofrimentos com a penitência e com o jejum. Dirigindo «o olhar para aquele que trespassaram» (cf. Jo 19, 37), poderíamos haurir do seu coração dilacerado que efunde sangue e água como de uma nascente; daquele coração, do qual brota o amor de Deus por todos os homens, recebemos o seu Espírito. Por conseguinte, acompanhemos também nós na Sexta-feira Santa Jesus que sobe ao Calvário, deixemo-nos guiar por Ele até a cruz, recebamos a oferenda do seu corpo imolado...

Por fim, na noite do Sábado Santo, celebraremos a solene Vigília Pascal, na qual nos é anunciada a ressurreição de Cristo, a sua vitória definitiva sobre a morte que nos interpela a ser n'Ele homens novos. Participando nesta santa Vigília, a Noite central de todo o Ano Litúrgico, faremos memória do nosso batismo, no qual também nós fomos sepultados com Cristo, para poder ressuscitar com Ele e participar no banquete do céu (cf. Ap 19, 7-9)” [Audiência Geral, 20/04/2011].

Celebremos com entusiasmo estes dias do Sagrado Tríduo Pascal, e aprendamos de Jesus a grande lição da obediência a Deus e do amor ao próximo, porque “ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15,13)

 

Feliz Páscoa para todos!

03/04/2012

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"Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos" (Jl 2, 12).

Com estas palavras inicia a Primeira Leitura, tirada do livro do profeta Joel. Os sofrimentos, as calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. De fato, recorda o profeta, ele "é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia e se compadece da desgraça" (2,13). O convite que Joel dirige aos seus ouvintes também é válido para nós. Não hesitemos em reencontrar a amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor experimentamos a alegria do seu perdão. Proclamando o Salmo 50 (51), o grande Salmo penitencial, apelamo-nos à misericórdia divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos.

Com este espírito, iniciamos na quarta feira de Cinzas o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo na Segunda Leitura da missa de Quarta feira de Cinzas: "Na qualidade de colaboradores seus, exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz:

"Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação". Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação (2Cor 6,1-2), para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através d'Ele seja oferecida ao pecador, isto é a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.

"Aquele que não havia conhecido o pecado diz ele Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus" (2Cor 5, 21). Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: "Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus"; e ainda: "Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação" (5,20; 6, 2). Enquanto Joel falava do futuro dia do Senhor como de um dia de terrível juízo, São Paulo, referindo-se às palavras do profeta Isaías, fala de "momento favorável", de "dia da salvação". O futuro dia do Senhor tornou-se o "hoje". O dia terrível transformou-se na Cruz e na Ressurreição de Cristo, no dia da salvação. . O apelo à conversão, à penitência ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.

A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim na conversão do coração a Deus a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas, que daqui a pouco renovaremos. Rito que assume um dúplice significado: o primeiro relativo à mudança interior, à conversão e à penitência, enquanto o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das duas fórmulas diversas que acompanham o gesto.

Temos quarenta dias para aprofundar esta extraordinária experiência ascética e espiritual. No Evangelho que foi proclamado, Jesus indica quais são os instrumentos úteis para realizar a autêntica renovação interior e comunitária: as obras de caridade (a esmola), a oração e a penitência (o jejum). São as três práticas fundamentais queridas também à tradição hebraica, porque contribuem para purificar o homem aos olhos de Deus (cf. Mt 6, 1-6.16-18). Estes gestos exteriores, que devem ser realizados para agradar a Deus e não para obter a aprovação e o consenso dos homens, são por Ele aceites se expressam a determinação do coração a servi-lo, com simplicidade e generosidade. Recorda-nos isto também um dos Prefácios quaresmais onde, em relação ao jejum, lemos esta singular expressão: "com o jejum elevas o espírito" (Prefácio IV).

No Brasil neste tempo da quaresma vivemos e refletimos sobre a Campanha da Fraternidade, uma experiência que é feita desde 1964. Neste ano a campanha da Fraternidade tem como tema: "Fraternidade Saúde Pública" e o lema "Que a saúde se difunda sobre a terra" (Eclo 38, 8).

O objetivo Geral da Campanha da fraternidade neste ano é: "Refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar por melhoria no sistema público de saúde.
Os Objetivos Específicos, são:

· Disseminar o conceito de bem viver e sensibilizar para a prática de hábitos de vida saudável, em detrimento dos que comprometem a boa saúde.

· Sensibilizar as pessoas para o serviço aos enfermos, o suprimento de suas necessidades e integração na comunidade. Organizar este serviço nas comunidades que ainda não despertaram para esta exigência evangélica;

· Alertar para a importância da organização da Pastoral da Saúde nas comunidades: criar onde não existe, fortalecer onde está incipiente e dinamizá-la onde ela já existe.

· Difundir dados sobre a realidade da saúde no Brasil e seus desafios, bem como sua estreita relação com os aspectos socioculturais de nossa sociedade;

· Despertar, nas comunidades, a discussão sobre a realidade da saúde pública, levá-las ao acompanhamento da prática da cidadania no trato da causa pública e à exigência de qualificação dos gestores da área da saúde;

· Estimular e fortalecer a mobilização popular em defesa do SUS e de seu justo financiamento, orientando a comunidade sobre seus direitos e deveres em relação ao sistema de saúde como a participação nos espaços de controle, fiscalização e deliberação das políticas públicas de saúde.

Rezemos a Oração da Campanha da Fraternidade de 2012:

Senhor Deus de amor,
Pai de bondade,
nós vos louvamos e agradecemos
pelo dom da vida,
pelo amor com que cuidais de toda a criação.

Vosso Filho Jesus Cristo,
em sua misericórdia, assumiu a cruz dos enfermos
e de todos os sofredores,
sobre eles derramou a esperança de vida em plenitude.

Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito.
Guiai a vossa Igreja, para que ela, pela conversão
se faça sempre mais, solidária às dores e enfermidades do povo,
e que a saúde se difunda sobre a terra.

Amém.

22/02/2012

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Dia 06 de fevereiro, completo 24 anos de sacerdócio e quis promover em nossa paróquia um Ano Vocacional, em preparação ao meu Jubileu de Prata sacerdotal no sentido de fazer despertar em toda a comunidade a dimensão vocacional. Despertar as pastorais, os movimentos, serviços e associações para a responsabilidade para com as vocações, sobretudo para com as vocações sacerdotais e religiosas. Oferecer aos jovens e às jovens uma oportunidade de refletir sobre a vocação, o chamado que Deus faz a cada um, para uma missão na Igreja e no mundo.

Esperamos que este ano, que se prolongará até o dia 06 de fevereiro de 2013, quando celebro o meu Jubileu de Prata sacerdotal, possa fazer de nossa comunidade Paroquial uma comunidade vocacionista, que chama, que interpela a todos nos sentido de, a partir do Batismo, fonte de todas as vocações, para escutar o Senhor que chama e responder-lhe com disponibilidade, amor e coragem.

Gostaria de deixar claro o seguinte: A celebração dos meus 25 anos de sacerdócio tem como objetivos:

1. Agradecer a Deus pelo meu ministério sacerdotal, pela bondade e misericórdia do Senhor me chamou pelo nome e me conservou até hoje, apesar de minhas fraquezas.

2. Rezar por todos aqueles que participaram e participam desta página de minha história.

3. Renovar o meu "sim" ao chamado de Deus e, apesar dos anos já vividos, procurar renovar as forças para continuar servindo.

4. Promover uma grande missão vocacional para despertar em outros jovens o desejo de servir a Deus no ministério sacerdotal, bem como despertar também outras vocações para Igreja.

Assim, esta celebração não será para engrandecimento de minha pessoa, mas do sacerdócio de Cristo que recebi e represento, pois somente "a ele toda honra e toda glória pelos séculos", pois é "pela graça de Deus sou o que sou" (1Cor 15,10).

 

06/02/2012

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De Saulo de Trso, perseguidor a Paulo, Apóstolo de Jesus Cristo

 

"Eu persegui de morte essa doutrina, prendendo e metendo em cárceres homens e mulheres" (At 22,4).

Com estas palavras Saulo de Tarso fala do seu passado de perseguidor da Igreja, uma perseguição que o próprio Senhor Ressuscitado quando se lhe apareceu pergunta-lhe: "Saulo, Saulo, por que me persegues?" (At 22,7b), deixando claro que perseguir os cristãos, os seguidores de Cristo, a Igreja, enfim, é perseguir o próprio Senhor.

Paulo foi conquistado por Cristo quando sua fúria chegou ao máximo (At 9,1-2); perseguia a Igreja "com zelo" (Fl 3,6), e foi merecedor da graça porque atuou por ignorância porque agia de boa fé (1Tm 1,13), segundo acreditava.

Sua conversão se deu por causa de sua fé em Cristo, o qual ele viu no caminho de Damasco, segundo o testemunho dos Atos dos Apóstolos e das cartas.

Depois de sua conversão, de seu batismo e de sua cura milagrosa, Paulo começou a pregar aos judeus e depois levou o evangelho aos pagãos, ao mundo.

No dia 25 de janeiro celebra-se na Igreja a Festa da Conversão de São Paulo. Na sua homilia do dia 25 de janeiro de 2008, o papa Bento XVI disse: "A festa da Conversão de São Paulo coloca-nos de novo na presença deste grande Apóstolo, escolhido por Deus para ser a sua "testemunha diante de todos os homens" (At 22, 15). Para Saulo de Tarso, o momento do encontro com Cristo ressuscitado no caminho de Damasco marcou a mudança decisiva da vida. Realizou-se então a sua completa transformação, uma verdadeira conversão espiritual. Num momento, por intervenção divina, o cruel perseguidor da Igreja de Deus ficou cego, oscilando na escuridão, mas levando já no coração uma grande luz que o teria guiado, dali a pouco, para ser um fervoroso apóstolo do Evangelho...

A consciência de que só a graça divina tinha podido realizar tal conversão nunca abandonou Paulo. Quando já tinha dado o melhor de si, consagrando-se incansavelmente à pregação do Evangelho, escreveu com renovado fervor: "tenho trabalhado mais do que todos eles; não eu, mas a graça de Deus, que está comigo" (1 Cor 15, 10). Incansável como se a obra da missão dependesse totalmente dos seus esforços, São Paulo foi, contudo sempre animado pela profunda persuasão de que a sua força provinha da graça de Deus que agia nele".

São Paulo, Apóstolo é o patrono do Movimento de Cursilhos de Cristandade, movimento que surgiu na Espanha nas décadas de 1930-1940.

Coube a iniciativa à Juventude da Ação Católica Espanhola (JACE) da Diocese de Palma de Maiorca (Ilha de Maiorca, Espanha), encorajada por seus assistentes eclesiásticos e por seu Bispo, D. Juan Hervás. No Brasil ele foi implantado em 1962, sendo o primeiro Cursilho de Cristandade em nosso País, realizado em Valinhos (São Paulo). Portanto, o movimento completa 50 anos de existência no Brasil. Na nossa Diocese ele foi implantado no ano de 1971, há 40 anos, quando era bispo Diocesano o saudoso Dom Antônio Carlos Mesquita, que muito apoiou o movimento durante o seu pastoreio. Depois grande força recebeu também o movimento de seu sucessor, Dom Francisco barroso Filho.

Valho-me da oportunidade para recordar alguns pontos aos nossos queridos cursilistas, jovens e casais, segundo o que entendo do movimento, depois de fazer o 27º Cursilho da Diocese de Oliveira. Um primeiro lembrete é que a palavra "cursilho" é uma palavra de origem espanhola e quer dizer "pequeno curso", ou "breve curso". Assim, fazemos um curso para aplicá-lo, para colocar em prática nossos conhecimentos que obtivemos neste curso, ora, o objetivo o eixo central do cursilho de cristandade é o anúncio alegre do evangelho através de uma vivência testemunhal nos ambientes. Por isso o cursilista não pode se contentar com as reuniões mensais, que são, do meu ponto de vista, uma forma de crescimento na fé, para o anúncio explícito do Evangelho, para a ação pastoral na comunidade. Não se pode conceber um cursilista que não participa semanalmente, senão diariamente da Eucaristia, que não se aproxima, ao menos uma vez por ano do Sacramento da penitência... Portanto, ser cursilista não se encerra em participar dos grupos e trabalhar vez por outra nos cursilhos. Ser cursilista é ser cristão atuante, alimentado-se da Palavra de Deus rezada e meditada pessoalmente, e refletida nos grupos. Nossas Pastorais estão carentes de agentes! Onde estão os milhares de cursilistas de nossa diocese?

Aqui recordo aos nossos leitores e, sobretudo aos cursilistas as palavras do Beato João Paulo na Ultreya Jubilar do Movimento de Cursilhos de Cristandade, em 29 de Julho de 2000, em Roma: "Jesus, a quem abristes com generosidade os vossos corações, pede-vos que proclameis incansavelmente o seu nome àqueles que ainda não O conhecem. Ele chama-vos ao seu serviço, ao serviço da Verdade que nos liberta.

Quanto mais transparente esta "diaconia" (serviço) da verdade" se tornar nas vossas vidas quotidianas, tanto mais convincente ela será. Como vo-los recorda uma oração a que frequentemente se reza no Movimento dos Cursilhos, "Cristo não tem mãos, pois só dispõe das nossas mãos para transformar o mundo de hoje. Cristo não tem pés, pois só possui os nossos pés para orientar o mundo rumo a Ele. Cristo não tem lábios, pois só dispõe dos nossos lábios para falar ao homem".

Este é o vosso apostolado. Levai-o a cabo em constante sintonia eclesial, para que assim se manifeste a "força da comunhão", que é o estilo e contemporaneamente o conteúdo mesmo da missão do Povo de Deus. Diante das várias formas de individualismo, que fragmentam e dispersam a capacidade e os recursos evangelizadores, reuni os vossos esforços missionários aos das multíplices agremiações eclesiais suscitadas pelo Espírito na Igreja do nosso tempo (grifo meu). Esforçai-vos para que volte a sobressair a beleza das primeiras comunidades cristãs, que levavam os pagãos a reconhecerem com admiração: "Vede como se amam!". E sede sempre dóceis às indicações do Magistério. Com efeito, nenhum carisma dispensa da referência e da submissão aos Pastores da Igreja, cujo discernimento é uma garantia de fidelidade ao próprio carisma. A presente celebração jubilar suscite em todos vós uma renovada fidelidade à vossa inspiração original e uma comunhão eclesial mais firme" (n. 3-4).

E com ele repito aos nossos cursilistas: "Coragem! Ultreya! Avante!".

Valha-nos nesta missão a poderosa intercessão da Virgem Maria, Mãe de Cristo e Mãe da igreja e de São Paulo Apóstolo, a quem invocamos com esta oração:

Glorioso São Paulo,

Apóstolo cheio de zelo, mártir por amor a Cristo, dai-nos uma fé profunda, uma esperança sem queda, um amor ardente pelo Senhor para que possamos dizer convosco: 'já não sou eu quem vive, mas é Cristo quem vive em mim'.

Ajudai-nos a nos convertermos em apóstolos que servem a Igreja com uma consciência pura, testemunhas de sua verdade e de sua beleza em meio à escuridão de nosso tempo.

Convosco louvamos a Deus, nosso Pai.

'A ele a glória, na Igreja e em Cristo pelos séculos dos séculos'.

Amém.

 

23/01/2012

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"É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca" (Dom Hélder Câmara).

Terminamos um ano e começamos 2012. Neste espaço aqui de nossa página que aproveitar para agradecer a todos quantos no ano de 2011 desde a minha posse aqui na Paróquia ajudaram na caminhada da comunidade, caminhada em três frentes importantes, a saber: Espiritual, pastoral e material. Não pudemos realizar muita coisa, pois este período foi de conhecimento e de adaptação.
Agradecemos aos agentes de pastoral, os membros dos diversos movimentos, serviços e associações que com alegria, disponibilidade e amor ao Evangelho ajudaram na caminhada espiritual e pastoral. Que neste novo ano possamos continuar caminhando juntos a serviço do Evangelho e do Reino de Deus, a serviço da Igreja, fazendo também um apelo a todos quantos estão à margem, afastados da Ação Pastoral Paroquial que procurem dar também o seu "sim", vivendo desta maneira o seu Batismo, pelo qual todos nos tornamos sacerdotes, profetas e pastores. A fé se vive na comunidade.

Neste sentido recorda-nos o Papa Bento XVI: "A renovação da Igreja se realiza também através do testemunho prestado pela vida dos crentes: de fato, os cristãos são chamados a fazer brilhar, com a sua própria vida no mundo, a Palavra de verdade que o Senhor Jesus nos deixou. O próprio Concílio, na Constituição dogmática Lumen gentium, sobre a Igreja, afirma: "Enquanto Cristo "santo, inocente, imaculado" (Hb 7, 26), não conheceu o pecado (cf. 2 Cor 5, 21), mas veio apenas expiar os pecados do povo (cf. Hb 2, 17), a Igreja, contendo pecadores no seu próprio seio, simultaneamente santa e sempre necessitada de purificação, exercita continuamente a penitência e a renovação. A Igreja "prossegue a sua peregrinação no meio das perseguições do mundo e das consolações de Deus", anunciando a cruz e a morte do Senhor até que Ele venha (cf. 1 Cor 11, 26). Mas é robustecida pela força do Senhor ressuscitado, de modo a vencer, pela paciência e pela caridade, as suas aflições e dificuldades tanto internas como externas, e a revelar, velada, mas fielmente, o seu mistério, até que por fim se manifeste em plena luz"" (Carta Apostólica Porta Fidei, 6). Assim, não podemos nos desanimar diante das dificuldades, o Senhor sempre nos convida "a avançar para águas mais profundas" (cf. Lc 5,4), e nos garante: "Eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos" (MT 28,20).

A nossa gratidão a todos os nossos irmãos e irmãs dizimistas que se mantiveram fiéis na sua oferta do dízimo, agradecemos aos nossos paroquianos que tiveram condições e efetivamente ajudaram com suas ofertas extras para as obras de construção da Matriz. A nossa gratidão, sobretudo a aquelas pessoas que, não pertencendo à nossa comunidade paroquial que tem nos ajudado. Muitas destas pessoas nem são campobelenses, são nossos amigos e compreendem a importância de colaborar na construção de uma igreja. Neste aspecto esperamos poder contar ainda com estas valiosas colaborações, até que concluamos a esta obra para a glória de Deus e honra da Virgem do Carmo.

 

01/01/2012

Pe. Donizete Antônio de Souza – Pároco

 

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