Mensagem do Padre Donizete Antonio de Souza no final da concelebração eucarística pelos 70 anos de instalação da Diocese de Oliveira – Catedral Nossa Senhora de Oliveira – 19 de agosto de 2012

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Quis a Comissão Diocesana de Pastoral, com o aval do senhor Bispo Diocesano, escolher-me para representar o Clero neste momento para uma mensagem. Agradeço-lhes a distinção e reconheço, no entanto, não ser o mais apto para isto.

Cumprimos mais uma etapa, não um ponto de chegada, mas um chamado a recomeçar, Fomos conclamados, ao ser criada esta Igreja Particular, a “dar muitos frutos”, esta exortação permanece atual no hoje de nossa história ao completar 70 anos de instalação. “A missão evangelizadora -, como bem nos recordou o Beato João Paulo II na Encíclica ‘Redemptoris Missio’ - está ainda bem longe do seu pleno cumprimento. No termo do segundo milênio, após a Sua vinda, uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e que devemos nos empenhar com todas as forças no seu serviço...” (cf. RM, 1).

A este compromisso de empenho na obra evangelizadora nos convocou o Papa Bento XVI ao proclamar o Ano da Fé: que, segundo ele, “será uma ocasião propícia para introduzir o complexo eclesial inteiro num tempo de particular reflexão e redescoberta da fé” (Cf. Carta Apostólica “Porta Fidei”, 4).  Neste mesmo caminho quis também o Papa propor como tema para a próxima Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos, a se realizar em outubro, próximo, “A Nova Evangelização para a transmissão da fé cristã”, que como bem recordou Dom Nikola Eterovic, Secretário Geral do Sínodo dos Bispos: “Deixando-se vivificar pelo Espírito Santo, os cristãos serão mais sensíveis a tantos irmãos e irmãs que, embora sendo batizados, se afastaram da Igreja e da prática cristã. A eles, de modo particular, se querem dirigir com a nova evangelização, para lhes fazer redescobrir a beleza da fé cristã e a alegria do encontro pessoal com Senhor Jesus, na Igreja, comunidade dos fiéis...” (Prefácio do Instrumentum Laboris do Sínodo dos Bispos de 2012.).

Creio ser este o momento que o Senhor nos oferece, como Igreja Diocesana, para nos empenharmos num caminho de novo vigor apostólico. Um chamado que não se restringe ao Bispo, aos padres, mas é um chamado dirigido a cada batizado, a cada cristão, como bem afirmou Bento XVI na Homilia no início do ministério petrino do Bispo de Roma, “A Igreja no seu conjunto, e os Pastores nela, como Cristo devem pôr-se a caminho para conduzir os homens fora do deserto, para lugares da vida, da amizade com o Filho de Deus, para Aquele que dá a vida, a vida em plenitude” (24 de Abril de 2005):

Assim, nós que trilhamos o caminho atual da história temos este desafio pela frente de não esmorecermos no anúncio do Evangelho; de buscar a nos revestirmos de novo ardor missionário de “não permitirmos – como nos exorta o Papa Bento XVI – que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Também o homem contemporâneo pode sentir de novo a necessidade de ir como a samaritana ao poço, para ouvir Jesus que convida a crer n’Ele e a beber na sua fonte, donde jorra água viva (cf. Jo 4, 14). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De fato, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: ‘Trabalhai, não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna’ (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: ‘Que devemos fazer para realizar as obras de Deus?’ (Jo 6, 2). Conhecemos a resposta de Jesus: ‘a obra de Deus é esta: crer n’Aquele que Ele enviou’ (Jo 6, 29). Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação (cf. Carta Apostólica Porta Fidei, 3).

            O mandato missionário nos introduz no terceiro milênio, convidando-nos a ter o mesmo entusiasmo dos cristãos da primeira hora; podemos contar com a força do mesmo Espírito que foi derramado no Pentecostes e que nos impele hoje a partir de novo sustentados pela esperança que ‘não decepciona’ (Rm 5,5), exortou-nos o Beato João Paulo, na Carta Apostólica “Novo Milenio Ineute” (cf. TMI, 58),

Não posso deixar de fazer aqui memória de todos quantos ao longo destes 70 anos trabalharam incansavelmente para que hoje pudéssemos colher os frutos. Sabemos das dificuldades daqueles primeiros que se encarregaram de lançar as sementes nesta “lavoura de Deus” (cf. 1Cor 3,9), que colocaram os primeiros alicerces deste “edifício espiritual” (cf. idem), que cuidaram de remover os obstáculos para que esta porção do Povo de Deus pudesse fazer a sua caminhada pastoral, administrativa e, sobretudo espiritual. Neste leque de protagonistas figuram os primeiros bispos, os primeiros sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos e leigas. Reservo-me, no entanto, o direito de não citar nomes para não cometer injustiça, porque nestes momentos a memória nos trai, mas tenho a certeza de que seus nomes estão em nossos corações e em nossas mentes, mas, sobretudo, estão no coração de Deus, estão “escritos no céu” (cf. Lc 10,20).

Neste dia de ação de graças deve ressoar em nossos ouvidos e em nossos corações a palavra de Jesus aos Apóstolos à margem do Lago de Genesaré: "Fazei-vos ao largo e lançai as redes" (Lc 5, 4), e façamo-lo na certeza de sua presença e de sua graça atuantes na Igreja, não obstante nossas falhas e limitações.

Ao nos propormos colocar sempre de novo no caminho árduo e gratificante do anúncio do Reino de Deus, nesta Igreja Particular, imploramos ao Senhor que, como aos discípulos de Emaús, faça arder de entusiasmo e novo ardor nosso coração, pela escuta atenta de sua Palavra, alimente-nos e nos sustente com o Pão da Vida e que não permita que nos acomodemos à experiência pessoal que fazemos Dele, mas tomemos consciência daquilo que nos disseram os Bispos em Aparecida, que, Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher” (D. Ap., 18), para que, assim, seguirmos em frente sempre com esperança.

E que nos acompanhe o Senhor com a luz e a força do seu Espírito; “e possamos imitar e contar sempre com a poderosa intercessão de nossos padroeiros, a Senhora de Oliveira, o seu castíssimo esposo São José e o Glorioso Mártir São Sebastião” (Cf. Oração pelos 70 Anos de instalação da Diocese de Oliveira). Amém!

Obrigado!

 

 

 

 

 

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