Homilia: Missa de aniversário de ordenação

 

ACONTECIMENTOS

 

No dia 06 de fevereiro, próximo passado, comemorou 24 anos de ordenação sacerdotal, a data foi recordada com a Celebração de uma Missa em Ação de Graças, na qual teve a participação de centena de fiéis da paróquia, das paróquias Senhor Bom Jesus, Nossa Senhora das Mercês e da paróquia Nossa Senhora Aparecida (santuário), de Oliveira. Concelebraram com o Pe. Donizete os padres: José Arimatéia, pároco de Nossa Senhora das Mercês, em campo Belo, Pe. Sebastião Israel, Capelão da Vila Vicentina e Vigário paroquial de Nossa Senhora das Mercês, em campo belo e o Eleoni, sacerdote da Ordem de Santa Cruz (Colégio Dom Cabral).

No final da celebração Pe. Donizete anunciou a abertura do Ano Vocacional Paroquial. Publicamos a seguir a homilia e o anúncio de abertura do Ano Vocacional Paroquial, feitos pelo Pe. Donizete. Após o anuncio um grupo de jovem fez e a coreografia da Música: “No amor eu te gerei”

 

HOMILIA – MISSA DE ANIVERSÁRIO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL DO PADRE DONIZETE E ABERTURA DO ANO VOCACIONAL PAROQUIAL – 06/02 /2012

 

“Eu te chamei pelo nome, tu és meu” (Is 43,1).

Vocação, Iniciativa amorosa de Deus.

 

Iniciamos hoje, com esta Celebração de Ação de Graças pelos meus 24 anos de vida sacerdotal, o Ano Vocacional Paroquial, em preparação ao meu Jubileu de Prata Sacerdotal, que se dará em 06 de fevereiro de 2013. Dentro da programação de reflexões mensais até o mês de outubro deste ano a temática é a Vocação, isto é, o chamado que Deus faz a cada um de nós para assumirmos uma missão na Igreja e no mundo, cada um segundo o estado de vida ao qual se sente chamado pelo Senhor.

Neste processo de chamamento não podemos nos esquecer que a iniciativa é sempre de Deus, que nos chama, nos escolhe e nos envia, apesar de nossas limitações, de nossas fragilidades. Não importa a que somos chamados, porém é preciso contar sempre com a graça de Deus e ter a plena consciência de que “este tesouro”, isto é, este ministério, esta tarefa, este serviço “nos o trazemos em vasos de barro”, isto para que, como nos diz São Paulo, este incomparável poder seja de Deus e não de nós” (cf. 2Cor 4,7).

Como expus na Reunião do Conselho Paroquial de Pastoral estas celebrações não têm o objetivo de engrandecer a minha pessoa, visto que, por mim mesmo eu nada sou, pois “sou o que sou pela graça de Deus” (1Cor 15,10). A motivação para celebrar o meu Jubileu de Prata Sacerdotal foi o desejo, sobretudo, de realizar este Ano Vocacional, ano de reflexão, de tomada de consciência da nossa responsabilidade para com as vocações na Igreja, como bem nos ensina o Concílio vaticano II no Decreto Optatam Totius, sobre a formação sacerdotal: “O dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã,...” (n. 2).

O que nos motiva celebrar este ano dedicado às vocações é aquele mesmo olhar de compaixão de Jesus que ao ver a multidão como ovelhas sem pastor “disse então, aos seus discípulos: A messe é grande, mas os operários são poucos. Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe (Mt 9,37-38).

Num mundo em que os valores cristãos, os valores do Evangelho são cada vez mais tratados com indiferença e até mesmo rechaçados, como nos recorda o Documento de estudo em preparação à próxima Assembléia Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a Nova Evangelização, quando afirma: Vivemos numa época de profunda secularização, que perdeu a capacidade de ouvir e compreender as palavras do Evangelho como uma mensagem viva e revigorante. A secularização, enraizada de modo particular no mundo ocidental,...” Neste cenário, é preciso homens e mulheres dispostos a anunciar com coragem, mansidão e coerência o Evangelho, homens e mulheres que, tenham a consciência de que “a fé é um dom que nos é dado para que seja dividido; é um talento recebido para poder dar frutos; é uma luz que não deve ser escondida, mas deve iluminar toda a casa; é o dom mais importante que nos foi dado para nossa existência e não podemos guardá-lo para nós mesmos” (Bento XVI, Mensagem para o Dia Mundial Missionário, 2012). “É impossível encontrar Cristo, e não dá-lo a conhecer aos outros” (Bento XVI, Homilia no encerramento da JMJ de 2011, Madri, Espanha).

Neste contexto, cabe aqui uma palavra especial aos jovens e às jovens no sentido de recordar-lhes que é bela a vocação, o chamado ao Sacerdócio e à Vida Consagrada, recordar-lhes que o Sacerdócio e a Vida Consagrada são também formas concretas de realização pessoal; que a consagração total ao Senhor e ao seu Evangelho traz muita alegria, não sem incompreensões e, às vezes, perseguições, mas foi Jesus mesmo quem nos garantiu: “Em verdade vos digo: todo aquele que deixa casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos e campos, por causa de mim e do Evangelho, recebe cem vezes mais agora, durante esta vida — casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições — e, no mundo futuro, vida eterna” (Mc 10,29). Assim, Jesus não nos engana, não nos garante uma vida fácil, sem dificuldades, sem tribulações e sem perseguições, mas nos garante: “No mundo tereis tribulação, mas tende coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,13).

É belo ser sacerdote, é bela a vocação sacerdotal, mesmo sabendo que o nosso chamado se deu sem mérito algum de nossa parte e que agora, mesmo não conseguindo fazer tudo como nos pede o Senhor conforta-nos a palavra de São Leão Magno, Papa, no seu Sermão III de Natal: “Se nos sentimos fracos e lentos no cumprimento das obrigações do nosso cargo, quando desejamos proceder com entusiasmo e coragem, somos impedidos pela fragilidade de nossa condição, gozamos, porém, da incessante proteção do onipotente e eterno Sacerdote que, semelhante a nós e igual ao Pai, fez a divindade descer até a nossa condição humana, elevando o homem à condição divina. Alegramo-nos, então, com a justiça e a santidade pelo que ele estabeleceu: embora tendo delegado a muitos pastores o cuidado de suas ovelhas, nunca abandonou ele próprio a guarda do seu rebanho” (Sermo 3 de Natali ipsius, 2-3: PL 54, 145-146, apud. Liturgia das Horas, Comum dos Pastores). Sim, através dos pastores colocados hoje à frente das comunidades, é o Senhor mesmo que conduz o seu povo. Conforta-nos saber que é Cristo, o Bom pastor, que age através de nós e que por isso, “nós nos apresentamos como vossos servo por causa de Cristo Jesus, Senhor” (2Cor, 45).

Sou feliz por ser sacerdote e, talvez não  seja mais não por causa do Senhor, ou por causa das incompreensões e perseguições, mas por causa de minhas muitas limitações que me levam às vezes a fazer o que não quero, o que não desejo, o que detesto, contrariando Aquele que me chamou pelo nome e que me disse tu és meu (cf. Is 43,1). Nestes momentos sinto a mesma inquietação de São Paulo que disse: “não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero” (Rm 7,19).

Por isso, esta celebração é também uma oportunidade de pedir perdão a Deus e à Igreja pelo bem que não fiz, pelo mal que pratiquei nestes 24 anos de sacerdócio.

Hoje confirmo o meu “sim” a Deus que me chamou “pelo nome” (cf. Is 43,1) e à Igreja que me escolheu para o Ministério Sacerdotal.

Termino com os versos desta de uma canção:

 

- Um dia escutei teu chamado, divino recado, batendo no coração. Deixei desta vida as promessas e fui bem depressa no rumo da tua mão!

- Tu és a razão da jornada, tu és minha estrada, meu guia e meu fim. No grito que vem do meu povo te escuto de novo/ chamando por mim.

- Os anos passaram ligeiro/ me fiz um obreiro no reino de paz e amor. Nos mares do mundo navego e às redes me entrego, tornei-me teu pescador.

- Embora tão fraco e pequeno, caminho sereno com a força que vem de ti.  A cada momento que passa revivo esta graça de ser teu sinal aqui.

 

Aberto o ano vocacional paroquial

  

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 “É preciso que cada Igreja local se torne cada vez mais sensível e atenta à Pastoral Vocacional, educando a nível familiar, paroquial e associativo, sobretudo os adolescentes e os jovens – como Jesus fez com os discípulos – para amadurecer uma amizade genuína e afetuosa com o Senhor, cultivada na oração pessoal e litúrgica; para aprenderem a escuta atenta e frutuosa da Palavra de Deus, através de uma familiaridade crescente com as Sagradas Escrituras; para compreenderem que entrar na vontade de Deus não aniquila nem destrói a pessoa, mas permite descobrir e seguir a verdade mais profunda de si mesmos; para viverem a gratuidade e a fraternidade nas relações com os outros, porque só abrindo-se ao amor de Deus é que se encontra a verdadeira alegria e a plena realização das próprias aspirações. "Propor as vocações na Igreja local" significa ter a coragem de indicar, através de uma pastoral vocacional atenta e adequada, este caminho exigente do seguimento de Cristo, que, rico de sentido, é capaz de envolver toda a vida” (Bento XVI, Mensagem para o 48º Dia Mundial de Oração pelas vocações).

Motivado por esta exortação do Santo Padre o Papa Bento XVI, na sua Mensagem para o 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, decidi, em preparação ao meu Jubileu de Prata Sacerdotal, promover em nível paroquial um Ano Vocacional com objetivo de Promover uma grande missão vocacional para despertar em outros jovens o desejo de servir a Deus no ministério sacerdotal, bem como despertar também outras vocações para Igreja e propor a toda comunidade paroquial, as famílias, aos movimentos, serviços e associações de criar uma cultura vocacional, ou seja, constituirmos uma comunidade vocacionista, uma comunidade que se torne instrumento do Senhor da Messe para propor a todos os desafios de trabalhar no projeto do Reino de Deus.

Vale recordar o que nos ensina João Paulo II “Em se tratando de animação vocacional, temos de ter ciência que toda Igreja deve ser animadora das vocações, pois animar as pessoas para um despertar vocacional não é algo secundário, mas sim uma dimensão prioritária e essencial de toda Igreja, ou seja, é missão da Igreja dar vida e sentido àqueles são chamados”. (João Paulo II, Pastores Dabo Vobis, 34).

Desta forma, declaro aberto o Ano Vocacional.

 

Campo Belo, 06 de fevereiro de 2012

 

 

 

 

 

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