Palavra do Pároco

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"Aquele que no seio do Pai precedeu todos os espaços dos séculos é o mesmo que nascendo de uma mãe entra hoje no correr dos anos. É feito homem o autor do homem, para ser alimentado no peito o que governa os astros; para que o Pão tivesse fome, para que a Fonte tivesse sede, para que a Luz dormisse, para que o Caminho se cansasse ao caminhar..." (Santo Agostinho)

Este é o grande mistério do Natal, diferente do que pensam e agem os homens secularizados e consumistas de nosso tempo. O Natal é o mistério d"Aquele que sendo Deus quis fazer-se homem para nos indicar o caminho do verdadeiro ser humano, que se tornou a medida de todo homem. A nós que celebramos este mistério devemos buscar a cada dia "alcançarmos a estatura do homem perfeito, a medida da estatura da medida e da plenitude de Cristo" (Ef 4, 13b).
O Natal como disse padre Pietro Messa, Presidente da Escola Superior de Estudos Medievais e Franciscanos da Pontifícia Universidade Antonianum, em uma entrevista na Zenit, ao responder a pergunta: Em um ambiente secularizado como este moderno, o nascimento de Jesus Menino é banalizado e colocado no contexto de um "mito" que apenas as crianças podem acreditar. Por que, segundo os cristãos, aquele nascimento mudou o mundo? Disse: "Mas talvez a pior desmistificação do Natal não seja a de acreditar em um mito, mas o reducionismo do mesmo para a festa de bondade, do altruísmo, de ajuda aos necessitados. 

Não que essas coisas não sejam importantes ou presentes no Evangelho, mas o centro é o fato de que Jesus vem a nós porque fez a opção pela nossa pobreza. Ele estende sua mão até o momento em que seu braço é estendido na cruz. 

Como nos disse a Clarissa, irmã Clara Tarcisia do Promnastero de Santa Clara de Assis nos últimos meses de sua existência: "O importante na vida é amar, e, sobretudo deixar-se amar!"(grifo meu). E o Natal é o tempo propicio para deixar-se amar e isso não gera passividade porque Jesus nos ama como somos; mas não nos deixa como somos, ao contrário, nos transforma em capacidade de amar de modo criativo e eficaz. Desta forma, o encontro com a sua Presença muda e dá início a uma nova humanidade".

O Natal é o tempo de corrermos ao encontro de Jesus que vem a nós, tempo de olhar e apreciar e imitar a atitude dos Pastores dos arredores de Belém: "Vamos de4pressa a Belém e vejamos o que aconteceu, o que o Senhor nos deu a conhecer" (Lc 2,15). E como eles reconhecer com humildade naquela criança de Belém o Senhor, o nosso Salvador e recuperar, quem sabe, a alegria perdida por tantas dificuldades pelas quais passamos ou que nos fazem passar, sabendo como eles que Aquele recém-nascido não mudará sua condição de pobreza e marginalização. Mas a fé os ajuda a reconhecer no "menino envolto em faixas e deitado numa manjedoura", o "sinal" do cumprimento das promessas de Deus para todos os homens "que são do seu agrado" (Lc 2,12. 14), inclusive para eles (Bento XVI)! Natal é tempo de contemplar a longa viagem dos Magos e sairmos do nosso indiferentismo na fé, de nossa religião vivida de modo particular e autônomo e empreendermos uma viagem para encontrar Aquele que deve reinar sobre, sobre o mundo sobre o universo todo.

Natal é tempo de olhar para Maria e José e aprender deles a confiança e a disponibilidade em dizer sempre sim ao projeto de Deus para nós, ter a certeza de que quem confia em Deus jamais será confundido.

Desejo a todos um feliz e Santo Natal, que o coração de cada um possa ser uma acolhedora manjedoura onde possa repousar o Menino Deus e encher de luz a vida de cada um que assim iluminado, possa também iluminar as pessoas, os espaços e os ambientes onde convive.

24/12/2011

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Celebramos no dia 08 de dezembro a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, uma verdade que foi solenemente definida como dogma pelo Papa Pio IX em sua bula Ineffabilis Deus em 8 de Dezembro de 1854. A declaração dogmática é expressada da seguinte forma: ..."A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis".

A Igreja ao declarar uma verade ela o faz com consciência e responsabilidade a partir da palavra de Deus, legitimamente interpretada por ela. O Dogma ou a verdade da imaculada Concepção de Maria Santíssima foi quatro anos mais tarde, em 1858, confirmado pela própria Virgem Maria quando apareceu à Santa Bernadete Soubirous, onde se paresentou como "Imaculada Conceição" na localidade de Lourdes, diocese de Tarbes na França. O caso foi submetido às autoridades civis locais e eclesiásticas, após o que o bispo de Tarbes deu por confirmadas as aparições como sendo da Virgem Maria. As autoridades civis francesas se viram impotentes para impedir a devoção de milhares de peregrinos na época, atualmente Lourdes se transformou num lugar de peregrinação internacional de milhões de católicos devotos da Virgem Maria.

No dia 8 de dezembro de 2007 o papa Bento XVI, após a recitação do Angelus, comentou que nesta festa solene se recorda que "o mistério da graça de Deus envolveu desde o primeiro instante de sua existência à criatura destinada a converter-se na Mãe do Redentor, preservando-a do contágio com o pecado original. Ao contemplá-la, reconhecemos a altura e a beleza do projeto de Deus para cada ser humano: chegar a ser santos e imaculados no amor (Ef 1, 4), a imagem de nosso Criador."

Jesus entra na história da humanidade e, ao fazê-lo, também passa a ter uma história. Ele é verdadeiramente homem e assume em tudo a condição humana, menos o pecado Ao comemorarmos a Imaculada Conceição da Virgem Maria, estamos comemorando um fato da história do próprio Cristo, pois a Imaculada Conceição de Maria está condicionada ao nascimento de Cristo, uma vez que Deus estava preparando o ventre digno de receber seu próprio Filho. Com isso, podemos perceber a ação do Deus que é Senhor da história e que, agindo na própria história da humanidade, conta com a colaboração de todos para a realização do seu plano.

Encerramos convidando a todos a rezar esta oração do Papa Bento XVI, rezada por ele no dia 08 de dezembro de 2005, diante da imagem da Imaculada Conceição na Praça de Espanha, em Roma:

Desejamos agradecer-te, Virgem Mãe de Deus e nossa Mãe amada, pela tua intercessão em favor da Igreja. Tu, que ao aceitar sem hesitações a vontade divina, te consagraste com todas as tuas forças à pessoa e à obra do teu Filho, ensinando-nos a guardar no coração e a meditar em silêncio, como tu fizeste, os mistérios da vida de Cristo.

Tu, que fostes até ao Calvário, sempre profundamente unida ao teu Filho, que na cruz te deu como mãe ao discípulo João, faz com que também nós te sintamos sempre próxima a cada passo da nossa existência, sobretudo nos momentos de sombras e de provações.

Tu, que no Pentecostes, juntamente com os Apóstolos em oração, imploraste o dom do Espírito Santo para a Igreja nascente, ajuda-nos a perseverar no seguimento fiel de Cristo. A ti dirigimos com confiança o olhar, em "sinal de esperança certa e de conforto, enquanto não vier o dia do Senhor" (n. 68).

A ti, Maria, invocam com oração insistente os fiéis de todas as partes do mundo para que, glorificada no céu entre os anjos e os santos, intercedas por nós junto do teu Filho "enquanto todas as famílias dos povos, quer as que se distinguem pelo nome cristão, quer as que ainda ignoram o seu Salvador, em paz e concórdia estejam felizmente reunidas num só povo de Deus, para glória da santíssima e indivisível Trindade" (n. 69).

Amém!

05/12/2011

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Iniciamos no último domingo, dia 27 o Tempo do Advento e com ele um novo ano litúrgico na Igreja No Advento a liturgia repete para nós com freqüência e nos garante, quase que para vencer a nossa natural desconfiança, que Deus "vem": vem para estar conosco, em qualquer situação; vem para habitar no meio de nós, para viver conosco e em nós; vem preencher as distâncias que nos dividem e nos separam; vem para nos reconciliar com Ele e entre nós. Vem à história da humanidade, bater à porta de cada homem e mulher de boa vontade, para dar aos indivíduos, às famílias e aos povos o dom da fraternidade, da concórdia e da paz. Por isso, o Advento é por excelência o tempo da esperança, no qual aqueles que crêem em Cristo são convidados a permanecer em expectativa vigilante e laboriosa, alimentada pela oração e pelo compromisso efetivo do amor. Que o aproximar-se do Natal de Cristo encha os corações de todos nós de alegria, de serenidade e de paz!

Para viver de maneira mais autêntica e frutuosa este período de Advento, a liturgia nos exorta a olhar para Maria Santíssima, e a nos encaminharmos idealmente com ela para a Gruta de Belém. Quando Deus bateu à porta da sua jovem vida, ela o recebeu com fé e com amor. Daqui a alguns dias vamos contemplá-la no mistério luminoso da sua Imaculada Conceição (08 de dezembro). 

Deixemo-nos atrair pela sua beleza, reflexo da glória divina, para que "o Deus que há de vir" encontre em todos nós um coração bondoso e aberto, que Ele possa encher com os seus dons.

O Advento nos exorta a tomarmos consciência desta verdade e de agirmos conseqüentemente. Ressoa como um apelo saudável, na repetição dos dias, das semanas e dos meses: Acorda! Recorda que Deus vem! Não ontem, não amanhã, mas hoje, agora! O único Deus verdadeiro, "o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó", não é um Deus que está no céu, desinteressando-se por nós e pela nossa história, mas é o Deus-que-vem. É um Pai que nunca cessa de pensar em nós e, no respeito extremo pela nossa liberdade, deseja nos encontrar e nos visitar; quer vir, habitar no meio de nós, permanecer conosco. O seu "vir" é impelido pela vontade de nos libertar do mal e da morte, de tudo o que impede a nossa verdadeira felicidade. Deus vem para nos salvar.

Os Padres da Igreja observam que o "vir" de Deus contínuo e, por assim dizer, conatural ao seu próprio ser concentra-se nas duas vindas principais de Cristo: a da sua Encarnação e a do seu retorno glorioso no fim da história (cf. Cirilo de Jerusalém, Catequese 15, 1: PG 33, 870). O tempo do Advento é vivido inteiramente segundo esta polaridade. Nos primeiros dias, dá-se relevo à última vinda do Senhor, como demonstram também os textos da liturgia das vésperas.

Depois, aproximando-se o Natal, prevalecerá ao contrário a memória do acontecimento de Belém, para reconhecer nele a "plenitude do tempo". Entre estas duas vindas "manifestas", pode-se reconhecer uma terceira, que São Bernardo chama de vinda "intermédia" e "oculta", que tem lugar na alma dos fiéis e lança como que uma "ponte" entre a primeira e a última. "Na primeira escreve São Bernardo Cristo foi a nossa redenção; na última, manifestar-se-á como a nossa vida: é nela que se encontram o nosso descanso e a nossa consolação" (Disc. 5, sobre o Advento, 1). Para esta vinda de Cristo, que poderíamos chamar "encarnação espiritual", o modelo é sempre Maria. Como a Virgem Maria conservou no seu coração o Verbo que se fez carne, assim cada um de nós e toda a Igreja somos chamadas, na sua peregrinação terrena, a esperar Cristo que vem e a acolhê-lo com fé e amor sempre renovados.

Este Tempo de Advento deve ser vivido no espírito da Oração do Dia da Missa do Primeiro Domingo:

Ó Deus todo poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos.

Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,

na unidade do Espírito Santo

Amém.

28/11/2011

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MARIA E A CRUZ

Com a participação de centenas de pessoas recebemos no dia 18, próximo passado, em Campo Belo os dois símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude, a Cruz e o ícone de Nossa Senhora. Hoje gostaria de considerar um pouco a presença deste segundo símbolo, para relacionar a Mãe de Jesus à cruz.

O ícone de Maria. O que nos diz esta mulher? O que tem ela haver com a Cruz? Maria é a Mãe de Jesus, o Filho de Deus, que por nós morreu e ressuscitou. No momento de sua morte, conta-nos o quarto evangelista que, em pé junto à Cruz estava sua Mãe (cf. Jo 19, 25). Sua presença aos pés da cruz nos indica a sua plena participação no sofrimento daquele que a ele fora anunciado como o Filho do Altíssimo. Naquele dia, na casa de Nazaré, ela responde ao mensageiro de Deus, a Deus mesmo: "Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra" (Lc 1,28) e assim "O Verbo de Deus se encarnou"(cf. Jo1,14) e ela se torna a Mãe do Salvador. Aos pés da Cruz, não mais um mensageiro, mas o próprio Filho, Deus verdadeiro lhe diz: "Mulher eis aí o teu filho" (Jo 19, 26b), neste momento, aquela que se tornara pela encarnação Mãe da cabeça da Igreja, Jesus Cristo, torna-se agora na ordem da graça Mãe também dos membros, Mãe da Igreja.

Recordou-nos o Beato João Paulo II: "Maria é Mãe da divina graça, porque é Mãe do Autor da graça. Confiai-vos a Ela com plena confiança! Resplandecereis com a beleza de Cristo! Abertos ao sopro do Espírito vos tornareis apóstolos intrépidos, capazes de difundir à vossa volta o fogo da caridade e a luz da verdade. Na escola de Maria, haveis de descobrir o compromisso concreto que Cristo espera de vós, aprendereis a colocá-lo no primeiro lugar na vossa vida, orientando para Ele os vossos pensamentos e as vossas ações... Com o seu exemplo, Maria vos ensina a fixar o vosso olhar de amor naquele que foi o primeiro a amar-nos. Com a sua intercessão, Ela forma em vós um coração de discípulos capazes de vos colocardes à escuta do Filho, que revela o rosto autêntico do Pai e a verdadeira dignidade do homem. (Mensagem párea a XVIII da JMJ).

O Documento de Aparecida nos lembra que a Virgem de Nazaré teve uma missão única na história da salvação: concebeu, educou e acompanhou seu filho até a cruz. Desde a cruz Jesus Cristo confiou a seus discípulos, representados por João, o dom da maternidade de Maria, que nasce diretamente da hora pascal de Cristo (Jo 19,27). Perseverando junto aos apóstolos à espera do Espírito (cf. At 1,13-14), ela cooperou com o nascimento da Igreja missionária, imprimindo-lhe um selo mariano que a identifica profundamente. Como mãe, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e o perdão e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a experimentarem como uma família, a família de Deus.
Em Maria, encontramo-nos com Cristo, com o Pai, o Espírito Santo e com os irmãos.

Rezemos com o Papa Bento XVI a oração que ele fez na sua recente visita à Catedral de Cotonou, Benim, na África, no dia 18 de Novembro de 2011:

 

Ó Mãe de Misericórdia,
nós Vos saudamos, Mãe do Redentor;
nós Vos saudamos, Virgem gloriosa;
nós Vos saudamos, nossa Rainha!
Ó Rainha da Esperança,
mostrai-nos a face do vosso divino Filho;
guiai-nos pelos caminhos da santidade;
dai-nos a alegria daqueles que sabem dizer "sim" a Deus!
Ó Rainha da paz,
satisfazei as mais nobres aspirações dos jovens africanos;
satisfazei os corações sedentos de justiça, paz e reconciliação;
satisfazei os anseios das crianças vítimas da fome e da guerra!
Ó Rainha da justiça,
alcançai-nos o amor filial e fraterno;
alcançai-nos ser amigos dos pobres e dos humildes;
alcançai para os povos da terra o espírito de fraternidade!
Ó Nossa Senhora da África,
alcançai-nos do vosso divino Filho a cura para os doentes,
a consolação para os aflitos, o perdão para os pecadores;
intercedei junto do vosso divino Filho pela África,
e alcançai, para toda a humanidade, a salvação e a paz!
Amém.

21/11/2011

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A CRUZ E O ÍCONE DE MARIA DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

Estamos para receber a Cruz e o ícone de Nossa Senhora da Jornada Mundial da Juventude, no próximo dia 18 de novembro, em prepararação para a Jornada de 2013, que será no Rio de janeiro. A Jornada Mundial da Juventude foi criada pelo Beato João Paulo II em 1985, e consiste numa reunião de centenas de milhares de pessoas católicas, sobretudo jovens. O evento acontece a cada dois ou três anos, numa cidade escolhida para celebrar a grande jornada em que participam pessoas do mundo inteiro. Nos anos intermediários, as Jornadas são vividas em Roma e nas dioceses do mundo no Domingo de Ramos. Para cada Jornada, o Papa sugere um tema e envia uma mensagem..
Durante as JMJ, acontecem eventos como catequeses, adorações, missas, momentos de oração, palestras, partilhas e shows. Tudo isso em diversas línguas. Em sua antepenúltima edição, na Alemanha em 2005, participaram cerca de um milhão de jovens. Apesar de ser proposta pela Igreja Católica, é um convite a todos os jovens do mundo. Para João Paulo II, "…a esperança de um mundo melhor está numa juventude sadia, com valores, responsável e, acima de tudo, voltada para Deus e para o próximo."

A Jornada Mundial da Juventude foi celebrada pela primeira vez, de maneira oficial, no Domingo de Ramos de 1986, em Roma. A partir de 1987, a cada dois anos, como regra geral, em alguma cidade do mundo, como dissemos acima.
Em 1987 aconteceu em Buenos Aires. Dois anos depois na cidade espanhola de Santiago de Compostela. Em 1991 foi no santuário mariano da cidade polonesa de Czestochowa. Foi a primeira em que os jovens do Leste Europeu puderam participar sem problemas do evento, pois antes esta parte da Europa era comunista.
Em 1993 foi na cidade americana de Denver, nos Estados Unidos, diante do impressionante cenário das Montanhas Rochosas. O maior encontro de todos os tempos foi em 1995, em Manila nas Filipinas, onde participaram 4 milhões de jovens
Em 1997, a Jornada aconteceu em Paris, na França. O Jubileu do ano 2000 converteu-se também no jubileu das Jornadas Mundiais da Juventude. Cerca de 2,5 milhões de jovens reuniram-se em Roma para um novo encontro com o Papa. Em 2002 a cidade a canadense de Toronto foi a sede do encontro de 2002, onde o peregrino João Paulo II lembrou a todos que o espírito jovem é algo que não pode ser sufocado: "Vós sois jovens e o Papa é idoso, e ter 82 ou 83 anos não é a mesma coisa que ter 22 ou 23. Todavia, ele continua a identificar-se plenamente com as vossas esperanças e as vossas aspirações. Juventude de espírito, juventude de espírito! Embora eu tenha vivido no meio de muitas trevas, sob duros regimes totalitários, tive suficientes motivos para me convencer de maneira inabalável de que nenhuma dificuldade e nenhum temor é tão grande a ponto de poder sufocar completamente a esperança que jorra sem cessar no coração dos jovens".
"A Jornada de 2005 foi em Colônia na Alemanha e foi a primeira após a morte do Papa João Paulo II. O evento foi presidido pelo Papa Bento XVI e foi a sua primeira viagem internacional depois de eleito Papa. Nem a variedade de linguâs, culturas, distanciaram os jovens um dos outros.
Em 2008, a Jornada aconteceu em em Sydney na Austrália. Aí o Papa convocou os jovens do mundo todo para a Jornada Mundial da Juventude de 2011 em Madri na Espanha. No último dia da Jornada Mundial da Juventude em Madri o Papa Bento XVI anunciou a cidade brasileira do Rio de Janeiro como proxima sede do mega evento católico em 2013, com as seguintes palavras: "Apraz-me agora anunciar que a sede da próxima Jornada Mundial da Juventude, em 2013, será o Rio de Janeiro. Peçamos ao Senhor, desde já, que assista com a sua força quantos hão de pô-la em marcha e aplane o caminho aos jovens do mundo inteiro para que possam voltar a reunir-se com o Papa naquela bonita cidade brasileira".
A Cruz da JMJ.
A Cruz da JMJ ficou conhecida por diversos nomes: Cruz do Ano Santo, Cruz do Jubileu, Cruz da JMJ, Cruz Peregrina, muitos a chamam de Cruz dos Jovens porque ela foi entregue pelo Papa João Paulo II aos jovens, no final do Ano santo, para que a levassem por todo o mundo, a todos os lugares e em todo tempo..
Esta cruz de madeira que mede 3,8 metros foi construída e colocada como símbolo da fé católica, perto do altar principal na Basílica de São Pedro durante o Ano Santo da Redenção (Semana Santa de 1983 à Semana Santa de 1984). No final daquele ano, depois de fechar a Porta Santa, o Papa João Paulo II deu essa cruz como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade. Quem a recebeu, em nome de toda a juventude foram os jovens do Centro Juvenil Internacional São Lourenço em Roma. Estas foram as palavras do Papa naquela ocasião: "Meus queridos jovens, na conclusão do Ano Santo, eu confio a vocês o sinal deste Ano Jubilar: a Cruz de Cristo! Carreguem-na pelo mundo como um símbolo do amor de Cristo pela humanidade, e anunciem a todos que somente na morte e ressurreição de Cristo podemos encontrar a salvação e a redenção
Desde 1984, a Cruz da JMJ peregrinou pelo mundo, através da Europa, além da Cortina de Ferro (antigos píses comunistas), Américas, Ásia, África e agora Brasil, estando presente em cada celebração internacional da Jornada Mundial da Juventude. Em 1994 a Cruz começou um compromisso que, desde então, se tornou uma tradição: sua jornada anual pelas dioceses do pais sede de cada JMJ internacional, como um meio de preparação espiritual para o grande evento.
O Ícone de Nossa Senhora.
O Ícone de Nossa Senhora, foi entregue aos jovens em 2003 pelo Papa João Paulo II que a entregou dizendo-lhes: "Hoje eu confio a vocês… o Ícone de Maria. De agora em diante ele vai acompanhar as Jornadas Mundiais da Juventude, junto com a Cruz. Contemplem a sua Mãe! Ele (o ícone) será um sinal da presença materna de Maria próxima aos jovens que são chamados, como o Apóstolo João, a acolhe-la em suas vidas" (Roma, 18ª Jornada Mundial da Juventude, 2003)
Este Ícone, ou imagem de de Nossa Senhora, "Salus Populi Romani" é uma cópia contemporânea de um antigo e ícone (imagem) sagrado encontrado na primeira e maior Basílica dedicada a Maria a Mãe de Deus, conhecida como Basílica de Santa Maria Maior.
O nosso querido Papa Bento XVI, continuando o legado de João Paulo II, falou "Nossa Senhora esteve presente no cenáculo com os Apóstolos quando eles estavam esperando por Pentecostes. Que ela seja vossa mãe e guia. Que ela vos ensine a receber a palavra de Deus, a valoriza-la e medita-la em seu coração (cf. Lc 2,19) como ela fez com sua vida. Que ela possa encorajar-vos a dizer o vosso "sim" ao Senhor ao viver "a obediência da fé". Que ela possa ajudar-vos a permanecer fortes na fé, constantes na esperança, perseverantes na caridade, sempre atentos à palavra de Deus".
No Ícone vemos Maria carregando seu Filho nos ensinando como levá-lo para o mundo. Milhões de jovens nos últimos 20 anos participaram das Jornadas Mundiais da Juventude.

15/11/2011

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SÃO PAULO APÓSTOLO

Nesta semana estamos recebendo a visita da imagem de São Paulo Apóstolo, uma iniciativa do Movimento de Cursilhos de Cristandade da Diocese, com a finalidade de preparar a celebração dos 40 anos de Cursilho em nossa Diocese e 50 anos do movimento no Brasil.
O Movimento de Cursilho teve seu início no singular contexto social, econômico, político e religioso da Espanha nas décadas de 1930-1940. Coube a iniciativa à Juventude da Ação Católica Espanhola (JACE) da Diocese de Palma de Maiorca (Ilha de Maiorca, Espanha), encorajada por seus assistentes eclesiásticos e por seu Bispo, D. Juan Hervás.
O Apóstolo São Paulo foi escolhido como padroeiro do Movimento. Quem é este Apóstolo? O chamado Apóstolo dos gentios, ou das nações não conheceu Jesus durante sua vida terrena em Jerusalém, ou pelos caminhos da Galiléia, como os doze Apóstolos. Ele é o primeiro que teve como experiência só a do Ressuscitado, a mesma que terão todos os cristãos. .

Este judeu nascido em Tarso (hoje Turquia oriental), que recebeu do rabinho Gamaliel, o Velho, um ensinamento rigoroso da Lei e que era também um cidadão romano, recebe a missão concreta de ir pregar a Palavra de Deus a todos os homens: primeiro em Antioquia e na Ásia menor, depois na Grécia e em Roma.

Com Paulo, em poucos anos e de modo ardente a Lei sai de Sião e a Palavra de Deus de Jerusalém, como havia profetizado Miquéias: "Vinde, subamos a montanha do Senhor, para a casa do Deus de Jacó. Ele nos ensinará os seus caminhos e caminharemos pelas suas vias. Porque de Sião sairá a Lei, e de Jerusalém a Palavra do Senhor" (Mq 4,2c). E sai com um duplo sentido do termo: Paulo vai dar testemunho dos ensinamentos de seus pais e do que havia experimentado: Cristo Ressuscitado, isto é, ele fala com orgulho do que aprendeu dos pais sobre a Lei, a Torá, mas anunciará a experiência que fez da Palavra definitiva do pai, Jesus Cristo: "O Verbo se fez carne e a habitou entre nós" (Jo 1,14).
Paulo é o personagem mais conhecido da primeira geração cristã, tanto pelas cartas que escreveu (sete reconhecidas como indubitavelmente autênticas), como pela história de sua vida que narra Lucas nos Atos dos Apóstolos. Para nós, suas Cartas são uma fonte excepcional. Sua figura, no entanto, continua sendo misteriosa. Por um lado, estas cartas abrangem uns somente quinze anos de sua vida. Por outro, os Atos que fazem referência á sua trajetória foram escritos vinte anos depois de sua morte, com um tom apologético da época, isto é, para a defesa da fé e de sua figura. Provavelmente Paulo era uns dez anos mais novo do que Jesus.
Bento XVI ao falar sobre este Apóstolo (cf. Audiência, 22/11/2006), nos recordou o seguinte: "Devemos antes de tudo constatar que o seu primeiro contato com a pessoa de Jesus se realiza através do testemunho da comunidade cristã de Jerusalém. Foi um contacto conturbado. Tendo conhecido o novo grupo de crentes, ele se tornou imediatamente seu perseguidor. Ele mesmo o reconhece nas suas três Cartas: "Persegui a Igreja de Deus", escreve (1Cor 15, 9; Gl 1, 13; Fl 3, 6), quase como para apresentar este seu comportamento como o pior dos crimes... A história nos mostra - continua o Papa - que se chega normalmente a Jesus através da Igreja! Num certo sentido, isto se verificou, diríamos, também para Paulo, o qual encontrou a Igreja antes de encontrar Jesus.
Mas este contacto, no seu caso, foi contraproducente, não causou a adesão, mas uma violenta repulsa. Para Paulo, a adesão à Igreja foi propiciada por uma intervenção direta de Cristo, o qual, tendo se revelado a ele no caminho de Damasco, se identificou com a Igreja e lhe fez compreender que perseguir a Igreja era perseguir o Senhor. De fato, o Ressuscitado disse a Paulo, o perseguidor da Igreja: "Saulo, Saulo, porque me persegues?" (At 9, 4). Perseguindo a Igreja, perseguia Cristo. Então Paulo converteu-se, ao mesmo tempo, a Cristo e à Igreja. Disto se compreende depois porque a Igreja tenha estado tão presente no pensamento, no coração e na atividade de Paulo.
Desta forma - recordou o Papa - "está em jogo a relação de comunhão: a vertical entre Jesus Cristo e todos nós, e também a horizontal entre todos os que se distinguem no mundo pelo fato de "invocar o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo" (1 Cor 1, 2)".
Com São Paulo nos é dado entender que só existe uma pertença da Igreja a Cristo, como também de certa forma de equiparação e identificação da Igreja com Cristo mesmo. Portanto, a grandeza da Igreja e a nobreza da Igreja, isto é, de todos os que fazemos parte dela, deriva do fato de que somos membros de Cristo, como uma extensão de sua presença pessoal no mundo... (cf. Audiência, 22/11/2006)
Peçamos ao Senhor que vivamos em comunhão com Cristo e em comunhão entre nós e que todos os carismas, todos os talentos, todos os dons contribuam para a edificação da comunidade e não se tornem, pelo contrário, motivo de discórdia.

07/11/2011

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Neste mês de novembro, especificamente no dia 02, dia de Finados, rezamos por nossos irmãos que já partiram desta vida. Para nós cristãos, não se trata de um simples dia de saudade, mas de oração na firme esperança da ressurreição. Num mundo que já não crê e não tem quase nada a dizer sobre a vida e sobre a morte, a Palavra de Deus nos ilumina: “Irmãos, não queremos que ignoreis o que se refere aos mortos, para não ficardes tristes como os outros, que não têm esperança” (1Ts 4,13). O cristão não pode encarar a morte como os pagãos; nós temos uma esperança, e ela se chama Jesus Cristo, aquele que disse “eu sou a Ressurreição, eu sou a Vida” (Jo 11,25)! Deus não nos abandonou à morte: ele nos enviou o seu Filho, em tudo igual a nós, menos no pecado. Ele tomou sobre si as nossas dores, viveu nossa vida mortal, de incertezas, de tristezas, de angústias, de morte. Morrendo de morte semelhante à nossa, ele foi ressuscitado pelo Pai na força do Espírito Santo. Morrendo ele nos deu a possibilidade e a graça de morrer como ele e com ele ressuscitar da morte: “Eu sou a ressurreição! Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá!” (Jo 11,25). Desde o nosso Batismo, unidos a Cristo morto e ressuscitado, alimentados pelo seu corpo e sangue na Eucaristia, sabemos que “nem a morte nem a vida nem criatura alguma nos poderá separar do amor de Cristo” (Rm 8,38s). 

Esta é a nossa esperança: vivermos unidos a Cristo já agora e, após a nossa morte, ressuscitar nele e com ele, nele e como ele! Como o Senhor foi glorificado no seu corpo e na sua alma pelo poder do Espírito Santo, assim também nós seremos glorificados: “semeado corruptível, ressuscitará corpo incorruptível; semeado desprezível, ressuscitará reluzente de glória; semeado na fraqueza, ressuscita cheio de força; semeado psíquico, ressuscita corpo espiritual” (1Cor 15,42-44). Sermos glorificados significa entrar na plenitude de Cristo, na alegria de Cristo, na eternidade de Cristo! Isto, para nós, é o Paraíso: estar para sempre com o Senhor!  Rezemos pelos nossos queridos que já morreram; rezemos por todos os fiéis que já partiram para o Cristo, pois diz a Sagrada Escritura diz que “é um santo e piedoso pensamento rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados” (2Mc 12,46). Que nosso carinho e nossa saudade sejam acompanhados pela nossa piedosa oração, cheia de esperança na ressurreição. Enquanto visitamos os cemitérios, recordemo-nos que ali, nos túmulos, repousam só os despojos dos nossos entes queridos na expectativa da ressurreição final. As suas almas – como diz a Escritura – já "estão nas mãos de Deus" (Sb 3, 1). Portanto, o modo mais justo e eficaz de honrá-los é rezar por eles, oferecendo atos de fé, de esperança e de caridade. Em união com Sacrifício Eucarístico, podemos interceder pela sua salvação eterna e experimentar a mais profunda comunhão, na esperança de nos encontrarmos juntos, a regozijar para sempre no Amor que nos criou e redimiu. Voltemos nosso olhar e nosso pensamento para Cristo, vencedor da nossa morte. E meditemos nas palavras do Prefácio da missa dos fiéis defuntos: Em Cristo “brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que crêem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado nos céus, um corpo imperecível”. Que o Senhor realize a nossa esperança e que nós vivamos de tal modo, que sejamos dignos dela!
Dai-lhes, Senhor o descanso eterno!
Da luz perpétua, o resplendor!
Que suas almas descansem em paz!
Assim seja!

01/11/2011

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Outubro é também o Mês do Rosário o beta João Paulo II nos recorda na Carta Apostólica sobre o Rosário da bem aventurada Virgem Maria que: “o Rosário da Virgem Maria que ao sopro do Espírito de Deus se foi formando gradualmente no segundo Milênio, é oração amada por numerosos Santos e estimulada pelo Magistério. Na sua simplicidade e profundidade permanece, mesmo no terceiro Milênio recém iniciado, uma oração de grande significado e destinada a produzir frutos de santidade. Ela enquadra-se perfeitamente no caminho espiritual de um cristianismo que, passados dois mil anos, nada perdeu do seu frescor original, e sente-se impulsionado pelo Espírito de Deus a “fazer-se ao largo” (duc in altum!) para reafirmar, melhor “gritar” Cristo ao mundo como Senhor e Salvador, como « caminho, verdade e vida » (Jo 14, 6), como “o fim da história humana, o ponto para onde tendem os desejos da história e da civilização” (1) .

     O Rosário é uma em honra da Santíssima Virgem Maria formado  de quatro dezenas, cada uma  compreende seis mistérios da vida de Nosso Senhor Jesus Cristo e de Nossa Senhora. Cada mistério recorda uma passagem importante da história da salvação.

Meditar com o Rosário significa entregar os nossos cuidados aos corações misericordiosos de Cristo e da sua Mãe. À distância de vinte e cinco anos, ao reconsiderar as provações que não faltaram nem mesmo no exercício do ministério petrino, desejo insistir, como para convidar calorosamente a todos, a fim de que experimentem pessoalmente isto mesmo: verdadeiramente o Rosário « marca o ritmo da vida humana » para harmonizá-la com o ritmo da vida divina, na gozosa comunhão da Santíssima Trindade, destino e aspiração da nossa existência. 

     O Papa leão XII, em sua Carta Encíclica Magnae Dei Matris, sobre o santo Rosário nos recorda um aspecto importante desta oração: diz ele: “além do valor que o Rosário tira da própria natureza da oração, ele contém uma maneira fácil para fazer penetrar e inculcar nas almas os dogmas principais da fé cristã; o que certamente constitui outro motivo insigne de recomendação. De fato, é, sobretudo pela fé que o homem direta e seguramente se aproxima de Deus e aprende a adorar com a mente e com o coração a imensa majestade desse Deus único, a sua autoridade sobre todas as coisas, o seu sumo poder, a sua sabedoria e a sua providência: "porquanto, quem se aproxima de Deus deve crer que Ele existe, e que é remunerador daqueles que o procuram" (Heb 11, 6). Mas, visto que o eterno Filho de Deus assumiu a natureza humana, viveu no meio de nós, e continua a ser para nós caminho, verdade e vida, por isto é necessário que a nossa fé abrace também os profundos mistérios da augusta Trindade das divinas pessoas, e do Filho unigênito do Pai, feito homem: ‘E a vida eterna é esta: que eles conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo’ (Jo 17, 3) [n. 5]

     "O Rosário transporta-nos misticamente para junto de Maria (...) para que Ela nos eduque e nos plasme até que Cristo esteja formado em nós plenamente" "Nunca, como no Rosário, o caminho de Cristo e o de Maria aparecem unidos tão profundamente. Maria só  vive em Cristo e em função de Cristo" (João Paulo II). 

 

“Ó Rosário bendito de Maria, doce cadeia que nos prende a Deus, vínculo de amor que nos une aos Anjos, torre de salvação contra os assaltos do inferno, porto seguro no naufrágio geral, não te deixaremos nunca mais. Serás o nosso conforto na hora da agonia. Seja para ti o último beijo da vida que se apaga. E a última palavra dos nossos lábios há de ser o vosso nome suave, ó Rainha do Rosário de Pompéia, ó nossa Mãe querida, ó Refúgio dos pecadores, ó Soberana consoladora dos tristes. Sede bendita em todo o lado, hoje e sempre, na terra e no céu”

(Beato Bártolo Longo)

 

O Pároco

03/10/2011

 

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São Jerônimo, Presbítero e Cardeal da Igreja

 

Neste mês de setembro celebra em toda a Igreja o mês da Bíblia. A palavra “bíblia” (do grego βίβλια, plural de βίβλιον, transl.  bíblion, "rolo" ou "livro") significa conjunto de livro, biblioteca. Comecemos sabendo um pouco o porquê do Mês da Bíblia, como ele surgiu e sua finalidade.

Desde o Vaticano II, a Bíblia ocupou um espaço privilegiado na família, nos grupos de reflexão, círculos bíblicos, na catequese e nas pequenas comunidades. A Igreja no Brasil desenvolveu toda uma prática de leitura e reflexão da Bíblia que muito contribui para o sustento da fé e da caminhada das pessoas. É uma forma muito rica de viver a missão da Igreja que é a de servir a Palavra.

O Mês da Bíblia surgiu há 39 anos por ocasião do 50º aniversário da Arquidiocese de Belo Horizonte. Desde então tem destacado a importância da leitura, do estudo e da contemplação das Sagradas Escrituras. Na verdade, o Mês da Bíblia contribuiu muito para o desenvolvimento da Pastoral Bíblica no âmbito paroquial e diocesano. Hoje, se percebe a necessidade da Animação Bíblica das Pastorais em vez da existência de apenas uma pastoral entre as demais dedicada às Sagradas Escrituras. A Animação Bíblica é a forma mais adequada de acentuar a centralidade da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja.

Por que em setembro? Porque no dia 30 de setembro celebramos na Igreja o dia de São Jerônimo, que foi encarregado pelo Papa Damaso de preparar a Bíblia em latim, revendo traduções anteriores ou fazendo novas. Lembremos que São Jerônimo viveu entre 340 a 420, portanto na segunda metade do século IV e início do século V. O Papa Damaso morreu em 385 e São Jerônimo iniciou uma série de viagens ao Oriente, passando grande parte em Belém, entregue totalmente à tradução e comentário da Sagrada Escritura. Além de sua vida austera, coerente e santa é tido como um dos melhores Padres da Igreja e é colocado como “patrono dos biblistas”. É por isso que o quarto domingo deste mês é o domingo da Bíblia. Normalmente seria o domingo mais próximo da festa de São Jerônimo.

Neste ano, a proposta é o estudo e aprofundamento dos seguintes capítulos do livro do Êxodo: 15,22–18,27.  O tema é: Travessia: passo a passo o caminho se faz.  E o lema: Aproximai-vos da presença do Senhor (Ex 16,9).

Que o Mês da Bíblia nos ajude a nos familiarizarmos sempre mais com o texto sagrado, não só pela leitura que deles se faz na liturgia, mas em nossas leituras e meditações pessoais ou nos círculos Bíblicos e grupos de reflexão que hoje fazem crescer tanto a Igreja, alimentada com a Palavra de Deus.

E seria muito importante nos lembrarmos de que o Espírito não só inspirou os autores sagrados para que escrevessem os livros, mas continua de algum modo misterioso a inspirar a Igreja e os fiéis, quando lemos esses livros. Por isso mesmo, não se lê a Sagrada Escritura apenas por uma curiosidade científica ou para deleite estético. Sua leitura e o seu estudo são um falar com Deus.

Lembremo-nos de que assim se estabelece colóquio entre Deus e o homem, uma vez que ”A Ele falamos quando rezamos e a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos”, como nos recordou santo Ambrósio (apud DV 25/196).

 

05/09/2011

 

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Hoje quero apresentar nesta página a Carta que escrevi aos nossos catequistas, por ocasião do dia, ocorrido no dia 28 de agosto, passado:

 

 

Caríssimo (a) catequista,

Alegria e paz em nosso Senhor Jesus Cristo!

 

Quero me dirigir a você catequista neste dia em que se comemora o Dia Nacional do Catequista, para dizer-lhe da importância de seu trabalho na comunidade, a missão de ajudar no processo de crescimento e amadurecimento da fé daqueles que lhe são confiados, sejam crianças, adolescente, jovens ou adultos.

         Ser catequista é colaborar com a graça de Deus e com a pessoa, para que ela assuma seu sim a Deus, e avance rumo à maturidade na fé, na esperança e no amor. 

Ser catequista é uma vocação, um chamado de Deus, não é apenas uma tarefa meramente de ensinar, de passar conteúdos doutrinais, mas anunciar uma pessoa, Jesus Cristo, Filho de Deus vivo.

Agradeço-lhe imensamente a sua dedicação, seu amor a esta missão de conduzir a Jesus, “caminho verdade e vida” (Jo 14,6), os seus catequizandos. Que esta missão seja cumprida primeiramente pelo testemunho, e depois pelo anuncio explícito do Evangelho, pois “A Fé cristã é, antes de tudo, adesão à  pessoa de Jesus Cristo e ao seu Evangelho, acolhida do dom gratuito que vem de Deus. Por isso, lembre-se sempre: “você não é só transmissor de idéias, conhecimentos, doutrina, pois sua experiência está no encontro pessoal com a pessoa de Jesus Cristo. Essa experiência é comunicada pelo ser, saber e saber fazer em comunidade. O ser e o saber do catequista sustentam-se numa espiritualidade da gratuidade, da confiança, da entrega, da certeza de que o Senhor está sempre presente e é fiel.

Querido (a) catequista, que a experiência do encontro com Jesus Cristo seja a força motivadora capaz de lhe trazer o encantamento por esse fascinante caminho de discipulado, cheio de desafios que o (a) faz crescer e acabam gerando profundas alegrias.

Querido (a) Catequista, nesse dia acolha o meu abraço de gratidão e de toda a Comunidade Paroquial pela sua atuação na educação da fé de crianças, adolescentes, jovens e adultos. Em sua ação se traduz de uma forma única e original a vocação da Igreja, que é Mãe e que cuida maternalmente dos filhos que gerou na fé pela ação do Espírito, no Sacramento do Batismo.

Querido (a) Catequista, parabéns! Que a força da Palavra de Deus, continue suscitando-lhe a fé e o compromisso missionário! A benção amorosa do Pai, que cuida com carinho dos seus filhos e filhas, que um dia nos chamou a viver com alegria a vocação do discípulo missionário, esteja hoje e sempre em sua vida, na vida da sua família e na vida de quantos lhe são caros.

Seja sempre seu modelo e proteção a Bem-aventurada Virgem Maria do Carmelo, Mãe e fiel Discípula de Jesus Cristo.

 

Campo Belo, 28 de agosto de 2011

Memória S. Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja

 

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“No princípio da criação, ‘Deus fê-los homem e mulher.
Por isso, o homem deixará pai e mãe
para se unir à sua esposa,
e os dois serão uma só carne’.
Deste modo, já não são dois, mas uma só carne.
Portanto, não separe o homem o que Deus uniu” (Mc 10,6-9)
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Celebra-se no Brasil durante esta semana a Semana Nacional da Família, uma promoção da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que convoca a todos a pensar, a refletir e a rezar pela família. Com este evento quer a Igreja chamar a atenção de todos nós, da sociedade em geral para a importância da família na construção da pessoa e da sociedade, família entendida a partir do projeto original de Deus fundamentada na união legítima entre um homem e uma mulher, isto, fundamentada no Sacramento do Matrimônio.

O Beato João Paulo II recolhendo as indicações feitas pelos padres sinodais no Sínodo dos Bispos sobre a Missão da Família na Igreja e no Mundo, realizado entre os dias 26 de setmbro a 25 de outubro de 1980, em Roma, assim disse: “Consciente de que o matrimônio e a família constituem um dos bens mais preciosos da humanidade, a Igreja quer fazer chegar a sua voz e oferecer a sua ajuda a quem, conhecendo já o valor do matrimônio e da família, procura vivê-lo fielmente, a quem, incerto e ansioso, anda a procura da verdade e a quem está impedido de viver livremente o próprio projeto familiar. Sustentando os primeiros, iluminando os segundos e ajudando os outros, a Igreja oferece o seu serviço a cada homem interessado nos caminhos do matrimônio e da família” (Exortação Apostólica pós sinodal “Familiaris Consortio”, (n. 1).

Assim, esta semana de reflexão e oração sobre a família quer ser uma forma de corroborar com este aprofundamento sobre esta instituição importante para a vida da Igreja e para o mundo.

O tema da Semana nacional da Família deste ano é: “Família, pessoa e sociedade”. No documento citado acima, João Paulo II afirma: “O matrimônio e a família dos cristãos edificam a Igreja: na família, de fato, a pessoa humana não só é gerada e progressivamente introduzida, mediante a educação, na comunidade humana, mas mediante a regeneração do batismo e a educação na fé, é introduzida também na família de Deus, que é a Igreja (n. 14) A família é a primeira escola onde a pessoa é preparada para atuar na comunidade cristã, mediante a educação da fé, dada a partir primeiramente pelo testemunho dos pais e pelo efetivo anúncio dos primeiros conteúdos da fé, como as primeiras orações, os mandamentos, etc. Mas é também a família uma escola das virtudes sociais, onde a pessoa aprende os verdadeiros valores como a ética, a moral, a justiça, a dignidade do trabalho, o respeito, para que se torne um verdadeiro cidadão ou cidadã. Sem a instituição familiar  tudo isto deixa de ser aprendido e, consequentemente, teremos uma sociedade degrada, sem referenciais,

Responsáveis primeiros para esta tarefa educativa são os pais, como nos recordou João Paulo II: “Embora no meio das dificuldades da obra educativa, hoje muitas vezes agravada, os pais devem, com confiança e coragem, formar os filhos para os valores essenciais da vida humana. Os filhos devem crescer numa justa liberdade diante dos bens materiais, adotando um estilo de vida simples e austero, convencidos de que «o homem vale mais pelo que é do que pelo que tem” (n. 37). No que diz respeito à fé e à educação para a vida comunitária cristã lembrou-nos o Beato: “A missão de educar exige que os pais cristãos proponham aos filhos todos os conteúdos necessários para o amadurecimento gradual da personalidade sob o ponto de vista cristão e eclesial... com o cuidado de mostrar aos filhos a que profundidade de significado a fé e a caridade de Jesus Cristo sabem conduzir. Para, além disso, a certeza de que o Senhor lhes confia o crescimento de um filho de Deus, de um irmão de Cristo, de um templo do Espírito Santo, de um membro da Igreja, ajudará os pais cristãos no seu dever de reforçar na alma dos filhos o dom da graça divina... Pela força do ministério da educação os pais, mediante o testemunho de vida, são os primeiros arautos do Evangelho junto dos filhos. Ainda mais: rezando com os filhos, dedicando-se com eles à leitura da Palavra de Deus e inserindo-os no íntimo do Corpo - eucarístico e eclesial - de Cristo mediante a iniciação cristã, tornam-se plenamente pais, progenitores não só da vida carnal, mas também daquela que, mediante a renovação do Espírito, brota da Cruz e da ressurreição de Cristo” ( n. 39).

Com a celebração da Semana Nacional da Família queremos como discípulos de cristo dizer com nossos atos, gestos e palavra: Nós acreditamos na família, verdadeiramente fundamentada no Matrimônio indissolúvel entre um homem e uma mulher. Viva a família!

 

16/08/2011

 

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Neste mês de agosto celebramos o Mês Vocacional e nesta primeira semana dedicamos à vocação, ao chamado para a vida sacerdotal. O chamado de Deus para a vida sacerdotal é um chamado para servir, a exemplo de Jesus que “veio para servir e não para ser servido” (Cf. Mt 20,28 ). O sacerdócio instituído por Cristo na última Ceia é, além de um serviço à comunidade, ao povo de Deus é também uma forma de realização pessoal. Hoje, diante do consumismo os jovens buscam sempre a realização em profissões que lhes dão segurança financeira, quando este interesse não é, sobretudo dos familiares, que muitas vezes sugerem de maneira forçada aos filhos a simplesmente optarem por profissões “rendosas”. Não são poucas as pessoas, os profissionais que não se realizam nestas escolhas e passam a vida toda se lamentando. É preciso que os pais e mães de famílias apresentem a vocação sacerdotal como também forma bela e digna de realização pessoal. A vocação nasce na família, cresce no contato com a comunidade, que deve ser também uma comunidade vocacionista, isto é que chama.

O Concílio Vaticano II nos recorda que: “O dever de fomentar as vocações pertence a toda a comunidade cristã, que as deve promover, sobretudo mediante uma vida plenamente cristã; mormente para isso concorrem quer as famílias, que animadas pelo espírito de fé, de caridade e piedade, são como que o primeiro seminário, quer as paróquias, de cuja vida fecunda participam os jovens e adolescentes” (Cf. Decreto Conciliar Optatam Totius,n. 2). Assim a Pastoral Vocacional é um aspecto que deve estar presente em toda a ação da comunidade paroquial, não pode ser apenas um departamento estanque, separado das demais ações. Na ação pastoral deve-se sempre cumprir aquela exortação do Beato João Paulo: “Descei no meio dos jovens e chamai, não tenhais medo de chamar”.

E na Exortação Apostólica sobre a Formação sacerdotal ele disse:Sem sacerdotes, de fato, a Igreja não poderia viver aquela fundamental obediência que está no próprio coração da sua existência e da sua missão na história - a obediência à ordem de Jesus: ‘Ide, pois, ensinai todas as nações’ (Mt 28, 19) e ‘Fazei isto em minha memória’ (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 11, 24), ou seja, a ordem de anunciar o Evangelho e de renovar todos os dias o sacrifício do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado pela vida do mundo.

O sacerdócio não é uma profissão que se realiza apenas durante uma parte do dia, mas uma vocação em tempo integral e perene, como destacou o Papa Bento XVI durante o tradicional encontro com os sacerdotes da diocese de Roma no início da Quaresma. Não se é padre em tempo parcial, mas sempre, com toda a alma e com todo o nosso coração... Este ser com Cristo e ser embaixadores de Cristo, este ser para os outros é uma missão que permeia nosso ser e deve penetrar na totalidade do nosso ser.

“A graça sacramental específica da Ordem configura ontologicamente, isto é, no seu ser, a pessoa do ministro ao Cristo Sacerdote, Mestre e Pastor, ‘para servir de instrumento de Cristo à sua Igreja. Pela ordenação, a pessoa se habilita a agir como representante de Cristo, Cabeça da Igreja, em sua tríplice função de sacerdote, profeta e rei’. Trata-se de um caráter espiritual indelével, isto é para sempre, que acompanhará por toda a eternidade a pessoa do ordenado, e o que habilita a agir “in persona Christi Capitis” (na pessoa de Cristo Cabeça), para a realização das três funções de ensinar, santificar e de governar a Igreja de Cristo. Mas esta graça não elimina sua fraqueza humana, sua possibilidade de erro, como não elimina seus eventuais pecados”.

Rezemos e trabalhemos pelas vocações sacerdotais em nossa diocese:

 

Senhor da messe e pastor do rebanho,
faz ressoar em nossos ouvidos
o teu forte e suave convite:
"Vem e segue-me"! Derrama sobre nós o teu Espírito,
que Ele nos dê sabedoria para ver o caminho
e generosidade para seguir a tua voz.

Senhor, que a messe não se perca por falta de operários. Desperta as nossas comunidades para a missão.
Ensina a nossa vida a ser serviço.
Fortalece os que querem dedicar-se ao Reino,
na vida consagrada e religiosa.

Senhor,
que o rebanho não pereça por falta de pastores.
Sustenta a fidelidade dos nossos bispos,
padres e ministros.
Dá perseverança aos nossos seminaristas.
Desperta o coração dos nossos jovens
para o ministério pastoral
na tua Igreja.

Senhor da messe e pastor do rebanho,
chama-nos para o serviço
do teu povo. Maria, Mãe da Igreja,
modelo dos servidores do Evangelho,
ajuda-nos a responder "sim". Amém

 

08/08/2011

 

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O mês de agosto na Igreja é dedicado às vocações, é o mês vocacional. O que é vocação? Primeiramente vamos entender o significado da palavra. A palavra vocação vem do latim vocare que significa chamado. Todos nós somos chamados, de uma forma ou de outra a fazer algo, alguma coisa. Antigamente este termo significava qualquer espécie de aptidão. Por exemplo: aptidão para medicina, música, artes, etc.. Depois ele foi adquirindo um significado religioso passando a designar o chamado de Deus.

Vocação é um chamado. E quem chama sempre deseja alguma resposta da pessoa a quem chama. Deus não age de forma diferente. Só que, ao chamar, Deus, antes de pedir Ele dá. Deus chamando o homem lhe dá a vida, a existência, e com a vida, dá-lhe também a liberdade.

Depois de ter chamado o homem para a vida, Deus torna a chamá-lo, porque há muitas coisas que Deus deseja fazer no mundo através do homem. Deus pode, mas não quer agir sozinho. Por isso, quando Deus chama, Ele nos confia alguma missão. O chamado de Deus é sempre um desafio.

Ao sermos chamados à vida, que é o primeiro chamado que Deus nos faz, nos comprometemos a cumprir uma determinada missão que todos os outros possam viver bem.

Chamados à fé, pelo batismo, isto é, somos chamados a ser cristãos, a participarmos da Família de Deus, a fazer parte do Corpo Místico de Cristo, que é a Igreja, com este chamado, nos comprometemos a seguir os ensinamentos de Jesus Cristo e a colaborar com os homens na busca da verdade e do bem vivendo como irmãos.

Como cristãos somos chamados a um estado de vida específico (sacerdotal, religiosa, matrimonial), com esta vocação assumimos um compromisso específico com a comunidade humana, de ajudá-la a seguir o projeto de Deus, em vista de nossa salvação.

Para que isso aconteça é indispensável que cada um faça desabrochar e fortificar a vocação que está em seu interior (Mt 25,14-30). As capacidades e dons que temos devem estar voltados para as necessidades dos outros. Quanto mais o homem está voltado para o outro, mais realizado e feliz será. O verdadeiro amor é o que busca a felicidade do outro e não a própria.

Podemos dizer que, vocação é a oferta divina que exige uma resposta e um compromisso com Ele e com o irmão, o próximo.

A resposta do homem deve ser constantemente reassumida. É no dia a dia que se deve ir fazendo o caminho e assumindo os riscos do nosso SIM.

Vocação é descoberta do próprio ser pessoal. Todo homem é chamado a aperfeiçoar a bondade que existe, em germe, em seu interior, a descobrir a sua vocação, a construir um mundo fraterno onde haja vida para todos.

A vida não é feita só de momentos claros, nos quais se percebe perfeitamente a vontade de Deus. Muitas vezes é necessário seguir por caminhos escuros e até incomuns. Muitos devem lutar duramente para seguir sua vocação. A vocação como afirma os Bispos, “é uma caminhada da qual se conhece apenas o primeiro passo, mas nunca se sabe onde vai dar” (Guia pedagógico da Pastoral Vocacional – Estudos da CNBB).

Vocação é convite pessoal que Deus dirige a cada um. Cada ser humano tem algo de pessoal, e uma maneira pessoal de realizá-lo. Ao descobrir sua vocação, o homem está se descobrindo a si mesmo. Como estamos respondendo e correspondendo ao chamado de Deus?

 

01/08/2011

 

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“A gratidão nasce da consciência do dom e o dom manifesta o amor” (João Paulo II).

 

Nesta semana quero agradecer e parabenizar a Comunidade Paroquial pela celebração da Festa em honra a Nossa Senhora do Carmo, nossa excelsa padroeira.

Agradecer e parabenizar as equipes de trabalhos, as pastorais, os movimentos, serviços e associações, os ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão Eucarística, os coroinhas, os membros do Conselho Paroquial de Assuntos Econômicos pela dedicação com que executaram suas tarefas para o bem de todos quantos puderam participar, rezar e refletir conosco a maravilha do mistério de Maria na vida de Cristo e na vida da Igreja, aquela que nos trouxe Jesus e se tornou também para nós modelo de seguimento e de discipulado.

Acredito que todos nós nos enriquecemos muito com estas celebrações. Também eu, como pároco, pude através das leituras e pesquisas pude aprender muita coisa a mais sobre a Virgem Santíssima e pude também aprender com o testemunho de fé de tantas pessoas que, com simplicidade e alegria manifestaram seu amor e sua devoção a Nossa Senhora do Carmo. É certo que muitas pessoas não precisam fazer nenhum discurso, manifestarem-se oralmente, percebemos sua fé, seu testemunho pelo modo como participam das celebrações e como excutam suas tarefas. Faz bem lembrar neste caso aquelas palavras de Santo Agostinho: “as palavras movem, os exemplos arrastam”. É muito importante o testemunho que se dá na vivência da fé, testemunho silencioso, humilde, fervoroso e coerente.

Agradeço aos nossos funcionários pela dedicação e presteza com fizeram os seus trabalhos nos dias de preparação da festa, durante a e depois da festa.

Agradeço às autoridades constituídas pela atenção com que responderam às nossas solicitações.

Agradeço aos patrocinadores: comerciantes, industriários e particulares que nos ajudaram na impressão do Programa da Festa e do Livrinho da Novena, agradecer ao pessoal da Unigraf pela atenção e dedicação em executar o trabalho de impressão do material.

Agradeço ás famílias e todas as pessoas de nossas comunidades que deram a sua contribuição durante os dias da novena e no dia da Festa. Agradecer às pessoas que entregaram os envelopes de ofertas.

Agradeço aos visitantes, devotos de Nossa Senhora do Carmo que nos deram a alegria de sua presença e nos ajudaram a homenagear nossa excelsa Padroeira e que também deram a sua  oferta para ajudar as obras da comunidade.

Agradeço a todos que doaram os gêneros para a realização da festa social, as barraquinhas.

Foi uma festa simples, porém bonita, feita com carinho e dedicação de tanta gente. Que Deus recompense a todos. Parabéns aos nossos paroquianos!

 

Salve Maria Imaculada!

 

18/07/2011

 

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“Doravante as gerações me chamarão bem aventurada” (Lc 1,48) 

Ensina-nos a Igreja que “Exaltada por graça do Senhor e colocada, logo a seguir a seu Filho, acima de todos os anjos e homens, Maria que, como mãe santíssima de Deus, tomou parte nos mistérios de Cristo, é com razão venerada pela Igreja com culto especial. E, na verdade, a Santíssima Virgem é, desde os tempos mais antigos, honrada com o título de “Mãe de Deus”, e sob a sua proteção acorrem os fiéis, em todos os perigos e necessidades. Foi, sobretudo a partir do Concílio do Éfeso que o culto do Povo de Deus para com Maria cresceu admiravelmente, na veneração e no amor, na invocação e na imitação, segundo as suas proféticas palavras: “Todas as gerações me proclamarão bem-aventurada, porque realizou em mim grandes coisas Aquele que é poderoso” (Lc 1,48). Este culto, tal como sempre existiu na Igreja, embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração, que se presta por igual ao Verbo encarnado, ao Pai e ao Espírito Santo, e o favorece poderosamente. Na verdade, as várias formas de piedade para com a Mãe de Deus, aprovadas pela Igreja, dentro dos limites de sã e reta doutrina, segundo os diversos tempos e lugares e de acordo com a índole e modo de ser dos fiéis, têm a virtude de fazer com que, honrando a mãe, melhor se conheça, ame e glorifique o Filho, por quem tudo existe (cfr. Col. 1, 15-16) e no qual “aprouve a Deus que residisse toda a plenitude” (Col. 1,19), e também melhor se cumpram os seus mandamentos (Lumem Gentium, 66).

Nesta e na próxima semana celebraremos nossa Padroeira, Nossa Senhora do Carmo, por isso queremos levar a todos os uma palavra sobre o culto, a devoção a veneração da Santíssima Virgem Maria com a finalidade de esclarecer aos nossos irmãos e irmãs católicos sobre esta temática.

Desde o início da Igreja, Maria ocupa um lugar de destaque, tanto na Liturgia Oriental como na Ocidental. Constatamos sua presença nas festas marianas, nas Orações Eucarísticas, nos hinos, na arte-sacra, na teologia dos Concílios e na vida da Igreja. Trata-se de uma presença histórica, teologicamente refletida e liturgicamente celebrada, com conseqüências espirituais e pastorais.

O culto que prestamos a Maria e aos santos é diferente, visto que Em teologia, como também na linguagem oficial da Igreja, chama-se de dulia, o culto devido aos santos*. O termo, de origem grega, nos remete aos duloi (servos), servos de Deus, que merecem nossa veneração. Esta é distinta daquela que dirigimos ao próprio Deus. Com efeito, há uma clara linha divisória entre dulia* (culto* aos santos) e latria, ou adoração, culto prestado unicamente a Deus (Daí vem a palavra “idolatria”). Tal linha divisória está marcada pela diferença existente entre criatura e Criador, entre a dignidade, a excelência e os dons de simples criaturas e a excelência infinita e a dignidade transcendente de Deus. Acima e abaixo dessa linha divisória, essencialmente intransponível, situam-se a latria (adoração a Deus) e a dulia (veneração aos servos de Deus)

Assim, o culto com que a Igreja venera Maria não pode ser uma dulia simples e ordinária; tampouco pode ser uma latria, a qual, ligada a uma pura criatura, seria uma idolatria. Tem de ser algo especial, singular, único, que escapa da dulia* comum aos santos. A Igreja criou um termo próprio e já consagrado para designá-lo: é a hiperdulia, em uso pelo menos desde os grandes doutores do século XIII, como Santo Tomás de Aquino e São Boaventura. Leiam-se, por exemplo, estas palavras do Doutor Angélico (Santo Tomás de Aquino): “A nenhuma criatura racional se lhe deve o culto de latria. Não sendo, pois, a Virgem senão uma criatura racional, não se lhe deve a adoração de latria, mas apenas a veneração de dulia; entretanto, de um modo superior ao das demais criaturas pelo fato de ser a mãe de Deus. Por isso se diz que lhe compete não uma dulia qualquer, mas a hiperdulia”.  São Boaventura ensina que a honra prestada a Maria “chama-se comumente entre os Mestres hiperdulia” (negritos nossos).

Fonte: cf. Gilmar Ribeiro, in www.traducoes publicas.trd.br/download/maria .pdf

A maternidade divina e a associação ao Redentor em sua obra salvífica conferem à virgem Maria uma dignidade única que, por assim dizer, exige dos fiéis um culto singular. Essa maternidade comunica a Maria uma dignidade que excede em muito o plano de qualquer outra dignidade sobrenatural e criada, posto que a graça da maternidade divina é, em si mesma, superior à graça santificante, que recebemos no Batismo.

Por isso o Culto à Mãe de Jesus em nada diminui o Culto de adoração que prestamos a Ele, seu Filho bendito, ao contrário exaltar a Mãe  é agradar também o Filho. É preciso, porém que, nós católicos, tomemos certo cuidado ao demonstrar nosso amor, nossa admiração, nossa veneração a Nossa Senhora. Um exemplo do que devemos evitar dizer é o seguinte: “Eu adoro Nossa Senhora”, Não! Nós não adoramos Nossa Senhora nós não lhe prestamos culto de “latria” que só se deve a Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Esta nossa maneira de falar, embora demonstre o grande amor que temos pela Mãe de Deus e nossa, causa estranheza e confusão nas pessoas que não confessam a mesma fé que nós, por isso quando quisermos falar de nossa admiração a Nossa Senhora digamos: “amamos Maria, amamos Nossa Senhora”; “Veneramos de modo especial Maria, a Mãe de Jesus”, etc.

Outro aspecto importante sobre a devoção e o culto a Nossa Senhora recordado pelo Magistério da Igreja é: “que a devoção autêntica não consiste em sentimentalismo estéril e passageiro ou em vã credulidade, mas procede da fé verdadeira que nos leva a reconhecer a excelência da Mãe de Deus e nos incita a um amor filial para com a nossa Mãe, e à imitação das suas virtudes.

Façamos nossa a invocação de Santo Anselmo: “Ó gloriosa Senhora, faz com que por ti mereçamos chegar até Jesus, teu Filho, que por teu intermédio se dignou descer até nós”. E a ela invoquemos com esta oração atribuída a São Bernardo de Claraval: 

Lembrai-Vos, ó piíssima Virgem Maria, 
que nunca se ouviu dizer 
que algum daqueles 
que têm recorrido à vossa protecção, 
implorado a vossa assistência, 
e reclamado o vosso socorro, 
fosse por Vós desamparado. 
Animado eu, pois, de igual confiança, 
a Vós, Virgem entre todas singular, 
como a Mãe recorro, 
de Vós me valho e, 
gemendo sob o peso dos meus pecados, 
me prostro aos Vossos pés. 
Não desprezeis as minhas súplicas, 
ó Mãe do Filho de Deus humanado, 
mas dignai-Vos 
de as ouvir propícia 
e de me alcançar o que Vos rogo.

Amém

 

04/07/2011

 

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Os santos do mês de junho

O mês de junho é também marcado pela celebração das festas de alguns santos, que são muito populares entre nós: Santo Antônio, no dia 13 de junho; São João batista, no dia 24; São Pedro e São Paulo, no dia 29, liturgicamente celebrado no Brasil, no domingo seguinte, quando o dia 29 cai num dia de semana. O papa Bento XVI dedicou algumas catequeses sobre estes santos, baseamo-nos em suas palavras neste artigo.

Santo Antônio de Pádua ou chamado, de Lisboa, referindo-se à sua cidade natal. Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja Católica, venerado não só em Pádua, onde foi construída uma maravilhosa Basílica que conserva os seus despojos mortais, mas em todo o mundo. São queridas aos fiéis as imagens e as imagens que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus no colo, em recordação de uma milagrosa aparição mencionada por algumas fontes literárias...

Nasceu em Lisboa numa família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando. Uniu-se aos cônegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, primeiro no mosteiro de São Vicente em Lisboa e, sucessivamente, no da Santa Cruz em Coimbra, famoso centro cultural de Portugal. Dedicou-se com interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja, adquirindo aquela ciência teológica que fez frutificar na atividade do ensino e da pregação.

Aconteceu em Coimbra o episódio que contribuiu para uma mudança decisiva na sua vida: ali, em 1220 foram expostas as relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos, que tinham ido a Marrocos, onde encontraram o martírio. A sua vicissitude fez nascer no jovem Fernando o desejo de os imitar e de progredir no caminho da perfeição cristã: então, pediu para deixar os Cônegos agostinianos e para se tornar Frade Menor. O seu pedido foi aceito e, tomando o nome de Antônio, partiu também ele para Marrocos, mas a Providência divina dispôs de outro modo. Após uma doença, foi obrigado a partir para a Itália e, em 1221, participou no famoso "Capítulo das Esteiras" em Assis, onde encontrou também São Francisco. Enviado, por circunstâncias totalmente casuais, a pregar por ocasião de uma ordenação sacerdotal, mostrou ser dotado de ciência e eloquência, e os Superiores destinaram-no à pregação. Começou assim na Itália e na França, uma atividade apostólica tão intensa e eficaz que induziu muitas pessoas que se tinham afastado da Igreja a reconsiderar a sua decisão. Antônio foi também um dos primeiros o primeiro mestre de teologia dos franciscanos. Iniciou o seu ensino em Bolonha, com a bênção de São Francisco, o qual, reconhecendo as virtudes de António, lhe enviou uma breve carta, que iniciava com estas palavras: "Agrada-me que ensines teologia aos frades". Antônio lançou as bases da teologia franciscana que, cultivada por outras insignes figuras de pensadores, teria conhecido o seu ápice com São Boaventura de Bagnoregio e com o Beato Duns Escoto.

São João Baptista, o único Santo do qual se comemora o nascimento, porque marcou o início do cumprimento das promessas divinas: João é aquele "profeta", identificado com Elias, que estava destinado a preceder imediatamente o Messias para preparar o povo de Israel para a sua vinda (cf. Mt 11, 14; 17, 10-13). A sua festa recorda-nos que a nossa vida é inteira e sempre "relativa" a Cristo e realiza-se o acolhendo, que é Palavra, Luz e Esposo, do qual nós somos vozes, lâmpadas e amigos (cf. Jo 1, 1-13; 1, 7-8; 3, 29). "Ele é que deve crescer, e eu diminuir" (Jo 3, 30): esta expressão do Baptista é programática para cada cristão.

São Pedro, Apóstolo, é, depois de Jesus, o personagem mais conhecido e citado nos escritos do Novo testamento: é mencionado 154 vezes com o cognome de Pétros, "pedra", "rocha", que é a tradução grega do nome aramaico que lhe foi dado diretamente por Jesus Kefa, afirmado nove vezes sobretudo nas cartas de Paulo; depois, deve-se acrescentar o nome frequente Simòn (Simão) (75 vezes), que é a forma grega do seu original nome hebraico Simeon (2 vezes: At 15, 14; 2 Pd 1, 1). Filho de João (cf. Jo 1, 42) ou, na forma aramaica, bar-Jona, filho de Jonas (cf. Mt 16, 17).

Era de Betsaida (cf. Jo 1, 44), uma cidadezinha a oriente do mar da Galiléia, da qual provinha também Filipe e naturalmente André, irmão de Simão. O seu modo de falar traía o sotaque galileu. Também ele, como o irmão, era pescador: com a família de Zebedeu, pai de Tiago e de João, dirigia uma pequena empresa de pesca no lago de Genesaré (cf. Lc 5, 10).

Era um judeu crente e praticante, confiante na presença ativa de Deus na história do seu povo, e sofria por não ver a sua ação poderosa nas vicissitudes das quais ele era, naquele momento, testemunha. Era casado e a sogra, curada um dia por Jesus, vivia na cidade de Cafarnaum, na casa na qual também Simão vivia quando estava naquela cidade (cf. Mt 8, 14 s; Mc 1, 29 s; Lc 4, 38 s).

Pedro por diversas vezes teve de se converter, voltar atrás de suas convicções, assim, com ele nós aprendemos que ser cristão não quer dizer não errar, mas, sobretudo saber reconhecer o erro e retomar o caminho da verdade e por causa de Jesus dar também a própria vida se preciso for.

São Paulo nasceu em Tarso da Cilícia, na atual Turquia. Quem era este Paulo? No templo de Jerusalém, diante da multidão agitada que queria matá-lo, ele apresenta-se a si mesmo com estas palavras: "Sou Judeu, nascido em Tarso da Cilícia, mas fui educado nesta cidade (Jerusalém), instruído aos pés de Gamaliel, em todo o rigor da Lei de nossos pais e cheio de zelo pelas coisas de Deus..." (At 22, 3). No final do seu caminho dirá de si: "Fui constituído... mestre dos gentios na fé e na verdade" (1 Tm 2, 7; 2 Tm 1, 11). Mestre dos gentios, apóstolo e propagador de Jesus Cristo, assim ele se caracteriza a si mesmo num olhar retrospectivo ao percurso da sua vida. Mas com isto o olhar não se dirige só ao passado. "Mestre dos gentios" esta palavra abre-se para o futuro, para todos os povos e todas as gerações. Paulo não é para nós uma figura do passado, que recordamos com veneração. Ele é também o nosso mestre, apóstolo e propagador de Jesus Cristo.

A sua fé é o ser atingido pelo amor de Jesus Cristo, um amor que o perturba profundamente e o transforma. A sua fé não é uma teoria, uma opinião sobre Deus e sobre o mundo. A sua fé é o impacto do amor de Deus sobre o seu coração. E assim esta mesma fé é amor por Jesus Cristo.

É lamentável, no entanto, que a vida e as obras destes homens não são têm sido consideradas pela maioria dos católicos como uma referência, como um modelo de vida cristã, de seguimento de Jesus até às últimas conseqüências, mas tomaram-nos como motivo para promoção de festas populares, ditas folclóricas, onde a fé nunca está presente apenas o incentivo ao vício e a outros males que atingem a nossa sociedade. Muitas destas festas pelo Brasil a fora têm o patrocínio, o apoio dos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. Certo é que, estes ditos "arraias" ou festas "Santo Antônio, São João e São Pedro" não possuem nada de cristão, senão apenas uma banalização da fé, em nome dos santos se comentem violência, prostituição, consumos de drogas, infidelidades conjugais e uma prática exacerbada do sexo.

Celebrar a memória dos santos é tomá-los como modelos, a serem seguidos na prática da fé cristã. Digamos não á banalização daqueles que tanto adiramos, que veneramos como nossos intercessores, que nos deixaram o exemplo de uma vida santa, dedicada a Deus e ao próximo.

 

22/06/2011

 

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“Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: ”Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’” (At 1.4-5).

 

Com esta palavra São Lucas nos fala da promessa que fez Jesus aos seus antes de subir ao céu, antes de voltar para o Pai. Estamos na Semana de preparação para a Celebração de Pentecostes, Solenidade na qual comemoramos a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos e Nossa Senhora, reunidos em oração no Cenáculo. Com esta Solenidade de Pentecostes encerra-se o Tempo Pascal na Igreja e tem-se início o chamado Tempo Comum.

Em Pentecostes, isto é, cinqüenta dias depois da Páscoa, cumpre-se a promessa feita por Jesus durante a Última Ceia. O Papa João Paulo II na sua Encíclica sobre o Espírito Santo nos diz: “Aparece clara, aqui (no dia de Pentecostes), a relação entre o anúncio feito por Cristo e este acontecimento. Entrevemos nele o primeiro e fundamental cumprimento da promessa do Paráclito. Este, enviado pelo Pai, vem ‘depois’ da partida de Cristo, por causa da mesma. Trata-se de uma partida, primeiro, mediante a morte de Cruz; e depois, passados quarenta dias após a ressurreição, mediante a ascensão ao Céu. Nesse momento da ascensão, Jesus deu ainda aos Apóstolos ordem ‘de não se afastarem de Jerusalém, mas de esperarem lá a realização da promessa do Pai’; ‘sereis batizados no Espírito Santo, dentro de poucos dias’; ‘recebereis uma força do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra’” (Enc. Dominus et Vivificantem, 2).

Na nossa profissão de fé nós confessamos: “Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida...” Mas, quem é o Espírito Santo? Como ele atua? Como podemos nos preparar melhor para recebê-lo? Estas perguntas encontram uma resposta clara na doutrina cristã. O Espírito Santo “é uma das Pessoas da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, "e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado...” (Catecismo da Igreja Católica, nn. 685-686). O Espírito Santo coopera com o Pai e o Filho do início até à consumação do projeto da nossa salvação. É o Amor infinito do Pai e do Filho, o Dom eterno que se entregam um ao outro, o Laço de união da Santíssima Trindade.

O Espírito Santo nos foi dado para que através de sua ação pudéssemos continuar a missão de Jesus Cristo de fazer acontecer o Reino de Deus entre nós, até que chegue, até que se cumpra no final dos tempos. Neste sentido recordou-nos o Papa Bento XVI: “O Espírito Santo é a alma da Igreja. Sem Ele a que ela se reduziria? Seria certamente um grande movimento histórico, uma complexa e sólida instituição social, talvez uma espécie de agência humanitária. E, na verdade, é assim que a vêem quantos a consideram fora de uma ótica de fé. Na realidade, porém, em sua verdadeira natureza e também em sua autêntica presença histórica, a Igreja é incessantemente plasmada e guiada pelo Espírito Santo de seu Senhor. É um corpo vivo, cuja vitalidade é justamente fruto do invisível Espírito divino”.

“O Espírito Santo, por sua graça, “é o ‘primeiro’ no despertar da nossa fé e na vida nova que é "conhecer o Pai e aquele que Ele enviou, Jesus Cristo"(Cf. Catecismo da Igreja Católica, 683).   

Fomos ungidos pelo Espírito Santo no Batismo e na Crisma e em cada Sacramento da Igreja ele desce sobre nós, para nos conferir a graça necessária para vivermos cada Sacramento, assim, temos em nós o espírito de Deus, porém é preciso invocá-lo sempre como sinal de nossa disposição para que atue sempre em nós, dirija nossa vida, auxilie-nos em nossas fraquezas, aqui escutamos a exortação do Apóstolo são Paulo aos gálatas: “Deixai-vos conduzir pelo Espírito” (Gl 5,16).

Invoquemos sempre a presença do Espírito Santo, abramo-nos ao seu suave fogo abrasador, deixemo-nos levar pelo seu suave vento, “que sopra onde quer” (cf. Jo 3,8).

Peçamos com confiança:

 

Vinde, Santo Espírito, e mandai lá do céu
um raio de vossa Luz!
Vinde Pai dos pobres, vinde Doador das graças
vinde Luz dos corações!
Nosso bom Consolador, doce Hóspede de nossa alma,
nosso doce Alívio vinde!
Nosso descanso na luta, nossa calma na labuta,
nosso consolo no pranto.
Ó Luz da felicidade, cumulai de caridade
aqueles que vos desejam!
Sem vossa força celeste, nada há em nós que
preste, nada que seja inocente.
Removei o que está sujo, aguai o que está seco,
curai o que está ferido!
Amolecei o que é rígido, aquecei o que está
frígido, tirai-nos de nossos desvios!
Pr’aqueles que vos procuram, pr’aqueles que em
vós confiam, daí os vossos sete Dons!
Daí o premio da virtude, daí a graça da saúde,
Daí a alegria sem fim!
AMÉM!

(Seqüência da Missa da Solenidade de Pentecostes)

 

06/06/2011

 

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Estamos encerrando o mês de maio e iniciando o mês de Junho. Maio o mês de Maria, junho o Mês do Sagrado Coração de Jesus. Celebrar o Sagrado Coração de Jesus ser devoto deste Coração é celebrar o amor de Deus para com os homens, que culminou no dom de seu Filho Unigênito, que tanto amou o mundo com “coração humano” (cf. GS, 22), assumido como instrumento de amor infinito.

Quando falamos em coração lembramos em primeiro lugar do órgão que faz parte de nossa anatomia, porém, na linguagem bíblica e também na nossa o coração é o centro das emoções, da vida moral. Usamos por exemplo, as expressões “abrir o coração”, “amar de coração”, “entregar o coração”. Isto para falar totalidade da pessoa e não apenas do órgão que temos dentro do nosso peito. Assim, a expressão ‘Coração de Jesus’ significa a própria Pessoa de Jesus, o seu aspecto mais nobre, mais atraente para nós: o AMOR, síntese e foco unificador de toda a vida, de toda a obra e de toda a Pessoa de Jesus.

         Na devoção ao Coração de Jesus veneramos o amor humano do Filho de Deus Encarnado. Lembramos Jesus que nos ama com amor humano e, por isso, nós sentimos nosso Deus muito próximo de nós, caminhando ao nosso lado.

         A devoção ao Coração de Jesus venera não só o amor humano de Jesus, venera, também, o seu amor divino. Quando dizemos Coração de Jesus (ou Coração de Cristo), queremos significar a Pessoa de Jesus Cristo, enquanto é, na sua Pessoa e na sua vida, a máxima manifestação do amor divino-humano com que Jesus Cristo nos amou e nos ama.  

O papa Pio XII escrevia: “O Coração de Jesus é o Coração de uma Pessoa divina, ou seja, do Verbo Encarnado e, por isso, representa e, por assim dizer, nos põe diante dos olhos todo o amor que Ele teve e ainda tem por todos nós. Portanto, fácil é concluir que, em sua essência, o culto ao Coração de Jesus é o culto ao amor com que Deus nos amou por meio de Jesus e, ao mesmo tempo, a prática do nosso amor para com Deus e o próximo” (H.A. in AAS 48, 344s).

E o Bem-aventurado João Paulo nos lembra que, “na Pessoa de Jesus Cristo, se revela também o amor misericordioso do Pai para com a humanidade. O Coração de Jesus será então, também, o amor misericordioso do Pai que, em Cristo, se revela e se doa totalmente a nós”. Acolhamos, pois a sua exortação “Tenhais o olhar fixo no Sagrado Coração de Jesus, Rei e centro de todos os corações; aprendei dele as grandes lições de amor, bondade, sacrifício e piedade”.

E o mesmo João Paulo II nos recorda que Esta devoção responde mais do que nunca ás aspirações de nosso tempo”.

Façamos nossas esta oração do Bem-aventurado Pio IX:

 

“Abri-me o vosso Sagrado Coração, ó Jesus!... mostrai-me os seus  encantos, uni-me a Ele para sempre. Que todos os movimentos e palpitações do meu coração, mesmo durante o sono, Vos sejam um testemunho do meu amor e Vos digam sem cessar: Sim, Senhor Jesus, eu Vos adoro... aceitai o pouco bem que pratico... fazei-me a mercê de reparar o mal cometido... para que Vos louve no tempo e Vos bendiga durante toda a eternidade.

Amém”

 

30/05/2011

 

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Bem-aventurada Dulce dos Pobres

 

Numa belíssima celebração na cidade de Salvador na Bahia, foi beatificada ontem no dia 22 de maio a Irmã Dulce, que recebera o nome Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, era filha do dentista Augusto Lopes Pontes e de Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes.

Irmã Dulce dedicou a sua vida aos necessitados. Começou sua obra ocupando um barracão abandonado para abrigar mendigos e chegou a receber o papa João Paulo II quando ele esteve no Brasil, devido ao seu trabalho com idosos, doentes, pobres, crianças e jovens carentes.

Em 1990, a religiosa começou a apresentar problemas respiratórios sendo internada no Hospital Português e depois transferida à UTI do Hospital Aliança e finalmente ao Hospital Santo Antônio.

Faleceu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos, com fama de santidade. Em junho deste ano, o corpo de Irmã Dulce foi exposto ao público pela última vez antes de ser transferido para um túmulo lacrado na Capela das Relíquias, em Salvador. Exumado em maio, o corpo da religiosa estava mumificado e seu hábito (traje de freira), preservado. Durante a visita do papa Bento XVI ao Brasil em 2007, o então governador de São Paulo, José Serra, enviou uma carta pedindo a beatificação da religiosa brasileira.
A biografia da bem aventura nos leva a perguntar o que faz com que uma criatura tão frágil, com apenas 40% de capacidade respiratória pôde fazer o que fez? A resposta é só uma: a força que vem de Deus, pelo amor que se tem pelo próximo. Há no mundo tantas pessoas economicamente abastadas, cheias saúde que passam pela vida sem dar um passo em direção ao próximo para ajudá-lo.

Na sua homilia na Missa de Beatificação o Cardeal Geraldo Magela Agnelo, Arcebispo emérito de Salvador, após lembrar que a vocação á santidade é para todo os fiéis como nos recordou o Concílio vaticano, disse que "Irmã Dulce foi privilegiada neste aspecto, em não colocar limites no Amor a Deus e aos irmãos".

"Bem-aventurada és tu, irmã Dulce, porque acreditaste na palavra do Senhor, e te tornaste santa no amor sem limites a Deus, provado no amor aos semelhantes mais humildes e necessitados. Por isso, tu és chamada Bem-aventurada Dulce dos pobres!" (Cardeal Agnelo, Homilia na Missa de beatificação).

 

Rezemos pedindo a sua intercessão:

 

ORAÇÃO PARA PEDIR GRAÇAS POR INTERCESSÃO DA BEM AVENTURADA DULCE DOS POBRES:

Senhor nosso Deus, recordando a vossa Serva Dulce Lopes Pontes,
Ardente de amor por vós e pelos irmãos nós vos agradecemos pelo seu serviço a favor dos pobres e excluídos. Renovai-nos na fé e na caridade, E concedei-nos a seu exemplo vivermos em comunhão Com simplicidade e humildade, Guiados pela doçura do Espírito de Cristo Bendito nos séculos dos séculos. Amém!

 

23/05/2011

 

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No Domingo passado, o IV Domingo da Páscoa, também chamado "Domingo do Pastor", celebramos 48º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, instituído há 48 anos pelo Papa Paulo VI, com o objetivo de promover uma intensa jornada de oração pelas vocações sacerdotais e religiosas.

O dever de rezar e promover as vocações é toda comunidade cristã. A oração é a primeira atitude que devemos tomar quando se trata de vocações, pois 'ao ver as multidões, encheu-se de compaixão por elas, por andarem fatigadas e abatidas como ovelhas sem pastor' e disse: 'A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi, pois, ao dono da messe que mande trabalhadores para a sua messe' (Mt 9, 36-38).

"A vocação dos discípulos -, recordou-nos o Papa Bento XVI na sua mensagem para este dia - nasce, precisamente, no diálogo íntimo de Jesus com o Pai. As vocações ao ministério sacerdotal e à vida consagrada são fruto, primeiramente, de um contato constante com o Deus vivo e de uma oração insistente que se eleva ao 'Dono da messe' quer nas comunidades paroquiais, quer nas famílias cristãs, quer nos cenáculos vocacionais".

Um outro aspecto importante na promoção das vocações é a santificação da família, pois ela, como ensina o Concílio Vaticano II, o primeiro seminário das vocações" (cf. OT 2).

Hoje em dia é preciso que os pais apresentem aos filhos e filhas a vocação ao sacerdócio e à vida consagrada como caminho também de realização pessoal, e não só se preocuparem com uma carreira ou profissão economicamente rendosa, que traz retorno financeiro simplesmente. Acredito que para o bom desempenho de uma profissão é preciso que se tenha vocação.

Um outro aspecto importante na promoção vocacional é a ajuda, efetiva na formação dos futuros sacerdotes, esta ajuda que é material, deve ser dada de acordo com as reais necessidades dos seminários da diocese, conforme a solicitação do bispo diocesano e dos padres formadores.

Assim, convoco a nossa comunidade, as famílias e os grupos de pastorais, movimentos e serviços para que peçamos insistentemente ao Senhor da Messe que mande muitos e santos operários para a sua messe.

Aos pais e mães peço-lhes que apresentem orações ao Senhor para que despertem também em seus filhos a vocação para o sacerdócio e para vida consagrada e os incentivem nesta opção.

Aos jovens e às jovens proponho que se coloquem diante do Senhor em oração com a disposição para escutar o chamado que Ele lhes faz para uma vida de total consagração na vida sacerdotal e religiosa.

 

16/05/2011

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Maio de Maria

Maio, mês de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, aquela que com o seu “sim” fez com que Deus entrasse em nossa história, assumisse a nossa carne, para elevar-nos, para nos mostrar o caminho de como ser verdadeiramente humano.

Aurora de nossa salvação, ela precedeu o “sol nascente, que veio iluminar os que jazem nas sombras da morte e dirigir os nossos passos no caminho da paz” (Cf. Lc 1,78), Jesus, a verdadeira luz que, vindo ao mundo ilumina todo homem” (Cf. Jo 1,9).

Resplandecente de glória, pois éreis resplandecente de graça, pois a glória é o aperfeiçoamento da graça (Pe. Júlio Maria).

Imaculada, Mãe de todos os homens, ícone da beleza e da caridade divina" (Cardeal Bertone).

Assunta ao céu, onde resplandece como Rainha à direita do seu Filho, Rei imortal dos séculos, de lá ela intercede por nós como boa mãe que é.

 

Nossa vida é um caminhar em direção a Deus: dele viemos e para Ele nos dirigimos. A Virgem nos acompanha, protege e ajuda. Devemos aumentar nosso amor a Ela, tratando-a com especial carinho, oferecendo-lhe as coisas da nossa vida, acorrendo-nos a ela sempre com confiança na sua poderosa intercessão. Nosso amor à Virgem deve ser grande, constante e sempre crescente.

Neste tempo Pascal saudemo-la:

 

“Rainha do Céu, alegrai-vos, aleluia. Porque Aquele que merecestes trazer em vosso puríssimo seio, aleluia.

Ressuscitou, como disse, aleluia. Rogai a Deus por nós, aleluia.

Exultai e alegrai-vos, ó Virgem Maria, aleluia. Porque o Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia.

 

Ó Deus, que vos dignastes alegrar o mundo com a ressurreição de vosso Filho Jesus Cristo, Senhor nosso, concedei-nos, Vo-lo suplicamos, que por sua Mãe, a Virgem Maria, alcancemos os prazeres da vida eterna. Pelo mesmo Cristo, Nosso Senhor. Amém”.

 

09/05/2011

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Hoje quero falar sobre o grande acontecimento que se deu em Roma, no dia primeiro de maio, passado. A beatificação do Papa João Paulo II. Ao pedido feito pelo cardeal Agostino Vallini, Vigário Geral do santo padre para a Diocese de Roma, o papa Bento XVI pronunciou emocionado a fórmula de beatificação prevista pelo rito: Nós, acolhendo o desejo de Nosso Irmão Agostino cardeal Vallini, Nosso Vigário Geral para a Diocese de Roma, de muitos outros Irmãos no Episcopado e de muitos fiéis, após ter recebido o parecer da Congregação para as Causas dos Santos, com Nossa Autoridade Apostólica concedemos que o Venerável Servo de Deus João Paulo II, papa, de agora em diante seja chamado Beato e que se possa celebrar sua festividade nos lugares e segundo as regras estabelecidas pelo direito, todo ano a 22 de outubro. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

Em 1980, eu já fazia acompanhamento vocacional em Belo Horizonte, discernindo a minha vocação e neste ano o Papa João Paulo II veio pela primeira vez ao Brasil, a capital Mineira foi escolhida para o encontro com os jovens, com a juventude. E lá estava eu e mais dois amigos de pensão. Fomos para a praça, hoje chamada Praça do Papa, às 05:00 horas da manhã, para aguardar a sua chegada às 14:00 horas. A praça estava lotada.

O Papa chegou e logo desapareceu atrás do altar e nós, jovens, começamos a gritar em uníssono: - “queremos ver o papa, queremos ver o papa...” Logo ele apareceu e deu uma volta por toda extensão da frente do palanque e acenava para nós. Que emoção, pela primeira vez vimos um Papa, um sucessor de Pedro, nosso pastor universal bem de perto, falando conosco, brincando conosco.

         De repente começamos a gritar “rei, rei, o papa é nosso rei...” Creio que ele não compreendia bem o que estávamos dizendo, pois numa outra ocasião quando puxaram o mesmo refrão ele proibiu e disse: “Jesus é nosso rei”. Mas naquele dia ele fez uma piadinha com o que estávamos cantando: disse ele: - “No México eles dizem: ‘rá, rá’, vocês dizem ‘rê, rê’...”.

Mais importante do que ver a sua figura simpática, sorridente, amável foi ouvir a sua mensagem dirigida aos jovens, uma mensagem que permanece atual hoje. Entre tantos trechos importantes da sua mensagem eu destacaria este: “A riqueza maior deste País, imensamente rico, são vocês. O futuro real deste País do futuro se encerra no presente de vocês. Por isso este País, e com ele a Igreja, olham para vocês com um olhar de expectativa e de esperança (...). Abertos para as dimensões sociais do homem, vocês não escondem sua vontade de transformar radicalmente as estruturas que se lhes apresentam injustas na sociedade. Vocês dizem, com razão, que é impossível ser feliz, vendo uma multidão de irmãos carentes das mínimas oportunidades de uma existência inumana. Vocês dizem, também, que é indecente que alguns esbanjem o que falta à mesa dos demais. Vocês estão resolvidos a construir uma sociedade justa, livre e próspera, onde todos e cada um possam gozar dos benefícios do progresso... Aprendi que um jovem cristão deixa de ser jovem, e há muito não é cristão, quando se deixa seduzir por doutrinas ou ideologias que pregam o ódio e a violência. Pois não se constrói uma sociedade justa sobre a injustiça. Não se constrói uma sociedade que mereça o título de inumana, desrespeitando e, pior ainda, destruindo a liberdade inumana, negando aos indivíduos as liberdades mais fundamentais...!”.

        Foi em Belo Horizonte que se cantou pela primeira vez a música “a Barca”, uma canção traduzida do polonês para o português do Brasil. Lembro-me que quando acabamos de cantá-la, o papa disse: - “O papa vai buscar outro mar, vai para o Rio de janeiros”. Percebi que naquele dia ele estava muito a vontade conosco e nós com ele.

        Depois já como padre participando de um retiro espiritual pregado pelo Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, então cardeal arcebispo de Belo Horizonte, ele nos disse que a visita a Belo Horizonte foi a que mais marcou o Papa, pois sempre que se encontrava com ele o papa lhe perguntava; Como está Belo Horizonte, como estão os jovens?“. Se o marcou tanto, mais marcados ficamos nós com a simpatia, o exemplo, a coragem, o testemunho deste grande homem: Beato João Paulo, papa, o nosso ”João de Deus”, o papa que se disse Brasileiro, carioca, gaúcho, o Papa de todos os povos, de todas as raças, de todas as religiões, pois a todos acolhia com carinho, com amor e com interesse. 

A bênção Beato João de Deus!

 

02/05/2011

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“QUERO A MISERICÓRDIA” (Os 6,6)

Nesta semana, durante a qual vamos nos prepararmos para Celebrar a Festa da Divina Misericórdia, gostaria de abordar este tema como uma motivação para que todos celebrem conosco esta festa.

Na Sagrada Escritura encontramos três vezes a citação deste versículo que dá título a este artigo: “Quero a misericórdia e não o sacrifício”. Uma vez em Oséias (Os 6,6) e duas vezes no Evangelho segundo São Mateus (cf. Mt 9, 13 e 12,7). 

A misericórdia tem dois significados fundamentais: o primeiro indica a atitude da parte de Deus mesmo, que é a parte forte na aliança para com a parte mais fraca e se expressa habitualmente no perdão das infidelidades e das culpas; o segundo indica a atitude para com a necessidade do outro e se expressa nas chamadas obras de misericórdia. Existe, por assim dizer, uma misericórdia do coração e uma misericórdia das mãos.

Na vida de Jesus resplandecem as duas formas. Ele reflete a misericórdia de Deus para com os pecadores, mas se comove também ante todos os sofrimentos e necessidades humanas, intervém para dar de comer à multidão, curar os enfermos, libertar os oprimidos. Dele o evangelista diz: “Tomou sobre si nossas fraquezas e carregou nossas enfermidades” (Mt 8, 17).

Etimologicamente a palavra Misericórdia é formada por outras duas outras palavras por misereo (miséria) e cor (coração) e significa comover-se no próprio coração pelo sofrimento ou o erro do outro. Deus age assim diante dos desvios do povo: “Meu coração está em mim comovido, e por sua vez se estremecem minhas entranhas” (Os 11, 8).  Trata-se de reagir com o perdão e, até onde é possível, com a justificação, não com a condenação.

O Papa João Paulo II na nota 52 da sua Carta Encíclica “Dives in Misericordia”, assim nos recorda “ao definirem a misericórdia, os Livros do Antigo Testamento servem-se, sobretudo de duas expressões, cada uma tem um matiz semântico diverso. Antes de mais, o termo hesed, que indica uma profunda atitude de ‘bondade’. Quando esta disposição se estabelece entre duas pessoas, estas passam a ser, não apenas benévolas uma para com a outra, mas também reciprocamente fiéis por força de um compromisso interior, portanto, também em virtude de uma fidelidade para consigo mesmas. E se é certo que hesed significa também ‘graça’ ou ‘amor’, isto sucede precisamente por causa de tal fidelidade. O fato de o compromisso em questão ter um caráter, não apenas moral, mas como que jurídico, não altera a sua realidade. Quando no Antigo Testamento o vocábulo hesed é referido ao Senhor isso acontece sempre em relação com a aliança que Deus fez com Israel. Esta aliança foi da parte de Deus um dom e uma graça para Israel. Contudo, uma vez que Deus, em coerência com a Aliança estabelecida, se tinha comprometido a respeitá-la, hesed adquiria, em certo sentido, um conteúdo legal. O compromisso ‘jurídico’ da parte de Deus deixava de obrigar quando Israel infringia a aliança e não respeitava as condições da mesma. E era precisamente então que hesed, deixando de ser uma obrigação jurídica, revelava o seu aspecto mais profundo: tornava-se manifesto aquilo que fora no princípio, ou seja, amor que se doa, amor mais poderoso do que a traição, graça mais forte do que o pecado” (DM, nota referente ao §4).

“Jesus aproxima-se das pessoas com muita compreensão, com doçura e humildade. Ama as pessoas, como nos demonstra também na parábola do pai bom e do filho pródigo. As palavras do pai não são um sermão, não lançam queixas e muito menos acusações. Não é um debate e, muito menos, uma polêmica. À humilde confissão do filho: "Pai, pequei contra o céu e contra ti; já não sou digno de ser chamado teu filho' (Lc 15, 21), o pai responde beijando-o e abraçando-o; apenas fala com o seu amor: "Depressa, trazei o vestido mais belo e vesti-lho, ponde-lhe o anel no dedo e sandálias nos pés. Trazei o vitelo gordo, matai-o, comamo-lo e façamos festa..." (Lc 15, 22-23). É este o modo como também havemos de atuar com os nossos irmãos, mesmo com aqueles de quem tenhamos alguma queixa” (Cf. Bento XVI).

Cada cristão há de continuar a ser sinal desse amor misericordioso junto dos irmãos, particularmente junto daqueles que nos parecem mais pecadores, porque a Misericórdia é a síntese da mensagem cristã.

 

26/04/2011

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Nossa palavra hoje será já uma preparação para a celebração dos dias santos do Tríduo Pascal, nos dando a oportunidade de mergulharmos nos acontecimentos centrais da redenção, de reviver o mistério pascal, o grande mistério da fé. Iniciamos na quinta feira, dia 21 de abril com a Missa da Ceia do Senhor (in Coena Domini), estes solenes ritos litúrgicos nos ajudarão a meditar de modo mais vivo a paixão, a morte e a ressurreição do Senhor, fonte de todo o ano litúrgico. Que todos nós abramos os nossos corações a compreensão do dom inestimável que é a salvação que nos foi obtida pelo sacrifício de Cristo. Encontramos este dom imenso, admiravelmente narrado num célebre hino contido na Carta aos Filipenses (cf. 2, 6-11): “Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, mas ele esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, e toda língua proclame: Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai. Como é maravilhoso, e ao mesmo tempo surpreendente, este mistério! Nunca podemos meditar suficientemente esta realidade. Jesus, mesmo sendo Deus, não quis fazer das suas prerrogativas divinas uma posse exclusiva; não quis usar o seu ser Deus, a sua dignidade gloriosa e o seu poder, como instrumento de triunfo e sinal de distância de nós. Ao contrário, "despojou-se a si mesmo" assumindo a miséria e a frágil condição humana Paulo usa, a este propósito, um verbo grego muito expressivo para indicar a kénosis, a descida de Jesus.

Na Missa da tarde, chamada in Coena Domini, isto É da Ceia do Senhor a Igreja comemora a instituição da Eucaristia, o sacerdócio ministerial e o Mandamento novo do amor. Este dia constitui, portanto um convite renovado a dar graças a Deus pelo dom extremo da Eucaristia, que deve ser acolhida com devoção e adorada com fé viva. Por isso, a Igreja encoraja, depois da celebração da Santa Missa, a vigiar na presença do Santíssimo Sacramento, recordando a hora triste que Jesus passou em solidão e oração no getsémani, antes de ser preso para ser depois condenado a morte.

Na Sexta-Feira Santa, celebramos o dia da paixão e da crucifixão do Senhor. Todos os anos, estando em silêncio diante de Jesus pregado no madeiro da cruz, sentimos quanto são cheias de amor as palavras por Ele pronunciadas na vigília, durante a Última Ceia. "Isto É o Meu sangue, sangue da aliança, que vai ser derramado por muitos" (cf. Mc 14, 24). Jesus quis oferecer a sua vida em sacrifício pela remissão dos pecados da humanidade. Como diante da Eucaristia, assim diante da paixão e morte de Jesus na Cruz o mistério torna-se insondável para a razão. Somos postos diante de algo que humanamente poderia parecer absurdo: um Deus que não só se faz homem, com todas as necessidades do homem, não só sofre para salvar o homem assumindo toda a tragédia da humanidade, mas morre pelo homem.

A morte de Cristo recorda o sofrimento e os males que pesa sobre a humanidade de todas as Épocas: o peso esmagador do nosso morrer, o ódio e a violência que ainda hoje ensanguentam a terra. A paixão do Senhor continua nos sofrimentos dos homens. Como escreve Blaise Pascal, "Jesus permanecerá em agonia até ao fim do mundo; não se deve dormir durante este tempo" (Pensamentos, 553). Se a Sexta-Feira Santa é um dia cheio de tristeza, É, portanto ao mesmo tempo, um dia muito propício para despertar a nossa fé, para reforçar a nossa esperança e a coragem de carregar cada qual a sua cruz com humildade, confiança e abandono a Deus, na certeza do seu apoio e da sua vitória. A liturgia deste dia canta: “Crux, ave, spes unica (Salve, Ó cruz, Única esperança)".

Esta esperança alimenta-se no grande silêncio do sábado Santo, na expectativa da ressurreição de Jesus. Neste dia as Igrejas não estão ornamentadas e não são previstos particulares ritos litúrgicos. A Igreja vigia em oração como Maria e juntamente com Maria, compartilha os mesmos sentimentos de dor e de confiança em Deus. Justamente se recomenda que se conserve durante todo o dia um clima de oração, de silêncio favorável a  meditação e a  reconciliação; somos chamados a aproximar-nos do sacramento da Penitência, para poder participar realmente renovados nas Festas pascais.

O recolhimento e o silêncio do sábado Santo nos conduzirá a solene Vigília pascal, "mãe de todas as vigílias", quando irromper em todas as igrejas e comunidades o cântico da alegria pela ressurreição de Cristo. Mais uma vez, será proclamada a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte, e a Igreja rejubilará no encontro com o seu Senhor. Entraremos assim no clima da páscoa de ressurreição.

Neste caminho para a páscoa acompanha-nos a Virgem Maria, que seguiu em silêncio o Filho Jesus até ao calvário, participando com grande dor no seu sacrifício, cooperando assim no mistério da redenção e tornando-se Mãe de todos os crentes (cf. Jo 19, 25-27). Juntamente com ela entremos no cenáculo, permaneceremos aos pés da Cruz, vigiaremos idealmente ao lado de Cristo morto aguardando na esperança o alvorecer do dia radiante da ressurreição.

(Texto adaptado da Audiência Geral do Papa Bento XVI, no dia 08/04/2009)

 

18/04/2011

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No Evangelho segundo São João, Maria é mais que mera personagem (missão) e até mais que uma personalidade (pessoa): é personalidade corporativa. Seu significado supera sua pessoa individual. Ela representa a Igreja, a humanidade salva, o universo redimido. Maria em João transcende infinitamente Maria de Nazaré. João no-la apresenta em dois momentos decisivos do ministério de Jesus: Em Caná que representa o momento da inauguração da vida pública.

Em Caná as seis talhas de pedras, cheias de água, se transformam em vinho; o número seis, na Bíblia é sinônimo de imperfeição, perfeito é o número sete, assim no Calvário, hora culminante da vida  de Jesus, Ele é a sétima talha de onde jorram o Sangue e a água, símbolos dos sacramentos da Igreja.

João usa o simbólico para escrever, assim, devemos ler Maria mais profundamente, que é o sentido espiritual, místico, sobrenatural. Daí a interpretação de Orígenes: “Ninguém pode compreender o sentido do Evangelho de João a não ser aquele que repousar sobre o peito de Jesus ou receber Maria como mãe das mãos de Jesus” (PG 14,29-32).

Ao nos aproximarmos da Semana Santa, quando antes celebraremos o Setenário de Nossa Senhora das Dores, refletindo sobre o mistério de Maria na obra salvífica de Jesus, gostaríamos de dizer uma palavra sobre este momento importante da vida da Virgem Maria, seu estar de pé junto à Cruz do de Jesus”, quando ouve Dele estas palavras: “Mulher eis aí o teu filho...” (Jo 19,27

Com a expressão ‘mulher’, Jesus quer indicar o sentido simbólico-místico da pessoa de Maria. Ela se torna a figura-tipo da Igreja-mãe, a comunidade dos discípulos missionária, que gera filhos para Deus através da Palavra e dos Sacramentos. Ela é a nova Eva, como Cristo o novo Adão, como escreveram São Justino e Santo Irineu. É a mãe carnal de Jesus e a mãe espiritual dos discípulos, é a mãe da Igreja, da comunidade de fé. Ela se torna o ícone-simbólico-teológico que supera a realidade de Maria que viveu historicamente em Nazaré, a esposa de José. Assim, Maria se torna parte da identidade cristã. O título de ‘Maria, Mãe da Igreja’, aparece no séc. XI com Berengário de Tours, mas foi somente declarado título mariano solenemente por Paulo VI em 21 de novembro de 1964, no seu Discurso de Encerramento do Concílio vaticano II: “Para a glória da Virgem e para o nosso conforto, proclamamos Maria Santíssima Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo de Deus, tanto dos fiéis quanto dos pastores, que a chamam de Mãe amorosíssima”.

A Constituição Dogmática sobre a Igreja, do Concílio vaticano II, no número 58 nos lembra que “Maria é aquela fiel discípula de seu Filho que avançou pelo caminho da fé, mantendo fielmente a união com seu Filho até a cruz. Junto desta esteve, não sem desígnio de Deus (Jo 19, 25), padecendo com o seu Filho único, e associando-se com coração de mãe ao seu sacrifício, aceitando com amor a imolação da vítima que d’Ela nascera; finalmente, Jesus Cristo, agonizante na cruz, deu-a por mãe ao discípulo, com estas palavras: ‘mulher, eis aí o teu filho’ (Jo 19, 26-27). Desde a anunciação até à cruz, Maria é Aquela que acolhe a Palavra que n’Ela se fez carne e foi até emudecer no silêncio da morte. É Ela, enfim, que recebe nos seus braços o corpo imolado, d’Aquele que ‘tendo amado os seus amou-os até ao fim’ (Jo 13, 1)”.

O Papa Bento XVI nos apresenta Maria como aquela que, próxima de Deus, se faz próxima do ser humano e no-la apresenta como modelo: “Quanto mais próximo de Deus o homem está, tanto mais próximo está dos  homens. Vemo-lo em Maria. O fato de Ela estar totalmente junto de Deus é a razão pela qual se encontra também próxima dos homens. Por isso, pode ser a Mãe de toda a consolação e de toda a ajuda, uma Mãe à qual, em qualquer necessidade, todos podem se dirigir na própria debilidade e no próprio pecado, porque Ela tudo compreende e para todos constitui a força aberta da bondade criativa. É nela que Deus imprime a sua própria imagem, a imagem daquele que vai à procura da ovelha perdida, até às montanhas e até no meio dos espinhos e das sarças dos pecados deste mundo, deixando-se ferir pela coroa de espinhos destes pecados, para salvar a ovelha e para reconduzi-la à casa. Como Mãe que se compadece, Maria é a figura antecipada e o retrato permanente do Filho. E assim vemos que também a imagem da Virgem das Dores, da Mãe que compartilha o sofrimento e o amor, é uma verdadeira imagem da Imaculada. Mediante o ser e o sentir juntamente com Deus, o seu coração se alargou. Nela a bondade de Deus se aproximou e se aproxima muito de nós. Assim, Maria está diante de nós como sinal de consolação, de encorajamento e de esperança. Ela se dirige a nós, dizendo: "Tem a coragem de ousar com Deus! Tenta! Não tenhas medo d'Ele! Tem a coragem de arriscar com a fé! Tem a coragem de arriscar com a bondade!

(Homilia, 08 de dezembro de 2005).

Virgem Mãe das Dores, rogai por nós!

 

06/04/2011

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Nossa palavra será o discurso que pronunciamos ao final da Celebração da Missa em Ação de Graças pelo 10 anos de Instalação da nossa Paróquia, que foi presidida por Dom Francisco Barroso Filho, Bispo emérito de Oliveira.

 

NA VINHA DO SENHOR SOMOS TODOS OPERÁRIOS.

 

“Naquele dia, se dirá: “Cantai a bela Vinha!”.  Eu o Senhor, sou o vinhateiro; no momento oportuno eu a rego, a fim de que seus ramos não murchem. Dia e noite e a vigio...” (Is 27,2-3)

 

“Naquele dia, se dirá: “Cantai a bela Vinha!” (Is 27,2).  Hoje é o dia! Dia de louvar e agradecer a Deus pelos seus incontáveis benefícios durante estes anos de existência de nossa comunidade paroquial. Dia de lembrar diante do Senhor aqueles e aquelas que no passado ajudaram na semeadura e nos primeiros cuidados desta Vinha, e prestar-lhes nossa homenagem de gratidão e reconhecimento. Hoje colhemos os frutos daquele incansável trabalho, cientes que é sempre “Deus quem faz crescer” (cf. 1Cor 3,6).

Hoje é o dia de cantar agradecendo por todos aqueles que conscientes de que não podemos colocar nossa glória nos homens” (cf. 1Cor 3,21a), perseveram na ação pastoral e evangelizadora da comunidade, sabendo que todos nós servimos ao Senhor, que “somos operários de Deus” (1Cor 3, 9a).  Por isso elevo a Deus minha prece de ação de graças por todos os agentes de Pastoral que juntamente comigo, também servidor do Senhor, continuam se empenhando no árduo trabalho do anúncio do Evangelho, para que os valores do Reino se tornem realidade nesta nossa peregrinação, até se tornarem plenos na eternidade junto de Deus. Minha gratidão a todos que até aqui deram sua contribuição e que, por motivos diferentes, não poderão continuar  suas tarefas, saibam  com toda certeza que “receberão de Deus a sua recompensa” (cf. 1Cor 3,8b).

         Hoje é dia de cantar a ação de graças porque o Senhor, “o Vinhateiro” (cf. Is 27,3), cuida com carinho desta sua Vinha, atendendo-nos sempre quando o invocamos; Ele que se faz sempre presente pela Palavra proclamada, na comunidade que se reúne, pois “onde dois ou mais estiverem reunidos em meu nome eu estarei no meio deles” (Mt 18,20), presente se faz nos Sacramentos nos quais atualizamos o Mistério pascal em nossas vidas e recebemos as graças necessárias para sermos e agirmos como discípulos missionários de Cristo. Está realmente presente no Augustíssimo Sacramento da Eucaristia, “no qual se contém, se oferece e se recebe o próprio Cristo Senhor e pelo qual continuamente vive e cresce a Igreja. O Sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, no qual se perpetua pelos séculos o Sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã, por ele é significada e se realiza a unidade do povo de Deus, e se completa a construção do Corpo de Cristo... (Código de Direito Canônico, Cân. 897). Assim, caríssimos irmãos e irmãs, nós somos, como comunidade, convocados pela Palavra de Deus e reunidos na unidade pelo Sacramento do Corpo e Sangue do Senhor. A Eucaristia é por excelência “Sacramentum unitatis” o Sacramento da Unidade.

É nossa missão trabalhar sempre pela unidade, edificando-a na diversidade dos ministérios, dos carismas, dos dons. Na sua Encíclica sobre os Apóstolos dos Eslavos, São Cirilo e São Metódio, o Venerável João Paulo II nos recorda que “A unidade é o encontro na verdade e no amor, que nos são dados pelo Espírito” (SA, n. 27).

         O Cardeal Joseph Ratzinger (Bento XVI) em sua Homilia pronunciada no Seminário maior da Filadélfia, Estados Unidos nos recorda que “devemos nos empenhar em trabalhar pela unidade da fé, pois “só esta unidade da fé e a sua obrigatoriedade nos dão a garantia de não seguirmos opiniões humanas nem aderirmos a partidos formados por nós mesmos, mas pertencermos e obedecermos ao Senhor (Homilia pronunciada no Seminário maior da Filadélfia, Estados Unidos, em 21 de janeiro de 1990, no 3º Domingo do Tempo Comum).

         Devemos, pois, compreender que “A Igreja, (e aqui podemos entender a comunidade paroquial) não é um partido, nem um Estado religioso dentro do Estado terrestre, mas um corpo, o Corpo de Cristo. E por isto a Igreja não é feita por nós; é construída pelo próprio Cristo, ao purificar-nos pela Palavra e pelo sacramento, fazendo de nós seus membros. Naturalmente existem muitas coisas que nós mesmos estabelecemos dentro da Igreja, porque ela penetra profundamente na esfera prática das coisas humanas (...). Mas o que é específico e próprio da Igreja não pode ser fruto de nossas vontades e de nossas iniciativas; não nasce “da carne nem da vontade do homem” (Jo 1,13). Deve vir de Cristo. Quanto mais somos nós que fazemos a Igreja, tanto mais ela se torna inabitável, porque tudo o que é humano é limitado e se contrapõe a outro humano. A Igreja será tanto mais a pátria do coração para os homens, quanto mais escutarmos o Senhor e quanto mais ela viver do Senhor: de sua Palavra e dos Sacramentos que Ele nos deixou. A obediência de todos a Ele será a garantia de nossa liberdade” (Ibidem).

É com este pensamento que queremos continuar construindo esta comunidade paroquial com a consciência de que Cristo é a Videira Verdadeira e nós somos os seus ramos (cf. Jo 15,1) e que todos nós nos alimentamos da mesma seiva, do seu amor, para continuar construindo “in caritate  et veritate” “no amor e na verdade”. Unidos a Cristo e entre nós seremos testemunhas para o mundo de que caminhamos nesta vida não rumo a um projeto puramente humano, mas construímos, na diversidade a unidade, a Cidade Futura. E nesta tarefa de construção, creio que posso aplicar a vocês leigos e leigas o que Santo Agostinho disse a respeito dos sacerdotes: "E nós o que somos? Ministros (de Cristo), seus servidores; porque o que distribuímos a vós não é nosso, mas tiramo-lo da sua despensa. E inclusive nós vivemos dela, porque somos servos como vós" (Discurso 229/e, 4). Na vinha do Senhor somos todos operários.  

SEM O PERDÃO NÃO SE CRESCE E NEM SE DESENVOLVE QUALQUER COMUNIDADE

Hoje é dia também de pedir perdão. Perdão a Deus pelas nossas infidelidades, pela nossa indisposição e indiferença para com o seu projeto dentro da comunidade. Perdão aos irmãos e irmãs porque muitas vezes a vaidade tomou conta do nosso coração e, como o desejo de sermos eficientes em nossos trabalhos pastorais, a sede de poder, nosso orgulho, a nossa autossuficiência falaram mais alto e ofendemos, machucamos, discriminamos as pessoas, querendo nos tornar superiores, antes que servidores humildes.  Lembramos aqui as palavras do Senhor Jesus quando disse: “quem quiser ser grande, seja o servidor, e quem quiser ser o primeiro dentre vós, seja o servo de todos...” (cf. Mc 10,44)

Pedir perdão porque sem o perdão mútuo não se cresce e nem se desenvolve qualquer comunidade. O Arcebispo Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova evangelização nos recorda: “Se não houvesse o perdão, nunca teríamos uma forte garantia de que saberíamos amar e ser amados. Só quem ama, de fato, sabe chegar ao perdão, e só quem perdoa atesta a sua capacidade de saber amar. No entanto, isso também não basta. O perdão cristão é uma retomada ativa de relações interrompidas para reconstruir uma vida de amor. O pecado, como sabemos, é ruptura da vida de comunhão com Deus e, portanto, exclusão da comunidade cristã. Isso se expressa com a escolha errada de conduzir a própria existência prescindindo de Deus e da comunidade a que se pertence. Não é por acaso que a imagem que se usa para indicar o pecador seja mostrá-lo voltando às costas para o Pai e para seus irmãos...” (cf. Conferência proferida pelo reitor da Pontifícia Universidade Lateranense na décima edição do Congresso Internacional sobre o Rosto de Cristo).

“Eu o Senhor, sou o vinhateiro; no momento oportuno eu a rego, a fim de que seus ramos não murchem. Dia e noite e a vigio...” (Is 27,3). Hoje é dia de cantar a alegria e a esperança e continuar a caminhada certos de que não estamos sozinhos, abandonados à nossa pobre humanidade tão cheia de contradições e apegos, mas caminha conosco o Senhor, dando-nos a certeza de sua promessa quando nos disse: “Eis que eu estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos” (Mt 28,20).

Por isso, caríssimos irmãos e irmãs, eu os convoco hoje, no inicio de mais uma etapa da história desta comunidade, a prosseguirmos juntos na missão de evangelizar, levar Cristo às pessoas e aos ambientes, cada um consciente de sua vocação e fazendo tudo com humildade, competência, desapego, disponibilidade, sobretudo com o amor, pois, “a ciência incha, só o amor constrói” (1Cor 8,1).

Neste momento invoco, com confiança e insistência, a ajuda da Virgem Maria, Nossa Senhora do Carmo para que, seguindo o seu exemplo de acolhimento do plano divino da salvação e com a sua eficaz intercessão, se possa difundir no âmbito desta comunidade a disponibilidade para dizer “sim” ao Senhor, que não cessa de chamar novos trabalhadores para a sua Vinha.  Maria, Stela Maris e Flos Carmeli, Ora pro nobis!.  Estrela do Mar e Flor do Carmelo!,  rogai por nós. Amém.

 

28/03/2011

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Nossa palavra nesta semana será uma oração que compusemos por ocasião dos 10 anos de instalação de nossa paróquia.

     Convido a todos a rezar conosco esta oração. 

 

ORAÇÃO EM AÇÃO DE GRAÇAS PELOS 10 ANOS DE INSTALAÇÃO DA PARÓQUIA NOSSA SENHORA DO CARMO 

 

Santíssima Trindade, que sois um só Deus, ao celebrarmos os dez anos de instalação de nossa Paróquia Nossa Senhora do Carmo, prostramo-nos diante de vós, para vos louvar e agradecer por estes anos de caminhada; agradecer-vos por todos aqueles e aquelas que lançaram a semente desta nova comunidade paroquial e que, com empenho trabalharam para a sua criação e que hoje, como discípulos missionários de Jesus trabalham na evangelização desta porção de vosso povo que aqui vive.

Queremos, ao mesmo tempo, implorar-vos a graça de também vos imitar vivendo na unidade, fazendo do amor mútuo “o laço da perfeição” (cf. Cl 3,14), que nos une a todos, pastores e fiéis leigos “num só coração, numa só alma” (cf. At 4,32).

Ajudai-nos a viver a caridade para com todos, sobretudo para com aqueles mais necessitados.

Aumentai em nós a fé, para que iluminados pela Palavra e sustentados pela Eucaristia possamos também ser luz no mundo, sal da terra, fermento na massa, para que os homens “vendo as nossas boas obras glorifiquem o Pai que está nos céus” (cf. Mt 5,16).

Fortalecei com a ação da vossa graça as famílias, para que vivendo na fidelidade o Sacramento do Matrimônio, se tornem verdadeiras igrejas domésticas, escola de virtudes e santuários da vida.

Conduzi os jovens no caminho da vida e da esperança, para que se tornem verdadeiros discípulos missionários em nosso meio, e “sempre prontos a responder a todo aquele que lhes perguntar sobre a esperança que os anima, com mansidão e respeito” (Cf.1Pd 3,15-16) [1].

Protegei as crianças “primavera das famílias”, para se aproximando desde cedo de vós possam garantir a continuidade da ação evangelizadora e missionária da comunidade.

Consolai os enfermos e idosos, ajudai-lhes a oferecer cada dia seus sofrimentos em união com o sofrimento redentor de Cristo. Dai-lhes a graça de poder contar com a atenção daqueles que lhes são mais próximos e de todos quantos têm sobre eles a responsabilidade de ajudá-los a aliviar o sofrimento e a solidão.

Concedei a todos nós, pastores e leigos, a graça da perseverança na missão de evangelizar e de fazer com que o Evangelho de Cristo “atinja e modifique os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (cf. EN, 19)

Isto nós vos agradecemos e pedimos, pela materna intercessão de Maria Santíssima, Mãe da Igreja, a Senhora do Carmo.

Amém 

21/03/2011

(Oração Composta pelo Pe. Donizete Antônio de Souza – Pároco e aprovada por S.Exa. Revma. Sr. Dom Miguel Angelo Freitas Ribeiro, Bispo Diocesano)

 

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“Fazei também a eles”

 

Quero nesta página refletir o versículo: “Tudo quanto quereis que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles. Nisto consiste a Lei e os Profetas” (Mt 7,12). Este é um pensamento que sempre me acompanha, pois penso que colocá-lo em prática em nossa vida podemos evitar desavenças entre as pessoas, inveja, atitudes egoístas, injustiça e, até mesmo no campo da política e da economia, a corrupção o autoritarismo, a desumanidade.

Na busca de uma síntese para os 613 preceitos e proibições da Torá (Lei Judaica), muitos Rabinos e Mestres judeus elegeram um versículo. Para o Rabino Hilel, - que foi um famoso líder religioso judaico, a síntese da Torá era esta chamada regra de ouro. Dizia ele: Não faças aos outros aquilo que não gostarias que te fizessem a ti. Essa é toda a Torá, o resto é o comentário; agora ide e aprendei".

Esta Regra de Ouro encontra-se não só no ensinamento judaico e de Jesus, mas também, de uma ou de outra maneira, em todas as religiões. Ela responde ao sentimento mais profundo e mais universal do ser humano.

No Hinduismo foi atestada por Confúcio (cerca de 551-489 a. C): "O que não desejas para ti, também não o faças aos outros". No budismo se expressa assim: "Um estado que não é agradável ou prazeroso para mim não o será para o outro; e como posso impor ao outro um estado que não é agradável ou prazeroso para mim?" (Samyutta Nikaya V, 353.3-342.2); e no islamismo: "Ninguém é crente enquanto não desejar a seu irmão o que deseja para si mesmo" (Quarenta Hadithe de an-Nawawi, 13).  Com Jesus ela é expressa em forma positiva: "O que quereis que os outros vos façam, fazei-o também vós a eles" (Mt 7,12; Lc 6,31). Se não vejamos:

Eu quero ser perdoado, mas resisto em perdoar; quero ser bem acolhido, mas não quero acolher; quero que falem sempre bem de mim, mas vivo caluniando as pessoas; quero ser valorizado naquilo que faço, porém desfaço sempre das obras dos outros; quero para mim a prosperidade, o bem, porém, olho com inveja e desconfiança o progresso do outro; quero vida e saúde para mim, para os outros, no entanto, desejo o mal e rogo pragas nos outros. No diálogo quero sempre ser ouvido, mas nem sempre tenho disposição para ouvir os outros, etc.

Eu pergunto: Será que não há algo errado aí, quando pensamos que somos filhos do mesmo Pai e que esta certeza nos traz uma outra conseqüência séria de que somos todos irmãos? O que os de fora, os que não crêem como nós, dirão de nós, pois vivemos continuamente em conflitos uns com os outros e desejando mal uns para os outros.

Não pensemos que estas coisas estão fora de nossas comunidades, de nossa ação pastoral, porque em muitas há este espírito de rivalidade de querer o bem só para si, só para o seu grupo, para a sua pastoral, para o seu movimento, para a sua comunidade. Isto é um contra testemunho muito grande é totalmente o inverso do que diziam dos primeiros discípulos: “Vejam como eles se amam”. Agindo assim nos tornamos pedra de tropeço para os demais.

Fazer para o outro o que  queremos para nós mesmos é, na verdade, cumprir o que está na síntese de todos os mandamentos segundo Jesus: “amar a Deus e ao próximo como a ti mesmo” (cf. Mc 12,31), e mais, é chegar a cumprir o que Jesus chamou de “Novo Mandamento”: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12).

Esta regra de ouro é importante em nossa formação moral e, ajudam muito nesta formação moral a oração e o exame de consciência", bem como os dons do Espírito Santo e "os conselhos de pessoas sábias" (Cf. Compêndio do catecismo da Igreja católica). Além disso, é necessário, é essencial também que a consciência siga três normas mais gerais e importantes acerca da conduta moral humana: "1º) nunca é permitido fazer o mal porque daí deriva um bem; 2º) a chamada regra de ouro: “tudo quanto quiserdes que os homens vos façam, fazei-o vós também” (Mt 7, 12); 3°) a caridade passa sempre pelo respeito do próximo e da sua consciência, embora isto não signifique aceitar como um bem aquilo que é objetivamente um mal".

E assim possa nos ajudar também este conselho da Beata Teresa de Calcutá:

Mantenha seus olhos puros para que Jesus possa olhar através deles. Mantenha sua língua pura para que Jesus possa falar por sua boca. Mantenha suas mãos puras para que Jesus possa trabalhar com suas mãos.

Mantenha sua mente pura para que Jesus possa pensar seus pensamentos em sua mente.

Mantenha seu coração puro para que Jesus possa amar com seu coração.

Peça a Jesus para viver sua própria vida em você porque: Ele é a Verdade da humildade. Ele é a Luz da caridade. Ele é a Vida da santidade”.

 

15/03/2011

 

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Palavras depois da posse na Paróquia Nossa Senhora do Carmo em Campo Belo

26 de fevereiro de 2011

 

 

“In verbo autem tuo laxabo rete!” (Lc 5,5). “Em atenção à tua palavra lançarei a rede” (Lc 5,5).

 

Hoje, ao assumir esta Paróquia eu o faço na obediência que prometi no dia da minha ordenação, há 23 anos, quando o nosso querido Bispo emérito Dom Francisco Barroso Filho, então bispo diocesano, me perguntou: “prometes obediência a mim e aos meus sucessores?” Confesso que este foi um dos momentos no qual prestei muita atenção e respondi “sim” e com convicção. Sabia que não era uma resposta formal, ou de praxe, pois durante todo o tempo de seminário procurei amadurecer a consciência sobre este voto, que, dentre os demais, a saber, pobreza e castidade, é o mais importante e difícil de viver. Porque a nossa obediência é, na verdade a Deus, mas Ele é representado pela autoridade humana e às vezes somos tentados a pensar que o chamado, a ordem dada pode não vir de Deus, porque como diz aquele adágio: “homo sum et nihil humani a me alienum puto”. Sou homem e tudo o que é humano não me é alheio. Assim, somos tentados a pensar que a autoridade age de modo puramente humano, talvez porque percebemos em nós esta terrível tendência de, muitas vezes agir por capricho, ou visando o próprio interesse.

Como Pedro naquela ocasião às margens do Lago de Genesaré, também tive a tentação de me fazer de entendido e resistir a uma ordem do Mestre Jesus, aqui, no caso representado na pessoa do bispo Diocesano, que também é passível de erro, mas pela unção que recebeu, acredito que neste caso também ele age “in persona Christi (na pessoa de Cristo)”, ao buscar, como o Bom Pastor, promover, através dos presbíteros, o bem do rebanho, “que é de Deus” (cf. 1Pd 5,2). Deste modo, um pouco relutante, atitude até então impensável a estas alturas dos meus 23 anos de sacerdócio, aceitei o chamado para servir nesta Paróquia. 

Como Pedro tenho também minhas convicções, meus pontos de vista, meu saber, mas eles não podem ser maiores do que a Palavra do Mestre Jesus Cristo, do que o projeto de Deus, por isso, como ele digo “In verbo autem tuo laxabo rete!” (Lc 5,5). “Em atenção à tua palavra lançarei a rede” (Lc 5,5).

Vou lançar aqui, nesta Paróquia, a rede para pescar e quem sabe re-pescar homens e mulheres para se tornarem também conosco discípulos missionários de Cristo a serviço do Reino, a serviço da salvação “do homem todo e de todos os homens” (João Paulo II). Confesso que no esporte da pescaria não tenho nenhuma habilidade, aliás, nem gosto. Por outro lado, não possuo nem de longe a habilidade, a convicção, o ardor de Pedro. Minha rede é pequena, o impulso de minhas mãos alcança pouca extensão desse imenso mar que é a comunidade; minhas forças e minha sabedoria são poucas para atingir com mais profundidade o imenso mar, que é o mundo e, sobretudo, o fundo  do mar do coração humano que precisará de mim e que vou poder fazer muito pouco, pois é assim que tenho me sentido nestes 23 anos de sacerdócio, vividos com grande entusiasmo, mas muitas vezes entre dificuldades e contradições, não porque a graça não fora suficiente, mas porque insuficiente é a minha capacidade e a minha abertura à graça de Deus. Mas aqui me recordo as belas palavras do nosso querido Papa Bento XVI na sua primeira aparição na sacada do Palácio Apostólico, após a sua eleição para a Cátedra de Pedro: “Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”. Se ele, Cardeal J. Ratzinger, maior teólogo vivo da atualidade, se sente um instrumento insuficiente, o que eu posso dizer de mim mesmo? Talvez, que sou um quase instrumento!

Penso que pouco saberei e poderei fazer, mas confesso que vou tentar e quando me acabarem as forças só poderei repetir com o salmista: “Completai em mim a obra começada, ó Senhor,...!” [Sl 137(138)]. É claro que não coloco a confiança em mim mesmo, visto que, como diz Santo Ambrósio, “A confiança em si mesmo é vã, mas a humildade dá muito fruto...”. E é com humildade que venho a vocês, porque “a humildade e o respeito fazem parte da novidade do anúncio e que a coisa mais elementar que devemos reconhecer é justamente esta: a Igreja é d’Ele. A novidade do anúncio cristão deve ser oferecida sempre de maneira humilde e respeitosa aos destinatários do anúncio. Não é uma questão de oportunismo tático-estratégico. É uma consequência própria do fato de que a verdade anunciada pelos cristãos é um dom, não uma posse deles”, estas são palavras do teólogo emérito do Vaticano, Cardeal George Cottier, OP.  E, repetindo seu mestre, o cardeal Charles Journet disse: “A pretensão de demonstrar com os nossos argumentos a verdade da fé, quando o coração não é habitado pela caridade, pode suscitar escândalo e objeção”.

Venho, pois, a vocês mais para aprender do que para ensinar, porque quem pensa saber tudo está longe, muito longe da verdadeira sabedoria. “O segredo do bom mestre é ser sempre um bom discípulo” (cf. Alceu Amoroso Lima).

Nestes 23 anos de sacerdócio sempre me acompanha minha Mãe, Dona Zica, já conhecida de alguns aqui. Nesta paróquia não será diferente ela vem comigo, já agradeço antecipadamente a acolhida que dão a ela. Ela é para mim como Maria e eu tento ser para ela como João, o evangelista.

Meus agradecimentos aos meus irmãos sacerdotes aqui presentes.

Agradeço a todos os amigos que vieram de Oliveira, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, da qual já sinto saudades, e dos amigos das outras comunidades. Agradeço aos irmãos e irmãs de outras comunidades daqui de Campo Belo pela presença.

(Agradeço à imprensa presente, às autoridades constituídas por participarem desta celebração de minha acolhida como pároco desta comunidade).

Agradeço o carinho e a acolhida dos meus novos paroquianos. E digo lhes: já faço parte desta Família de Nossa Senhora do Carmo. Já me sinto em casa e quero ser “onmia onmibus”, “tudo para todos” (cf. 1Cor 9,22), para tentar salvar alguns!”

Minha gratidão imensa à comissão organizadora desta celebração pela disponibilidade, dedicação e carinho com que a prepararam.

Caríssimos, caríssimas, iniciar uma nova tarefa é sempre um desafio, por isso, servem-me de consolo e incentivo estas palavras do Beato John Henry Newman:

 

“Cristo olha para ti, sejas tu quem fores.  Ele te chama pelo teu nome.

Ele te vê e te compreende, Ele que te criou. Tudo o que há em ti, Ele o sabe: todos os teus sentimentos e os pensamentos que te são próprios, as tuas inclinações, os teus gostos, a tua força e a tua fraqueza.

Ele te vê nos teus dias de alegria, como nos dias de sofrimento. Interessa-se por todas as tuas angústias e recordações, por todos os entusiasmos e desânimos do teu espírito.

Ele te envolve com os seus braços e te ampara; levanta-te e te faz descansar.

Contempla o teu rosto, quer quando sorrias, quer quando chores, na saúde ou na doença.

Olha para as tuas mãos e para os teus pés, ouve a tua voz, o batimento do teu coração, até mesmo o teu respiro.

Tu não te amas mais do que Ele te ama”.

 

Por isso, “In verbo autem tuo, Domine, laxabo rete!” (cf. Lc 5,5). “Em atenção à tua palavra, Senhor, lançarei a rede”.

Que conosco esteja ”o supremo pastor” (1Pd 5,4) e valha-nos sempre a proteção e a intercessão da Bem-aventurada Virgem Maria, Virgo Flos Carmeli, e que com ela e por meio dela, pastores e fiéis, possamos atingir juntos o verdadeiro “Monte que é Cristo” e atender-lhe o seu conselho: “fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2,5). Amém.

 

Pe. Donizete Antônio de Souza – Pároco

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Campo Belo, 26 de fevereiro de 2011.

Memória de santa Paula Montal, Religiosa Fundadora.

Paróquia N.Sra. do Carmo – C. Belo - MG.

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Arquivo A Voz do Pároco 2009 / 2010

 

 

 

 

 

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